Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > THE WASHINGTON POST

Fraudes jornalísticas

Por lgarcia em 27/05/2003 na edição 226

THE WASHINGTON POST

"Quando um jornal respeitável mente, envenena toda a comunidade (…) A mentira ? o evento fabricado, a citação inventada, a fonte fictícia ? é o pesadelo de toda redação. É intolerável não apenas porque desacredita a publicação, mas porque rebaixa a comunicação e a democracia."

O trecho acima não diz respeito às fraudes cometidas por Jayson Blair no New York Times. É parte de um editorial do jornal publicado há 22 anos (em 17/4/81), comentando a descoberta de que a jornalista do Washington Post Janet Cooke (então com 26 anos) inventara a história do garoto de 8 anos viciado em drogas e, com a "reportagem", ganhara o Prêmio Pulitzer.

A investigação da matéria da Janet foi feita pelo então ombudsman da casa, Bill Green. Isso não é uma indireta ao Times para que nomeie um ouvidor dos leitores, diz o ombudsman Michael Getler, em sua coluna de 18/5/03. Ele critica o jornal, no entanto, por não ter se esforçado para esclarecer certos pontos. O Times não nomeou, por exemplo, os "administradores da redação" que receberam o alerta do editor de Cidade sobre Blair, nem refletiu sobre a decisão destes de não repassar a informação para a diretoria. Além disso, deixou de responder a certas dúvidas: por que ninguém desconfiou dos furos de Blair quando estes não puderam ser confirmados? Por que os editores não insistiram e pediram ao repórter que revelasse suas fontes?

Para o ombudsman, a citação "mais interessante" na cobertura das trapaças do jornalista foi a do publisher Arthur Sulzberger Jr.: "Quem fez tudo isso foi Jayson Blair. Não vamos começar a demonizar nossos executivos ? editores, editor-executivo ou publisher". Getler acha que a frase foi infeliz ? não há certamente necessidade de "demonizá-los", mas os editores são os que efetivamente decidem o que vai ser publicado, conferem fontes e orientam repórteres. "São eles que assumem as obrigações do jornal diante do público e têm o dever de falar por ele e protegê-lo internamente. Não deveriam ser tirados de campo quando as coisas dão errado."

Apesar de se dizer admirador do New York Times, Getler acredita que o jornal nova-iorquino tende a ser excessivamente orgulhoso e arrogante: ao declarar a correção das matérias, o editor Howell Raines falou do jornal como uma "instituição nacional insubstituível". E observa: o Washington Post "também aprendeu muito, e mudou muito, após o caso Janet Cooke".

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