Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 13/01/2004 na edição 259

REFORMA MINISTERIAL

“Nota do Planalto nega prazo para concluir ajuste”, copyright Folha de S. Paulo, 7/1/04

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou ontem uma nota classificando de ?especulações? as informações publicadas na imprensa sobre a reforma ministerial em discussão. O texto, liberado às 13h, foi assinado pelo porta-voz da Presidência, André Singer.

?Tendo em vista notícias desencontradas nos últimos dias sobre possíveis alterações no ministério, o presidente da República reitera que ainda não tomou qualquer decisão a respeito e, tão logo o faça, a imprensa será comunicada.?

A nota diz que as ?eventuais mudanças? ocorrerão quando o presidente determinar. Por isso, ele ?desautoriza especulações sobre prazos para uma possível reforma ministerial?. Lula diz ainda que o ?noticiário especulativo não ajuda o país?, pois prejudica o bom andamento da administração.

Apesar de declaração do Planalto, os próprios ministros vêm se manifestando, aberta ou reservadamente, sobre a reforma. Anteontem, a Agência Brasil, serviço de notícias do governo federal, divulgou declarações da ministra da Secretaria de Promoção de Políticas para as Mulheres, Emília Fernandes, afirmando que tinha recebido um telefonema do gabinete do presidente avisando que Lula vai realizar uma reunião informal com os ministros na próxima semana para tratar da reforma. Segundo Emília, as conversas devem avançar nesta semana, ?mas o martelo só deve ser batido na próxima?.

Anteontem, assessores próximos a Lula chegaram a dizer que a reforma seria concluída nos próximos dias para acomodar o PMDB e que um ajuste maior ocorreria depois. Ontem, porém, eles julgavam que esse ajuste ocorreria agora.

Pela manhã, Lula recebeu o presidente do PT, José Genoino. O encontro, de cerca de uma hora, não estava previsto na agenda. O petista entrou e saiu pela garagem reservada do Planalto e não deu entrevistas.”

 

“Assessor de Eunício é ligado a rádios”, copyright Folha de S. Paulo, 7/1/04

“Além de ser proprietário de rádios, o deputado federal Eunício Oliveira (PMDB-CE) -nome cotado para assumir o Ministério das Comunicações na reforma do governo Lula? tem um assessor ligado a pelo menos três emissoras no Ceará, sua base eleitoral.

Ontem, a Folha revelou que o parlamentar tem três rádios.

Entre outras atribuições, a pasta das Comunicações, com o Congresso, é responsável por liberar e renovar concessões de rádio e definir políticas do setor. Não há, no entanto, impedimento legal à nomeação de Oliveira ao cargo.

Donizete Arruda, funcionário do parlamentar oficialmente há seis meses, é sócio da única FM de Crateús e diretor de uma fundação dona de duas FMs educativas no Estado (Maracanaú e Sobral).

Macário Martins, que atendeu a ligação da Folha na rádio de Crateús, afirmou ser supervisor de um grupo de comunicação de Arruda. Em conversa gravada, disse que o assessor de Oliveira é dono de outras duas rádios já em funcionamento, está montando mais duas e ainda teria obtido concessão para instalar 20 emissoras.

De acordo com ele, o grupo de Arruda irá inaugurar em breve uma FM em Guaiúba e outra em Aracati. Além disso, afirma que o assessor é dono de uma FM em Redenção e de uma AM em Guaraciaba do Norte, ambas já no ar.

Martins disse ainda que Arruda é sócio de uma agência de publicidade em Fortaleza, geradora de noticiário para 42 rádios.

Arruda nega as informações. Diz ser sócio minoritário da FM de Crateús e apenas um dos membros da fundação que possui duas rádios -não inauguradas.

O assessor de Oliveira afirmou que só possui ?10% da rádio de Crateús e nada mais?. ?Quem lhe deu essas informações quer me prejudicar. Não há nem funcionário do meu grupo, porque não tenho grupo. Tenho só 10% da rádio de Crateús, e está em processo no ministério uma AM de Guaraciaba. Essa ainda não foi homologada, então não posso dizer que é minha?, disse Arruda, ex-apresentador da TV Jangadeiro (retransmissora do SBT no CE).

Num segundo telefonema, Martins confirmou as informações sobre as outras supostas rádios de Arruda. Sobre a negativa do assessor, Martins, rindo, afirmou: ?Aqui no Nordeste, as pessoas são assim, não gostam muito de divulgar o que têm. O Donizete [Arruda] não gosta de divulgar, sempre apela para fundação, coisa assim. Talvez ele queira assumir quando tiver com o grupo formado para evitar especulação?.

Na listagem oficial do Ministério das Comunicações, o nome de Donizete Arruda aparece só como sócio da rádio de Crateús e diretor das duas FMs educativas.”

 

“O coração de Lula”, copyright Folha de S. Paulo, 7/1/04

Um dia depois do Natal, o líder do PMDB no Senado chamou entrevista coletiva para dizer que Lula decidiria as mudanças no ministério até dia 6. Foi ontem -e nada.

O porta-voz André Singer foi à TV e leu nota quase ríspida, dizendo que Lula ?desautoriza especulações sobre prazos?.

Segundo a CBN, lá de Alagoas o líder peemedebista saiu falando que só volta a Brasília se Lula chamar ?oficialmente? e que vai esperar com paciência.

Mas a nota não se dirigia a ele, ao que parece. Pelo menos não só a ele e aos outros peemedebistas à espera de cargo.

O porta-voz questionou as ?notícias desencontradas?, o ?noticiário especulativo?, e atingiu quem não pára de falar do assunto, na TV.

Franklin Martins, por exemplo, para quem a ?minirreforma? não deve ir além da acomodação de um deputado e de um senador do PMDB:

? O favorito entre os deputados é Eunício de Oliveira. Quanto ao senador, a disputa nos bastidores é grande.

Alexandre Garcia, outro exemplo, nem fala em minir? reforma, mas em ?ajuste?, e usa imagens curiosas como:

? O coração de Lula se enche de dúvidas.

Para o governo Lula, interessa pouco a atenção dada às mudanças no ministério e muito a repercussão de sua ?prioridade? publicitária para 2004.

Por dois dias seguidos, dois ministros falaram longamente ao Bom Dia Brasil de empregos. De Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, ontem:

? A perspectiva para o ano é crescer as exportações e, com isso, criar aproximadamente 1,5 milhão de empregos.

Mais à frente, o mote:

? A prioridade para 2004 é a geração de empregos.

Não é preciso dizer que a entrevista ecoou pelas rádios e pela internet o dia todo. O mesmo já havia ocorrido um dia antes, com a entrevista de Jaques Wagner, do Trabalho.

Da Globo, para Wagner:

? 2003, por causa do ajuste fiscal e da reforma da Previdência, foi o ano de Antonio Palocci e Ricardo Berzoini. Este será o seu ano, com mudanças na lei sindical e criação de empregos…

De Wagner, para a Globo:

? Acho ótimo ser o ano da inclusão social pelo emprego…

Ele não parou de prometer desde então, a ponto de ser levado à primeira manchete do Jornal da Record, ontem:

? O ministro do Trabalho promete reduzir a taxa de desemprego para menos de 10% este ano.

O ano novo começa, como o velho, prometendo.”

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