Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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Frias abriu o jogo e o jogo vai mudar

Por Alberto Dines em 30/12/2003 na edição 257

ENTREVISTA-BOMBA NA AOL
Frias abriu o jogo e o jogo vai mudar

Alberto Dines

Um marco: a entrevista do publisher da Folha de S.Paulo Octavio Frias de Oliveira ao AOL Notícias <http://noticias.aol.com.br/especiais/index.adp> altera drasticamente o diálogo governo-imprensa no tocante à possibilidade de uma "operação-socorro" a ser montada no BNDES para ajudar as endividadas empresas de mídia. Isto pelo que Frias disse, pelo que deixou subentendido e, sobretudo, pelas conseqüências.

Está quebrado o pacto de silêncio que envolve a mídia brasileira.

Com meia dúzia de respostas breves e claras, Frias desmanchou a escandalosa unanimidade que diminuía e envergonhava nossa imprensa. Restabeleceu a diversidade, devolveu-lhe o papel questionador e tirou-a da comprometedora penumbra onde escondia crises, problemas e vexames.

A partir deste momento, os estudos e negociações com o BNDES para uma linha de financiamento especial deverão, obrigatoriamente, ajustar-se às realidades explicitadas por um dos mais importantes players do processo:

** O governo precisará refrear seus ímpetos salvacionistas.

** A mídia precisará adotar um comportamento mais transparente…

** …e abdicar de favores especiais.

** O eventual programa de socorro não deverá ser linear e extensivo. Pelo menos a Folha será voz diferenciada.

** Em outras palavras: agora, além deste Observatório, a sociedade brasileira conta com um veículo pesado para exercer o olhar fiscalizador sobre o governo e seu namorico com os meios de comunicação.

** Significa que, além da pretendida linha de financiamento, outras alternativas precisarão ser engendradas e avaliadas para livrar a mídia da penosa situação em que se encontra. Inclusive o aporte de recursos através do mercado de capitais.

A repercussão da entrevista de Frias no Senado [veja remissão abaixo] indica que existe um foro natural para acompanhar a delicada questão e, inclusive, institucionalizar as relações governo-mídia. Este foro é o Poder Legislativo. A FCC americana é subordinada ao Senado, assim também o nosso Conselho de Comunicação Social. É extremamente perigoso confinar acertos entre dois poderes da República (o Executivo e a Imprensa) à esfera administrativa sem o conhecimento e a chancela da sociedade.

A mídia é um setor de interesse nacional. Nisso todos concordam. Mas Octavio Frias de Oliveira demonstrou com sua entrevista que dentro da mídia existe um segmento vital ? a imprensa ? por meio do qual legitima-se o debate e, através dele, encontram-se soluções decentes e justas.

Leia também

A entrevista de Octavio Frias de Oliveira à AOL

As repercussões da entrevista no Senado

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