Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Fotógrafa morreu espancada no Irã

Por lgarcia em 22/07/2003 na edição 234

VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

Poucos dias após o anúncio da morte da repórter fotográfica Zahra Kazemi, de nacionalidade canadense e iraniana, foram divulgados os detalhes. Já se intuía que Zahra, de 54 anos, havia morrido em decorrência de agressões praticadas pela polícia do Irã. Isso foi confirmado dias depois pelo vice-presidente iraniano Mohammad Ali Abtahi, um reformista, que, citando o relatório do ministro da saúde, afirmou que ela sofrera "hemorragia cerebral causada por espancamento."

Abtahi, aliado do presidente reformista Mohammad Khatami, disse ainda que a morte de Zahra está ligada à onda de prisões levada a cabo pelo regime de linha-duras, na tentativa de abafar a campanha pró-reformista. "Testemunhamos um ataque amplo", afirmou, referindo-se à série de detenções de dissidentes e jornalistas.

Zahra foi presa em 23 de junho, acusada de espionagem por fotografar manifestantes que cercavam a prisão de Evin, no norte de Teerã, exigindo a libertação de parentes presos durante os recentes protestos estudantis contra o regime. Três dias depois, de acordo com a AFP [16/7/03], ela foi transferida para o hospital Baghiatollah Azam, onde morreu. No início, as autoridades disseram que Zahra ficou doente enquanto agentes do Ministério da Inteligência ? uma instituição dirigida por linha-duras ? a interrogavam.

As revelações explosivas de Abtahi foram negadas pelo governo iraniano. No início, o Irã permitiu que o Canadá conduzisse sua própria investigação. Agora, de acordo com Angus McDowall [The Independent, 17/7], o Irã se recusa a deixar que o Canadá faça sua própria investigação.

Stephan Hachemi, filho de Zahra de 26 anos, disse que sua mãe foi torturada e espancada até a morte quando estava sob custódia, e exige que seu corpo retorne ao Canadá para uma autópsia independente. Autoridades conservadoras iranianas, no entanto, disseram que a jornalista, que entrou no país com passaporte iraniano, seria enterrada lá. O presidente Khatami está tentando impedir que o enterro ocorra no Irã.

Ela morava oficialmente no Canadá e estava no Irã a trabalho. John Manley, vice-primeiro-ministro canadense, também pediu o retorno do corpo. "A questão é séria e será discutida com autoridades iranianas", disse.

Segundo informações da Reuters [16/7], Khatami designou quatro ministros para investigar a morte da jornalista. Com isso, o incidente ganha espectro de conflito político. Jornalistas do país têm afirmando que a intervenção do presidente renovou esperanças de que políticos reformistas no poder lutem por seus direitos. "A imprensa se sentirá mais forte com essa convicção", disse Shirzad Bozorghmehr, editor do Iran News, diário reformista de língua inglesa. "Mas dada a atmosfera das últimas semanas, eles ainda não entraram [em campanha] como fariam em outras circunstâncias."

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