Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > MURDOCH CONTRA-ATACA

Fox News na dianteira

Por lgarcia em 28/02/2001 na edição 110

MONITOR DA IMPRENSA

MURDOCH CONTRA-ATACA

Algumas pessoas acham que a TV a cabo de jornalismo Fox News está prestes a fazer o mesmo tipo de revolução que a CNN empreendeu 10 anos atrás, alterando hábitos e a presunção de por que e como vemos notícias na TV. A emissora, do conservador tubarão da mídia Rupert Murdock, vem destruindo as concorrentes, afirma Michael Wolff, em sua coluna da revista New York [23/2/01].

Numa série de eventos, começando pela convenção republicana em julho, passando pela fase crítica da apuração dos votos na Flórida e terminando com o dia da posse, a Fox bateu tanto a MSNBC quanto a CNN. Todos esses eventos tinham foco republicano. E este é o temor: numa era republicana, os republicanos monopolizarão suas notícias. E a Fox também. Os aparelhos de TV da Casa Branca, que na era Clinton estavam permanentemente ligados na CNN, agora sintonizam a Fox [ver remissão abaixo].

É uma grande transformação no modo de ver notícias, acredita Wolff: notícias republicanas versus notícias democratas. Ou seja: a notícia é válida não tanto pelo fato em si, mas por nosso engajamento com o fato. Queremos nossa própria visão.

É o jeito europeu. Cada jornal tem seu engajamento: há as notícias de centro-esquerda, as dos novos comunistas, dos comunistas linha-dura, dos democratas cristãos, dos neofascistas – ao estilo do século 19. Cada jornal é o jornal de um partido.

Outro modo de ver é o oposto: o desinteresse da audiência pelas notícias orientadas por Washington. Enquanto CNN, MSNBC e as grandes redes são vítimas desse desinteresse, a Fox é sua beneficiária. A menos que o crescimento da audiência da Fox represente uma tendência ideológica nova na América, parece que este novo público que notícias sobre política.

As grandes redes, a CNN e a MSNBC continuam com sua tradição de distanciamento. E isso pode ser uma desvantagem comercial. Como falta um engajamento emocional entre programação e receptor, o público, que sempre exige mais e mais estímulos – caros estímulos – para permanecer ligado pode ser atraído pelos engajados.

Mas o futuro não sorri tanto assim para a Fox, conclui Wolff. O problema é que se o governo Clinton, com seus escândalos, dava muito assunto para a mídia conservadora levar ao público conservador, o governo Bush, com sua calculada ou inerente brandura, com sua aversão ao conflito, seu desengajamento, faz a política menos interessante ainda.


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