Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > "ESTOU PARA MORRER. PODEM PUBLICAR"

Folha Online

Por lgarcia em 20/01/2001 na edição 105

“ESTOU PARA MORRER. PODEM PUBLICAR”

"Tratamento de Covas ainda não está definido", copyright Folha Online (www.folha.com.br), 16/01/01

"O governador de São Paulo, Mário Covas, teve hoje dificuldades em andar após o término da reunião do PED (Programa Estadual de Desestatização), no Palácio dos Bandeirantes, e precisou deixar a sala em uma cadeira de rodas.

Covas ficou irritado com os jornalistas que o esperavam do lado de fora da sala de reuniões e, com ironia, disse aos repórteres: ‘Vou morrer. Pode publicar no jornal’. Ontem, a equipe médica do governador disse que foram descobertas células cancerosas no sistema nervoso de Mário Covas.

O médico particular do governador, David Uip, afirmou que não determinou que ele se afaste do cargo e disse que essa vai ser uma decisão pessoal do governador. Os médicos devem definir em duas semanas o tratamento terapêutico pelo qual Covas deve passar.

Trabalho

O vice-governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou hoje que o governador Mário Covas (PSDB) não cogita afastar-se do cargo em razão de seu estado de saúde.

Ontem, a equipe médica de Covas confirmou que ele tem câncer na meninge.

‘O governador é um guerreiro e um exemplo. Ele nos dá permanentemente lições de vida e está trabalhando normalmente’, disse Alckmin, após a abertura da Couromoda (Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro), no Anhembi, zona norte de São Paulo.

Quando questionado se o governador cogitaria o afastamento, Alckmin respondeu: ‘Não há nenhuma razão para ele se afastar. Ele não cogita e não há nenhuma razão para isso ser cogitado.’

Alckmin afirmou ainda que representará Covas em alguns eventos externos, quando o governador estiver ocupado fazendo exames, por exemplo."

"Câncer atinge meninge de Covas", copyright O Globo, 16/01/01

"A equipe médica que atende o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), anunciou ontem que ele tem câncer na meninge (membrana que envolve o cérebro e a medula). O fato confirma que, aos 70 anos, o governador está com metástase, ou seja, o câncer está se espalhando pelo seu organismo. Perguntado sobre a expectativa de vida de Covas, seu médico particular, David Uip, disse que ‘é uma atrocidade’ tratar do assunto agora. Os médicos não decidiram qual tratamento vão tentar.

– Na medida em que o câncer, que parecia curado há dois anos, reaparece agora, as perspectivas são piores do que as anteriores – afirmou o oncologista Ricardo Brentani.

– Não acho razoável discutir sobrevida. Temos que discutir medidas terapêuticas. Não dá para falar de expectativa de vida antes disso – completou Uip.

Apesar da gravidade da doença, os médicos não recomendaram que Covas se licencie. Segundo a assessoria de imprensa do governo, Covas continuará no cargo até que um fato novo o impeça de trabalhar.

O próprio governador tem dito a seus assessores que não quer deixar o cargo. Mesmo doente, ele tem participado de atividades do governo praticamente todos os dias. Além de continuar ativo na administração, Covas não deixou a política de lado. Sempre que é perguntado, defende a antecipação da escolha do candidato do PSDB à Presidência da República. E cita o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), como o melhor nome para a sucessão.

Tratamento ainda vai ser discutido

O câncer na meninge foi identificado por meio de exames feitos sexta-feira no Instituto do Coração (Incor). Boletim do hospital informa que o exame do liquor (líquido que banha a meninge) demonstrou a presença de células cancerosas.

O exame de ressonância magnética, porém, não identificou tumores no corpo do governador. A hipótese de que eles existam não foi afastada, uma vez que os chamados exames de imagem captam apenas tumores com mais de três milímetros.

O oncologista Brentani não quis adiantar qual seriam os possíveis tratamentos para o câncer, mas quimioterapia e radioterapia são os procedimentos mais comuns nesses casos. O que mais preocupa os médicos é que o governador não tem condições físicas para passar por esses tratamentos, que têm efeitos colaterais graves para o paciente. Ontem, o infectologista Uip afirmou que a decisão sobre a continuação do tratamento vai depender de Covas.

– Eu disse ao governador que, agora, só volto ao palácio quando ele me chamar. A pessoa precisa de um tempo para absorver a notícia, pensar e tomar uma decisão.

Remédios não entram na meninge

Uma das decisões tomadas ontem, porém, é o fim do tratamento de imunoterapia com anticorpos sintetizados num laboratório alemão.

– O remédio usado na imunoterapia não consegue entrar na medula ou na meninge, logo, não combateria as células cancerosas descobertas agora – explicou Brentani.

Médicos ouvidos pelo GLOBO afirmaram que a cura para o câncer que atinge a meninge, conhecido como meningite carcinomatosa, ainda é inviável para a medicina. Segundo o diretor-executivo do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês, Antonio Carlos Buzaid, as conseqüências da doença podem ser a perda das funções neurológicas (movimentação, fala e agilidade de raciocínio). Mas, graças à capacidade de resistência que Covas tem demonstrado, os sintomas podem demorar a surgir, segundo Buzaid.

– Esse tipo de tumor é o mais complicado para tratamento. A questão é prolongar a vida do paciente. Como o governador é um homem de muita garra, as chances aumentam muito – disse Buzaid."

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