Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Por lgarcia em 31/10/2001 na edição 145

IRÃ

Desde os atentados nos EUA, cada vez mais iranianos começaram a assistir a canais de oposição transmitidos por satélite, que se esforçam para aumentar o apoio popular aos movimentos de reforma ou mesmo de derrubada do governo religioso do Irã. Embora antenas parabólicas tenham sido proibidas no país, elas podem ser encontradas em grandes cidades e vilarejos. Relata Nazila Fathi [The New York Times, 25/10/01] que, segundo um comerciante, as vendas aumentaram de uma antena por dia para seis, após 11 de setembro. As autoridades começaram a reforçar a proibição, tentando evitar que canais como Pars TV e NITV, transmitidos de Los Angeles, intensifiquem sua campanha por um governo secular.

Com medo de que a guerra e os refugiados se espalhem pelo país, os iranianos vêem os canais de oposição como fonte de informação mais precisa do que a mídia estatal. Mahmoud Shamsolvaezin, jornalista independente, acredita que os canais estrangeiros podem "direcionar a sociedade para a tensão que a mídia doméstica não consegue resolver de forma aceitável".

As estações se aproveitam de situações que atraem os telespectadores, como os jogos da seleção de futebol nacional. Antes de uma partida classificatória para a Copa do Mundo, Zia Atabay, proprietário da NITV, fez apelo emocional aos espectadores: "Saiam às ruas e deixem a instituição religiosa da Idade Média ouvir sua voz pela liberdade". Quando o time perdeu, Atabay declarou que ele havia sido instruído a perder. Naquele domingo, milhares de jovens invadiram as ruas de Teerã, em 54 bairros diferentes: 32 bancos foram atacados, muitas lojas, saqueadas e 700 pessoas, presas.

TAJIQUISTÃO

A julgar pelo tratamento dado pela mídia local, a campanha americana é apenas um fraco rumor para a população do Tajiquistão, país vizinho do Afeganistão. Como a maioria dos meios de comunicação é controlada pelo Estado, concentram sua cobertura nas façanhas da Aliança do Norte, na qual os tajiques têm papel importante. Não mencionam as mortes ou as tentativas da população civil de fugir dos bombardeios.

O canal russo RTR, disponível no país, é uma alternativa à estatal local TVT, por oferecer cobertura mais ampla, embora siga a política do Kremlin; o independente TV-6, também da Rússia, só é transmitido para poucas casas por algumas horas da noite. A mídia impressa quase não existe no Tajiquistão: os jornais fecharam por razões financeiras em 1994, durante a guerra civil, restando uns poucos semanários de conteúdo escasso.

Ainda assim, Abdufatokh Varridov, editor da revista Vremya Dengi, acha que a situação melhorou: "Ainda há assuntos, como a guerra ou a corrupção, de que jornalistas têm medo de escrever. Mas eles estão aprendendo. Há três anos era impossível escrever sobre assuntos econômicos." A revista é uma das seis de propriedade do magnata independente ? e ex-jornalista ? Akbar Sartarov.

Nur Tabarov, conhecido escritor e jornalista do país, acredita que o grande problema da mídia é que a informação no Tajiquistão é ainda tratada como na época em que este era controlado por Moscou. "Não se exige, por lei, dos funcionários do Estado que informem ações governamentais, o que permite todo tipo de abuso e desinformação." As informações são da Agence France Press (24/10/01).

    
    
                     

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