Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > CPJ

Funcionários da BBC não podem mais escrever a jornais

Por lgarcia em 02/12/2003 na edição 253

REINO UNIDO

A BBC está decidida a não abrir exceções sobre sua nova regra de proibir que seus repórteres e apresentadores escrevam para jornais como free-lancers, entre os quais se incluem grandes nomes da emissora que ganham boladas com colunas de domingo em outros veículos.

A corporação não planeja um anúncio oficial após o encontro de Cardiff, em 27/11, mas deve tornar pública sua decisão antes da publicação do inquérito Hutton (implantado pelo lorde Hutton para investigar as falhas jornalísticas da BBC que culminaram no suicídio do cientista da biodefesa britânica David Kelly), no começo do ano que vem.

Foi um artigo free-lance do correspondente do programa Today, da BBC, Andrew Gilligan, ao Mail on Sunday que provocou faíscas no inquérito, no qual se apurava as alegações do repórter de que o então diretor de comunicação de Tony Blair, Alastair Campbell, havia “exagerado” trechos de um dossiê sobre armas de destruição em massa no Iraque a fim de torná-lo mais atraente. O artigo escrito por Gilligan foi além da reportagem que fez para o Today, incendiando uma briga entre BBC e governo.

Jornalistas se sentem podados

Pelo menos meia dúzia de apresentadores de renome devem ser atingidos pelas novas regras, entre eles Simpson, que escreve para o Sunday Telegraph, e Humphrys, para o Sunday Times, dois conhecidos apresentadores. Além deles, segundo Lisa O?Carroll e John Plunkett [The Guardian, 27/11/03], a nova regra também atingirá Jeff Randall, que também escreve ao Sunday Telegraph; Rosie Millard, para o Sunday Times; Andrew Marr, para o Daily Telegraph; e Fergal Keane, para o Independent.

O chefe de reportagem da corporação, Richard Sambrook, e outros executivos tiveram reuniões com todos os apresentadores seniores para discutir o assunto. Houve resistência. Os apresentadores disseram não ter feito nada de errado e não entendiam por que suas oportunidades fora da BBC estavam sendo podadas.

Executivos do britânico Daily Telegraph negaram que o diário está para lançar versão tablóide, apesar de admitirem que estão preparados para fazê-lo. Sabe-se que o jornal desenvolveu diversos protótipos, mas os problemas na Hollinger International ? cujo presidente, o lorde canadense Conrad Black, acaba de renunciar ? podem ser empecilho a uma novidade tão radical.

Outro aspecto que analistas vêem como inibidor do lançamento de um Telegraph mais portátil é seu leitorado fiel. Segundo Owen Gibson, do Guardian [26 e 27/11/03], a criação de um formato alternativo poderia não atrair novos leitores como o Times e o Independent; os outros jornais britânicos que já adotaram o formato tablóide esperam que aconteça.

Moda de tablóides

O editor administrativo do Times, George Brock, se disse satisfeito com a edição tablóide recém-lançada na área de Londres, dada a velocidade com que foi introduzida. Diferentemente do Independent, primeiro grande diário inglês a aderir a essa tendência, o jornal não promete reproduzir exatamente o que sai na versão broadsheet (formato tradicional), pois tem mais páginas.

Assim, uma edição com conteúdo integral poderia afetar a portabilidade, principal vantagem da novidade. Nesse caso, “os jornais muito grandes que são produzidos mais para o final da semana poderiam contrariar a idéia de que estamos tentando fazer algo útil a nossos leitores”, explica Brock. Ele acrescenta que não verificou problemas com relação à logística de produção e distribuição de duas publicações em vez de uma.

 

CPJ

O Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) concedeu aos profissionais Samay Hamed, do Afeganistão, Aboubakr Janai, do Marrocos, Musa Muradoz, da Rússia, e Manuel Vasquez Portal, de Cuba, o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa 2003. A instituição afirma que eles sofreram “sérias represálias por se atreverem a trabalhar com independência e autoridade em países em que a dissidência não é tolerada facilmente”.

Hamed, comentarista e editor da revista Telaya, foi atacado por dois homens armados com facas por causa de sua opinião sobre o poder dos líderes tribais em seu país. Jamai foi condenado devido a um artigo em que acusa o ministro das Relações Exteriores marroquino de corrupção e agora apela na justiça para não ser preso. Muradoz publica um jornal independente na Chechênia, sem apoiar nenhum dos lados ? russos ou separatistas ? no conflito que abala a região. Ele teve de fugir a Moscou depois que sua redação foi destruída por uma bomba. Já Portal cumpre pena de 18 anos de prisão por criar uma agência de notícias independente do governo cubano.

Além destes quatro jornalistas, o correspondente estrangeiro chefe do New York Times, John F. Burns, foi agraciado com o Prêmio Memorial Burton Benjamin, por suas realizações ao longo de toda a carreira.

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