Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Freelancer também é gente

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

PERIGO

A morte do videorrepórter freelancer inglês Roddy Scott, de 28 anos, na Chechênia, acendeu discussão sobre o grau de segurança que emissoras proporcionam aos jornalistas em áreas de conflito. Scott trabalhava para a produtora londrina Frontline ? a mesma para que trabalhava o primeiro câmera a entrar na Cabul libertada do Talibã -, e caiu durante confronto em que morreram 12 soldados russos e até 80 rebeldes chechenos, segundo

Chris Cramer, presidente da CNN International Networks, criticou os órgãos de imprensa: "Algumas organizações são extremamente balbuciantes quando se trata de segurança. O treinamento é caro, exige recursos pesados, mas é essencial". Muitos veículos têm contratado freelancers como forma de contornar o custo do treinamento, eximindo-se da responsabilidade pelo jornalista. BBC, Reuters e CNN não enviam pessoal próprio a pontos de conflito. Segundo Cramer, na CCN eles são tratados como se fossem da equipe. "Não vemos o freelancer como aquele que pode fazer o trabalho sujo por nós".

Repórteres e câmeras que trabalham em situações de perigo não vêem essa "terceirização" com bons olhos. "Há autônomos dispostos a enfrentar todos os riscos e gastar meses atrás de uma história", disse um desses profissionais ao jornal britânico Guardian [26/9/02]. Há poucas pessoas como Roddy por aí, e as emissoras deveriam reconhecer que elas estão fazendo trabalho importante e pagar apropriadamente. Ele foi para Chechênia por ? 500 (aproximadamente R$ 2.850 ). Deveriam ser ? 5.000, então talvez poderia ter comprado um colete à prova de balas".

"A Chechênia é quase o topo da lista de lugares perigosos. Os freelancers se expõe. Para começar, o prêmio de seus seguros deveria ser proibitivamente alto", disse Jim Condon, do AKE Group, empresa que dá cursos de preparo para jornalistas enfrentarem ambientes hostis. "Mesmo assim, não recomendaria que fossem". Cramer enfatizou que veículos de imprensa "que não estão preparadas para equipar seus funcionários para trabalharem em zonas de guerra não deveriam estar no ramo". "Cobrir pontos conturbados é o que fazemos e temos de continuar fazendo", acrescentou.

A BBC, para quem Scott fazia o serviço quando morreu, lamentou a perda do companheiro: "Isso mostra, mais uma vez, que não devemos tomar como pressuposto o trabalho de correspondentes freelancers e os riscos pessoais que correm para ajudar as pessoas a saberem de situações no mundo", comentou um porta-voz.

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