Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

ASPAS

DOSSIÊ PERFÍDIA

"Jornalista afirma ter sido vítima de censura em programa da TV Educativa", copyright Folha de S. Paulo, 9/02/01

"O jornalista João Carlos Teixeira Gomes, autor do livro ‘Memória das Trevas – Uma Devassa na Vida de Antonio Carlos Magalhães’, disse ontem que foi censurado ao ter cancelada sua participação no programa ‘Observatório na TV’, da TV Educativa, na última terça-feira. O programa foi substituído por uma reprise.

A TVE e o editor do programa, Alberto Dines, negam a censura.

O livro ‘Memória das Trevas’ é uma biografia não autorizada com denúncias contra o senador ACM. Segundo Teixeira Gomes, Alberto Dines lhe disse por telefone que a retransmissora da TVE na Bahia havia comunicado que não colocaria o programa no ar. Por isso Dines temia causar problemas ao novo diretor nacional da TVE, Fernando Barbosa Lima, caso a entrevista fosse realizada.

‘Ele teve uma atitude de preservação de um colega querido, mas que na prática redundou numa censura’, disse o escritor.

Outro lado

Alberto Dines afirmou que foi o único responsável pela suspensão do programa da TVE. ‘Não houve censura. O programa não foi ao ar porque não havia condições para realizá-lo’, disse Dines. Ele exemplificou a falta de condições com a ausência de seis dos sete jornalistas convidados para o evento.

‘O programa na TV está suspenso até que eu consiga realizá-lo com a entrevista (com o escritor)’, afirmou Dines.

Fernando Barbosa Lima disse que não recebeu comunicado da retransmissora da TVE na Bahia de que não iria pôr o programa no ar. Para Lima, Teixeira Gomes pretende fazer ‘marketing’ com o episódio."

 

"Autor de ‘Memória das Trevas’ esclarece reportagem sobre seu livro", copyright Agência JB, 9/02/01

O autor do livro ‘Memória das Trevas’, João Carlos Teixeira Gomes, afirmou, em entrevista exclusiva ao JB Online, que a matéria publicada hoje no jornal O Globo ‘deturpou suas palavras’. Na reportagem, João Carlos teria declarado que seu livro foi censurado pelo jornalista Alberto Dines, e que ficou decepcionado com a atitude de Alberto e do presidente da TVE, Fernando Barbosa Lima.

João Carlos afirmou que ‘a moça’ que o entrevistou – a matéria não está assinada – estava claramente tentando sugar uma declaração contra Dines. Mas o que ele disse a ela foi que ‘tinha percebido da parte do Dines uma situação de constrangimento ético pelo desejo de preservar um amigo de longa data, o Fernando Barbosa, que sempre partilhou da luta pela liberdade de expressão e estava assumindo a TVE’.

O jornalista Alberto Dines cancelou, nesta terça-feira, a apresentação do programa Observatório da Imprensa que iria debater o livro de João Carlos com acusações contra o presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O motivo foi o constrangimento em vincular algo tão polêmico logo no dia da posse do novo presidente da TVE, Fernando Barbosa, além da recusa de dez jornalistas em participar do programa."

***

"TVE nega censura em debate sobre livro de denúncias contra ACM", copyright Agência JB, 9/02/01

"O diretor-presidente da TV Educativa (TVE), Fernando Barbosa Lima, negou hoje ter censurado, no último dia 6, o programa ‘Observatório da Imprensa na TV’, em que seria debatido o livro ‘Memórias das Trevas’, do jornalista baiano João Carlos Teixeira Gomes, que faz uma apimentada biografia não autorizada do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

Segundo ele, o programa não foi ao ar porque sete dos oito jornalistas convidados para participar do debate se recusaram a comparecer. ‘A proposta do programa é promover um debate, portanto deve haver mais de um lado. Mas com a desistência dos convidados, acabou restando só o autor do livro’, argumentou.

O editor-responsável do programa, Alberto Dines, reiterou via internet, no endereço eletrônico do ‘Observatório da Imprensa’ <www.observatóriodaimprensa.com.br>, as explicações do presidente da TVE. No entanto, ele lembrou que a rede de televisão é pública e, portanto, depende de dotações orçamentárias e verbas suplementares, devidamente autorizadas pelo Legislativo."

 

"TVE exibe entrevista no dia 20", copyright Jornal do Brasil, 10/02/01

"A troca de acusações na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado não respingou apenas no Congresso. O programa Observatório da imprensa, que deveria ter exibido segunda-feira, na TV Educativa, uma entrevista com o jornalista baiano João Carlos Teixeira Gomes, autor do livro Memória das trevas, uma apimentada biografia não autorizada do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), não foi ao ar por uma conjunção nebulosa de fatores que despertaram a suspeita de censura. O diretor-presidente da TVE, Fernando Barbosa Lima, disse ontem que não houve proibição à exibição do programa. Ele informou que o programa com o jornalista deverá ser transmitido ao vivo dia 20 – seis dias depois das eleições no Congresso.

Barbosa Lima disse que Observatório da imprensa não foi ao ar porque sete dos oito jornalistas convidados para participar do debate se recusaram a comparecer. ”A proposta do programa é promover um debate. Portanto, deve haver mais de um lado. Mas, com a desistência dos convidados, acabou restando só o autor do livro”, argumentou.

O editor-responsável do programa, jornalista Alberto Dines, disse que não queria causar situação de constrangimento a Barbosa Lima. ”O problema não foi o Fernando, mas, sim, minha preocupação com o Fernando”, disse Dines. Segundo ele, Barbosa Lima assumiria a presidência da emissora no mesmo dia em que o programa iria ao ar.

”Estava difícil fazer o programa com tranqüilidade. Com o governo em crise, como vou fazer um programa sobre um dos três sócios do governo numa emissora estatal”, disse Dines. Ele lembrou que a emissora é pública e, portanto, depende de dotações orçamentárias e verbas suplementares autorizadas pelo Legislativo. Sem rodeios, afirmou que houve ”constrangimento” com as recusas aos convites e porque o senador Antonio Carlos Magalhães sequer atendeu aos telefonemas da produção do programa.

Durante toda semana houve informações de que o programa teria sido suspenso por pressão de Antonio Carlos Magalhães, uma vez que o livro foi divulgado pelo seu principal adversário político, o presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA). Para Fernando Barbosa Lima, a divulgação de que houve censura foi uma espécie de ”auto-promoção” do autor e de sua editora."

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