Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Por lgarcia em 31/10/2001 na edição 145

MÍDIA EM CRISE

"Informação e Poder", Editorial, copyright Folha de S. Paulo, 23/10/01

"Está em curso um processo que muito provavelmente resultará num novo modelo de negócios para os grupos de comunicação do Brasil. Dificuldades de financiamento, aumento de custos e restrição de receitas se combinam com -e dão ensejo a- pressões oligopolistas no setor. Não está ameaçado apenas o ambiente de concorrência na mídia. Está em jogo um dos instrumentos privilegiados de exercício da democracia numa sociedade de massas.

O reduzido espaço para obtenção de financiamento e parcerias torna o ambiente propício à diminuição dos atores nos meios de comunicação. Uma maneira correta e não-paternalista de combater o problema seria permitir a participação minoritária de capital estrangeiro na mídia, como prevê a legislação de países como os Estados Unidos.

Dispositivo semelhante está contido numa proposta de emenda constitucional que aguarda votação na Câmara há um ano. O mais recente impasse teria se dado por uma recusa da oposição em endossar o projeto sem que nele fosse prevista uma agência específica para fusões e aquisições no setor.

De fato, sem melhora substancial na regulação dos negócios de mídia, o financiamento externo poderá converter-se, ele próprio, num vetor de concentração de mercado, privilegiando quem já detenha supremacia econômica. Mas parece inútil criar outra agência reguladora apenas para fusões e aquisições no mercado midiático. O melhor seria que instituições já existentes, como o Cade -que julga duas ações envolvendo práticas de oferta exclusiva de conteúdo pelas Organizações Globo- e a Anatel, fossem mais bem aparelhadas para atuar nesse terreno.

A emenda constitucional do capital estrangeiro não é o fator que mais ameaça a competição na mídia brasileira. O anteprojeto de lei de radiodifusão proposto pelo Ministério das Comunicações preocupa muito mais. Entre outros graves defeitos, ele acaba com os limites que proíbem que uma mesma pessoa acumule um dado número de concessões de TV e não regula o domínio simultâneo de meios de comunicação numa mesma localidade.

O que se espera do ministro Pimenta da Veiga é que altere a linha de sua proposta. É preciso retomar o que foi esboçado no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso: conceber uma legislação para todos os meios de comunicação de massa que limite as ações do poder econômico e que transfira o poder regulatório do Executivo para agências públicas, passíveis de maior controle democrático."

 

Lino Rodrigues e Arnaldo Comin

"?A Gazeta Esportiva? deixará de circular", copyright Valor Econômico, 26/10/01

"A retração nas receitas com publicidade e a queda no volume de vendas colocaram o jornalismo esportivo na marca do pênalti. A primeira vítima foi o tradicional jornal ?A Gazeta Esportiva?. A Fundação Cásper Líbero, responsável pela publicação, confirmou ontem a intenção de descontinuar a versão impressa do produto, passando a sustentar a marca apenas na internet.

O diário ?Lance!? nega dificuldades, mas anunciou o corte de 10% de sua equipe de jornalistas. Segundo po presidente do jornal, Walter de Mattos Jr., houve aumento de circulação e um expressivo incremento na receita publicitária neste ano. ?O que fizemos foi eliminar algumas duplicações para ganhar eficiência?, diz. Mattos explica que a compra da agência Sport Press, no ano passado, agregou mais 30 jornalistas à equipe, com sobreposição de funções.

Fundada há 73 anos, ?A Gazeta Esportiva?, chegou a essa decisão em razão dos prejuízos contínuos. No ano passado, o jornal registrou um rombo de R$ 6 milhões, com previsão de mais R$ 4 milhões de déficit em 2001.

Segundo o superintendente de jornais da Fundação Cásper Líbero, Júlio Deodoro, a ?Gazeta? exigiria investimentos de, pelos menos, R$ 20 milhões em uma gráfica própria, o que é inviável para a Fundação. Como não pode abrir mão do título, em função dos estatutos internos, a entidade resolveu centrar seus esforços no portal ?Gazetaesportiva.net? e na agência de notícias ?Gazeta Press?, encarregada de explorar o maior acervo de fotos e notícias de esportes do Brasil, somando 95 anos de história.

O fechamento do jornal, sem data prevista, não deve provocar demissões entre os 50 jornalistas da casa, garante Deodoro. Os profissionais técnicos serão remanejados para outras áreas da fundação.

Outros jornais de tradição também vem enfrentando dificuldades. Além da ?Gazeta Mercantil?, que encara há mais de uma semana uma greve de jornalistas, motivada por atraso no pagamento de salários e benefícios, e tenta negociar a entrada de um novo investidor, ?O Estado de S. Paulo? também anunciou ajustes no seu quadro de pessoal. O diário está cortando 10% da folha de pagamento na redação, o que atinge cerca de 60 profissionais."

 

Jornal do Brasil

"Globo pode demitir para reduzir custos", copyright Jornal do Brasil, 25/10/01

"A queda na receita publicitária ao longo de 2001 está pesando no caixa da Rede Globo. Em reunião na última sexta-feira, a cúpula da TV teria chegado à conclusão de que serão inevitáveis cortes de pessoal e a extinção de alguns programas até o fim do ano para fazer frente aos ajustes no orçamento.

Segundo a assessoria da Globo, a receita publicitária no primeiro trimestre de 2001 foi 10% menor do que a obtida em igual período do ano passado. No segundo trimestre, a queda foi de 15%. E a expectativa é de que, nos últimos seis meses deste ano, a receita com anúncios continue encolhendo. Assim, a empresa está sendo obrigada a reajustar seu orçamento à atual realidade de seu faturamento. Para compensar, a emissora teria que atingir, até o fim de 2001, corte nos custos entre 15% e 20%.

Demissões – Embora a Globo negue que esteja planejando demissões e afirme que os ajustes que já foram feitos no orçamento no primeiro semestre – em resposta à queda na receita- não tenha levado a cortes na programação ou dispensas de empregados, centenas de funcionários poderão perder seus empregos. A direção da emissora também estaria avaliando se manterá em seus quadros artistas cujos contratos vencem em dezembro, como Angélica e Cazé.

Programas considerados ?pouco rentáveis?, como o ?Altas Horas?, também correm o risco de sair do ar. A lista de medidas para cortar custos incluiria ainda a redução do número de diretores de núcleo (unidades de produção) de 23 para cerca de 10. Apesar da menor receita publicitária, a Globo registrou lucro operacional de US$ 48 milhões no primeiro semestre de 2001. O resultado, porém, seria insuficiente para cobrir os compromissos com juros da dívida da holding Globopar, que é de cerca de US$ 3,3 bilhões. Por isso a TV, antes contrária à abertura das empresas de comunicação ao capital estrangeiro, estaria mudando de posição e fazendo lobby em favor do projeto, que poderia significar uma injeção de US$ 3 bilhões nos cofres da emissora."

    
    
                     
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