Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > WIENER ZEITUNG, 300 ANOS

Folha de S. Paulo / Le Monde

Por lgarcia em 12/08/2003 na edição 237

IMPÉRIO MURDOCH

"Murdoch pode legar ?império de areia?", copyright Folha de S. Paulo / Le Monde, 10/08/03

"Aos 72 anos, Rupert Murdoch está a ponto de realizar seu sonho: tornar-se o rei da TV por satélite em escala planetária. Seu império de mídia vive constantemente à procura de novas conquistas. Nos EUA, está a ponto de assumir o controle da DirecTV, o que o colocaria no primeiro escalão das emissoras por satélite. Na Europa, ele está prestes a abocanhar as partes mais interessantes que restaram do Canal+. Depois de adquirir a Telepiù, filial italiana do grupo francês, para criar a Sky Italia, Murdoch negocia a retomada da Sogecable, filial espanhola da rede de TV codificada, e uma parte da Canal+ Technologies. Essa retomada pode lhe garantir, após anos de esforços, a supremacia mundial sobre a tecnologia da decodificação e da TV interativa.

A paixão de Rupert Murdoch continua a ser dar golpes ousados. Suas TVs pagas podem gabar-se de atingir 110 milhões de telespectadores hoje. Mas ele não pára de acrescentar novas peças ao conjunto. O empresário da mídia australiano-americano aguarda alvará do Departamento da Justiça dos EUA para adquirir 34% da DirecTV, primeira rede de TV por satélite do país, com cerca de 11 milhões de assinantes. Com o controle dessa jóia, ?Rupert, o Magnífico?, como é conhecido, vai passar a dispor de seu canal próprio de distribuição nos EUA dos filmes e programas produzidos por sua rede Fox (que inclui, entre outros, o estúdio 20th Century e a Fox News).

Murdoch conta com o aval do governo Bush. No conflito no Iraque, a Fox deu apoio inquestionável à administração republicana. No Reino Unido, a BSkyB, da qual Murdoch é dono de 36,2%, já se impôs na paisagem audiovisual, tendo como única rival real a BBC. Essa potência está em processo de se estender por todo o sul da Europa, com a cumplicidade de seu velho amigo, o premiê italiano Silvio Berlusconi.

O poder do grupo se concentra na presidência, criada em 1996. Além do próprio Murdoch e de seu filho mais velho, Lachlan, 31 -o sucessor designado-, o alto escalão inclui alguns ajudantes fiéis, que supervisionam o comitê executivo, composto por 21 gerentes espalhados pelo mundo.

Mas o cenário aparentemente perfeito não deixa de ser marcado por algumas sombras. A BSkyB está sendo ameaçada pela Premier League (liga de futebol inglesa) de ter os direitos de transmissão das partidas abertos à concorrência. A altamente deficitária rede asiática Star TV, comandada por James Murdoch, filho mais velho do empresário, pode ter suas atividades na Índia proibidas em razão da falta de transparência em relação a seus acionistas.

Diversas incertezas pesam sobre o futuro do grupo. A sucessão de Murdoch está na ordem do dia desde que o empresário foi operado de um câncer na próstata, em 2000. Dúvidas sérias persistem quanto à capacidade de Lachlan Murdoch de assumir as rédeas do conglomerado. Não se pode excluir a possibilidade de uma guerra fratricida pelo poder.

Os analistas financeiros chamam a atenção para a incoerência de um grupo feito de partes avulsas, cujos ativos são destituídos de sinergia. A opinião generalizada é que Murdoch, no auge de seu poder, pode deixar para seus herdeiros pouco mais do que um império feito de areia. Tradução de Clara Allain"

 

ECOS DA GUERRA

"Os obituários na TV", copyright Último Segundo/The New York Times (www.us.com.br), 5/08/03

"A economia iraquiana está paralisada. Mas em Karada Out, na agitada praça que fica de frente para os palácios de Saddam Hussein, do outro lado do Rio Tigre, os negócios florescem.

Especificamente, o negócio da informação. Em uma rua de 3 quilômetros, 53 lojas vendem receptores de satélite. Cerca de cem lojas têm aparelhos de televisão expostos nas calcadas, onde as caixas multicoloridas de empresas coreanas são empilhadas.

Em uma loja, Abdullah Salama, o gerente, de 35 anos, observava oito funcionários descarregarem 3 mil antenas parabólicas de um trailer laranja. A carga deve levar apenas algumas semanas para acabar, disse Salama.

?Algumas pessoas querem ver a programação de entretenimento?, afirmou, ?mas basicamente elas querem ver o noticiário?.

O boom ocorre apesar de uma situação elétrica precária em muitos lugares. Os iraquianos dizem assistir principalmente aos canais de língua árabe, como a Al-Jazeera, apesar de terem diferentes opiniões sobre o que vêem.

Mais de cem jornais são publicados. No início da tarde, é impossível encontrar uma cópia do que, por muitas declarações, é o jornal mais confiável de Bagdá: o Azzaman, com uma circulação de 75 mil, publicado por um ex-assessor de Saddam que escapou em 1992.

Cafés com internet lotam as ruas. Os bagdalis agora surfam pela internet e enviam e-mails sem um membro do governo atrás deles.

A nascente mídia iraquiana oferece evidências de que um mercado livre pode florescer aqui. Mesmo assim, elas também deixaram os iraquianos em Bagdá e em outras cidades sobrecarregados de escolhas e tentando descobrir qual fonte é confiável.

Os iraquianos são conhecidos como vorazes leitores, mas por 35 anos, eles tiveram pouco acesso às notícias – exceto às versões de Saddam. Como resultado, os iraquianos tendem a ser incrivelmente céticos aos jornais e aos anúncios oficiais.

?Eu geralmente não compro – eu gosto de ler só as manchetes?, disse Bilal Rashid, 36 anos, enquanto olhava uma banca de jornal. Como muitos bagdalis, ele prefere passar de 20 a 30 minutos vendo as capas dos jornais em vez de gastar seu dinheiro para comprar um.

Rashid notou que muitos jornalistas, agora trabalhando para jornais independentes, trabalhavam para o governo. ?Alguns deles são mentirosos?, afirmou. ?Eles trabalhavam para Saddam?."

 

"Notícias ruins? Os americanos se cansaram delas", copyright O Estado de S. Paulo, 12/08/03

"O público americano se cansou de notícias sérias? Soldados estão morrendo no Iraque quase todo dia; questionamentos continuam a rondar o governo Bush por causa da invasão de março e fuzileiros navais estão parados na costa da Libéria. Em casa, decisões da Suprema Corte estimularam debates sobre ação afirmativa e direitos dos gays; um astro do basquete foi acusado de violência sexual e o governo da Califórnia está por um fio. Ainda assim, os espectadores dos telejornais estão mudando de canal.

A audiência foi menor neste verão do que no de 2001, quando as reportagens mais quentes eram ataques de tubarões e o paradeiro de Chandra A. Levy, estagiária do Congresso encontrada morta um ano depois.

A ABC, por exemplo, teve queda de quase 600 mil espectadores em um ano. ?As pessoas foram submetidas a dois anos de notícias duras e estressantes, do 11 de Setembro até a guerra com o Iraque?, diz Jim Murphy, produtor-executivo do CBS Evening News. ?Elas devem estar dando um tempo.?

Para executivos de emissoras, após a ?overdose? do Iraque, muitos espectadores não consideram as notícias do verão no Hemisfério Norte tão atraentes quanto as do mesmo período de 2002, como o seqüestro e assassinato de Samantha Runnion, de 5 anos, na Califórnia e o resgate de nove trabalhadores de uma mina de carvão na Pensilvânia. ?Nenhuma história atual tem apelo tão emocional?, diz Jack Wakshlag, chefe de pesquisa da CNN. (NYT)"

 

CASO DAVID KELLY

"Kelly foi longe demais, acusa colega de ministério", copyright O Estado de S. Paulo, 12/08/03

"O inquérito sobre o suicídio do cientista britânico e perito em armas biológicas David Kelly foi aberto ontem em Londres com depoimentos em defesa da integridade dele e uma testemunha acusando-o de ter falado demais à imprensa. Um funcionário do Ministério da Defesa, Richard Hatfield, declarou à comissão presidida pelo juiz lorde Brian Hutton que Kelly foi ?longe demais? nas entrevistas ao jornalista Andrew Gilligan, da BBC.

Hatfield disse que o cientista fora autorizado a falar com a imprensa sobre aspectos técnicos de seu trabalho, mas não a discutir informação confidencial ou ?temas politicamente polêmicos?. ?Parece ter realizado dois encontros com Gilligan, por fora do Ministério da Defesa, sem que ninguém soubesse disso. (…). Claramente, ele foi muito além de dar informação técnica.? Hatfield frisou não se tratar de entrega de dados de segurança.

?Minha preocupação se refere à quebra de confiança, sobre como se espera que ele se comportasse em relação a seu empregador e ao governo, já que trabalhava para o governo.?

Kelly, funcionário do Ministério da Defesa, se suicidou no dia 18, depois de ter sido acusado de ser a fonte da BBC em um documentário em que o governo era acusado de ter ?esquentado? as informações de um dossiê sobre o perigo das supostas armas de extermínio iraquianas, para justificar a invasão do Iraque. A BBC exibirá esta semana à comissão a fita com a entrevista de Kelly.

Já o vice-chefe do setor de inteligência do Ministério da Defesa, Martin Howard, afirmou que dois altos funcionários desse órgão ficaram preocupados com o modo como Blair expôs, no dossiê, os dados de inteligência sobre a ameaça iraquiana. Segundo Howard, eles se inquietaram pelo fato de o texto assinalar que os dados de inteligência ?mostravam? em vez de especificar que ?indicavam? ou ?sugeriam? que Saddam Hussein estava determinado a possuir armas de extermínio.

O funcionário do setor de inteligência do gabinete de governo Julian Miller disse que a informação de que Saddam poderia utilizar armas de destruição em massa em um prazo de 45 minutos foi adicionada ao dossiê duas semanas antes de sua divulgação. Num artigo no diário The Mail on Sunday, Gilligan garantiu que esse dado foi inserido no texto pelo diretor de Comunicações de Blair, Alastair Campbell, contrariando os serviços de inteligência.

O primeiro a testemunhar foi o perito em armas Terence Taylor, amigo de Kelly. Taylor destacou o brilhantismo profissional de Kelly e contou ter estado com ele três ou quatro semanas antes de sua morte. Kelly não lhe pareceu deprimido.

Analistas políticos avaliam que a investigação pode prejudicar a imagem de Blair e a reputação da BBC. Esta semana Gilligan e outros jornalistas da TV irão depor. Blair retornará das férias no Caribe para testemunhar. Pesquisa do instituto YouGov, divulgada domingo pelo Mail on Sunday mostrou que 41% dos britânicos culpam o governo pela morte de Kelly e 68% acham que as autoridades foram desonestas no episódio. (Reuters, EFE e Associated Press)"

 

ITÁLIA

"Berlusconi e Murdoch: O Duopólio Televisivo em Itália", copyright Público (www.publico.com.br), 11/08/03

"Junto à catedral gótica de Milão, um enorme poster oferece uma espreitadela ao futuro dos ?media? na Itália de Silvio Berlusconi. Numa das ruas comerciais da capital da moda, o ?outdoor? de 20 metros anuncia o início da época futebolística para a equipa do primeiro-ministro Berlusconi, o AC Milan, campeã europeia e empresa ?irmã? do maior operador privado de TV hertziana no país, a Mediaset.

Impressos na parte de baixo do reclame estão os nomes de dois dos patrocinadores do clube: a Sky Italia, de Rupert Murdoch, o novo distribuidor de TV por satélite do país, à imagem da britânica BSkyB, e o gigante do sector multimédia das telecomunicações italianas, Marco Tronchetti Provera.

?É uma nova era?, disse Carlo Alberto Carnevale-Maffe, professor de estratégia na universidade Bocconi de Milão. ?A Mediaset é o protagonista, sendo Murdoch e Tronchetti Provera os poderes suaves.? O jogador que falta é a TV pública RAI, com 50 anos, único concorrente da Mediaset e tutelada pelo mesmo governo a que preside o propietário da segunda.

A Mediaset e a RAI, com três canais cada, repartem entre si uma Itália faminta de televisão, segurando 95 por cento dos espectadores. E Berlusconi é tido como a figura que, efectivamente, comanda ambas: uma através do seu cargo político e a outra por meio dos negócios da família através da Fininvest. Uma observação que o primeiro-ministro italiano desmente.

Tronchetti Provera com dois canais minoritários, embora operador de telecomunicações dominante em Itália, e a recém-nascida, Sky Italia, criada a partir da fusão dos operadores de TV paga Stream e Telepiu, são dois intervenientes menores.

Mas analistas têm avisado que uma controversa nova lei sobre ?media? pode dar a volta a toda esta situação muito rapidamente. A medida trouxe para as ruas milhares de manifestantes, crentes de que a nova lei vai aprofundar o conflito entre os interesses políticos e de negócio do primeiro-ministro.

Elaborada pelo ministro das Comunicações Maurizio Gasparri, a proposta liberaliza a propriedade de meios de comunicação social em Itália e altera as condições de concorrência: enquanto antes uma mesma empresa podia controlar até 30 por cento do mercado publicitário exclusivamente televisivo, agora uma só sociedade pode dominar até 20 por cento da totalidade do mercado publicitário de todos os ?media?. A lei, ainda não formalmente aprovada, prevê para 2009 o fim da proibição de uma empresa de TV possuir também um jornal e põe em marcha a privatização da RAI, que poderá suceder no próximo ano.

Ora, vários analistas consideram que a Mediaset irá utilizar a lei, que pode entrar em vigor ainda este ano, para aumentar a qualidade e o número de canais, dominando ainda mais telespectadores. E acham que o império de telecomunicações de Tronchetti irá explorar as ligações entre as telecomunicações e os ?media? à medida que a interactividade for tendo mais penetração. A Sky Italia, por seu turno prepara-se para solidificar o seu monopólio de TV paga, enquanto Murdoch deverá usar a liberdade de propriedade para entrar noutros sectores dos ?media?, como a imprensa. A endividada e politicamente dividida RAI, que este ano perdeu a liderança do ?share? para a Mediaset, terá muitas dificuldades em competir, sustentam.

Mas o ?big bang? do mercado mediático italiano não pode ser adiado eternamente, defendem os analistas. Vários consideram que um triunvirato nos ?media? só poderá constituir um cenário de curto prazo antes que os envolvidos, todos com o objectivo de vencer, comecem a tentar conquistar as quotas de mercado uns dos outros.

Um especialista consultado pela Reuters sublinhou que a Sky tem a expectativa de obter cinco milhões de subscritores em 2008, o que mataria as receitas da Mediaset. Outra possibilidade é que a ruptura do ?status quo? surja directamente do homem que está no centro de tudo. ?O conhecido conflito de interesses de Berlusconi é mais prejudicial do que benéfico para a Mediaset e a RAI?, comentou Fernando Napolitano, responsável das operações em Itália da Booz Allen Hamilton. ?Nenhum jornalista quer ser chamado de mordomo do Berlusconi?."

 

"Privatização da RAI Só para Alguns", copyright Público (www.publico.pt), 11/08/03

"?A RAI tem um passado muito sólido, tem sido uma presença nos lares italianos ao longo dos últimos 50 anos, tem uma forte equipa de jornalistas e é uma referência de qualidade. Mas é dominada pela política e, portanto, incapaz de ter uma estratégia a longo prazo?, disse à Reuters Riccardo Monti, responsável pela empresa de consultoria Value Partners, sediada em Milão.

Por outro lado, um porta-voz da TV pública italiana afirmou que a estação está pronta para a transição para o digital – que deverá chegar aos 50 por cento no próximo ano e aos 75 por cento em 2005. Antonio Pilati, director da associação para a garantia da informação, afirmou que a migração para o digital é necessária

para que a RAI multiplique os seus canais, combatendo assim a ameaça de Murdoch, e permitir-lhe retomar a posição de televisão líder no mercado italiano. Mas muitos observadores dizem que a privatização está destinada a cortar-lhe as pernas. Segundo a lei em processo de aprovação (e sobre a qual o presidente Carlo Azeglio Ciampi exprimiu preocupação), a RAI deverá ficar sob controlo do Estado com outros accionistas limitados a possuir um por cento das acções – o que irá favorecer a participação de pessoas com interesses políticos e muito dinheiro: a família Agnelli, que controla a Fiat, Roberto Colaninno ou Tronchetti Provera.

?Não há muita esperança de que surjam novos intervenientes?, disse Monti, para quem um novo ?jogador? só poderá surgir se apresentar mil milhões de euros para adquirir entre seis e sete por cento do mercado digital alargado, que deverá chegar aos 10 canais no próximo ano."

 

INTERNET / EUA

"Presidente blogueiro?", copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 11/08/03

"Há um mês, o advogado norte-americano Larry Lessig saiu de férias e, para substituí-lo em seu blog pessoal durante a ausência, convidou o médico Howard Dean a editar o espaço por uma semana. Lessig é um dos sujeitos mais conhecidos e lidos da blogsfera dos EUA, catedrático da requintada Universidade de Stanford, um dos pensadores mais influentes de nosso tempo quando o assunto é direito autoral. Ele não inventou o guest blogger, blogueiro convidado que substitui o titular na ausência – o hábito tem-se consolidado nos blogs de grande leitura no mundo. Só que o convidado de Lessig é candidato à presidência dos Estados Unidos.

E não é qualquer candidato. Em todas as pesquisas, e cada vez mais, aparece como um dos três favoritos para a indicação do Partido Democrata – e deles, o que está em ascensão. O nome definitivo só vai sair depois de cada estado realizar suas primárias, no iniciozinho do ano que vem. O vencedor concorre contra George W. Bush. Se acontecer de ser Dean – e se ganhar – os EUA terão um presidente blogueiro.

Seria uma mudança e tanto. Bush, o filho, ainda há de entrar para a história como o presidente que – entre outras tantas coisas – proibiu o uso de email na alta cúpula do Executivo por temer vazamentos, voluntários ou involuntários.

O desembaraço no uso da Internet pela parte de Dean não passou despercebido. Não há memória de quando foi a última vez em que, tão longe da campanha, os dois semanários norte-americanos, Time e Newsweek, puseram em suas capas um mesmo pré-candidato à Casa Branca. Esta semana, aconteceu, e lá estava o ex-governador do minúsculo estado de Vermont, Howard Dean.

?Eu gostaria de dizer que fui esperto e percebi essa coisa da Internet muito antes de todos?, explicou à Newsweek. ?Mas a verdade é que foi a comunidade da Internet que me procurou.? A comunidade procurou todos os candidatos – apenas um prestou atenção. O resultado conta-se em números que a Time fornece: entre abril e junho, sua campanha recebeu um total de 7,6 milhões de dólares, tudo em micro-doações feitas online por gente que ou lê seu blog de campanha (no qual tanto ele quanto seus assessores escrevem), ou leu sua participação em outros blogs, como o de Larry Lessig. No mesmo período, contando com a ajuda de gente endinheirada, o senador Joe Libberman, que foi vice de Al Gore na eleição passada, arrecadou 5 milhões.

E a campanha eletrônica é muito, muito esperta. Veja-se um caso: há duas semanas, o vice-presidente Dick Cheney voou para a Carolina do Sul onde almoçou com republicanos ricos, cada convidado tendo pago 2.000 dólares pelo ingresso. Quando saiu a história, Dean posou para uma foto almoçando um sanduíche de três dólares de frente para o computador. A foto foi publicada apenas no blog. Cheney deixou o almoço com 300.000 dólares; Dean fechou o dia com 500.000 dólares.

O que as reportagens publicadas no rastro da perplexidade pela campanha heterodoxa não contam é de onde veio este encontro entre blogueiros e candidatos: Howard Dean é fruto da Guerra do Iraque. Mas não apenas porque ele foi contra a guerra e porque representa a oposição a Bush.

Quem foi contra a guerra nos EUA não encontrou muito consolo na imprensa escrita, quanto mais na televisiva. O mesmo não se deu na Inglaterra, onde jornais e tevês foram agressivos na cobertura, mas mesmo órgãos como o New York Times, que publicou editorial contra no início, pegaram leve e omitiram muita informação. O resultado é que o público de oposição foi municiar-se na Internet.

Foram blogs como o Agonist ou o Daily Kos que cruzaram informação, fuçaram a imprensa mundial e costuraram uma história mais compreensível e coerente do que a publicada em tinta no papel. Quando terminou o conflito, alguns dos blogueiros partiram de presto para a cobertura da política interna. Curiosamente a maioria dessa gente, blogueiros e seus leitores, apoiavam outro democrata: John Kerry. Foi o caso, principalmente, de Markos Zúniga, veterano da Guerra do Golfo e editor do Daily Kos.

Zúniga iniciou, no blog, uma discreta campanha de arrecadação de fundos para o Partido Democrata. Algum dinheiro veio. Kerry, que o blogueiro apoiava declaradamente, esnobou a ajuda. A equipe de Dean, não. Disparou um email para o veterano e técnico convidando-o para consultoria técnica. No vácuo provocado pelo fim da guerra, o ex-governador do pequeno estado nortista ocupou na Internet o espaço onde estão os descontentes. Resultado: 7,6 milhões de dólares em três meses. Imagine-se quando a campanha esquentar.

Podem acontecer muitas coisas. Dean foi moderado quando governador durante seus dois mandatos e meio (no primeiro, assumiu-o quando era vice e o titular morreu). Enquanto que seus apoiadores na Internet tendem à franca esquerda. Se ele mantiver o discurso que sempre teve, pode frustrá-los e perder a horda eletrônica. Mas se reiventar-se como candidato de esquerda e, nas ondas da Internet e do dinheiro que levantar nela, chegar à indicação pode ser pior. Candidatos de esquerda tendem a perder feio nos EUA.

Ou pode não acontecer nada disso – Howard Dean tem pouca experiência política: foi deputado estadual uma vez e o exercício do governo num estado rico, minúsculo e parcamente povoado o transforma numa incógnita. Pode sair-se um daqueles políticos que deslizam com facilidade de quaisquer compromissos ideológicos e, neste tipo de habilidade, driblar elegantemente o atual presidente.

Por enquanto, ele é surpreendente: um candidato blogueiro que pode-se transformar no primeiro chefe de Estado blogueiro do mundo. Uma parcela do público está adorando este tipo de contato."

 

WIENER ZEITUNG, 300 ANOS

"Jornal pioneiro completa 300 anos", copyright Jornal do Brasil, 10/08/03

"O jornal estatal austríaco Wiener Zeitung (Periódico Vienense), o mais antigo do mundo em circulação, completou 300 anos na sexta-feira. Fundado pelo empresário Johann Baptist Schoenwetter, o jornal foi publicado pela primeira vez em 8 de agosto de 1703, sob o nome barroco de Wiennerisches Diarium.

Em sua etapa inicial, o periódico era publicado apenas duas vezes por semana, nas quartas-feiras e nos sábados, quando funcionava o serviço dos correios, responsável por sua distribuição. O primeiro número do Diarium, que mudou seu nome para Wiener Zeitung em 1780, foi editado por dois redatores. A tiragem da publicação de oito páginas, que tinha como lema inicial ?informar sobre curiosidades da vida cotidiana?, era de 800 exemplares.

Em 1721, o jornal passara para as mãos da família Van Ghelen, que manteve a estreita vinculação do periódico à administração pública.

Nessa época, além de notícias internacionais e locais, o Diarium publicava anúncios oficiais do Estado e era o único autorizado a veicular anúncios publicitários.

A cobertura do jornal se baseava na política externa, sobretudo em informações a respeito das diferentes guerras que se espalhavam por toda a Europa.

O Wiener Zeitung foi, por exemplo, o primeiro meio de comunicação a, em 1764, informar sobre a existência de um gênio da música de apenas 8 anos, Wolfgang Amadeus Mozart.

Em 1813, pouco depois da retirada das tropas de Napoleão, o Wiener Zeitung finalmente se tornou um jornal de circulação diária. Entre 1870 e o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o jornal gozou de uma excelente reputação, não tanto por sua informação política, mas por sua cobertura sobre a rica vida cultural de Viena, capital de um império com 45 milhões de habitantes.

Com a derrubada do Império austro-húngaro em 1918, o jornal sofre com a situação econômica e sobrevive até seu fechamento temporário, imposto pelas autoridades nazistas durante a anexação da Áustria pela Alemanha, em 1938.

O Wiener Zeitung ressuscitou das cinzas em setembro de 1945 e permaneceu nas mãos do novo Estado austríaco até 1998, quando foi transformado em uma sociedade de responsabilidade limitada, também de propriedade do Estado.

Hoje, o Zeitung é um jornal moderno com uma edição digital e um site na internet. Emprega 40 jornalistas e tem uma tiragem de 25 mil exemplares entre segunda e quinta-feira, número que sobe para 45 mil exemplares em sua edição do fim de semana."

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