Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNALISMO ECONÔMICO

Fracasso por complacência

Por lgarcia em 15/01/2003 na edição 207

JORNALISMO ECONÔMICO

O ano de 2002 talvez seja lembrado como o ano em que ficaram visíveis as falhas de administração de corporações como Enron e WorldCom. Mas, ao falar dessa era, será preciso também levar em consideração o quanto falhou a business press, afirma James Ledbetter [New York Times, 2/1/03]. A observação vem de um insider: Ledbetter trabalhou para a Industry Standard, uma das publicações mais bem-sucedidas que acompanharam a explosão da mídia de negócios no fim dos anos 90, ao lado de Business 2.0, Red Herring e CNBC, então o canal a cabo mais lucrativo dos EUA.

Tantos veículos, em vez de expor as práticas administrativas duvidosas e questionar a contabilidade das corporações, muitas vezes agiram como animadas líderes de torcida. Um dos problemas apontados pelo jornalista é o fato de os bilhões investidos nas companhias de internet virem de firmas de Wall Street, procuradas pela imprensa em busca de uma análise informada já que eram umas das poucas a acompanhar a indústria de perto. "Hoje está claro que eu e outros estávamos errados ao confiar demais em fontes que tinham tanto em jogo", admite Lebdbetter, que teve a experiência de entrevistar uma fonte elogiando a fusão de duas firmas de internet e constatar que pouco depois ela se livrou de todas as ações da empresa em questão.

A falta de independência estava na própria fórmula dessa imprensa: a Industry Standard, lançada em 1998, tinha a mesma mentalidade das companhias que cobria. Em conferências, a equipe da revista se misturava aos executivos de empresas que simultaneamente anunciavam no veículo, patrocinavam seções do sítio de internet, eram fontes de matérias e vendiam softwares à redação.

Não é certo culpar a mídia sozinha pelo colapso dessas companhias, acredita Ledbetter, já que um repórter pouco poderia descobrir se elas realmente quisessem enganar investidores e tivessem ajuda de prestigiadas firmas de contabilidade (o que de fato ocorreu). Ainda assim, "em momentos de ceticismo, temo que o crescimento de qualquer setor do mercado americano trará consigo uma imprensa para lhe servir que é no mínimo complacente, se não abertamente entusiasta".

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