Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > reality shows

Futebol de arena

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

QUALIDADE NA TV


NBC

Vince McMahon, empresário responsável pela World Wrestling Federation (WWF – Federação Nacional de Luta Livre), acertou parceria com a NBC, de acordo com Eric Effron [Brill’s Content, 1/2/01] para lidar de forma inusitada com sua novata liga de futebol americano profissional, a XFL, deixando ainda mais tênue a linha entre espetáculo barato e esporte legítimo.

A partir de 3 de fevereiro, as competições estarão mais rápidas e perigosas para iniciantes. Não há a proteção adotada pela Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), que reduz o número de acidentes. Além disso, na XFL, em contraste com a NFL, as populares cheerleaders – líderes de torcida – não são proibidas de sair com jogadores.

Além de envolver o esporte profissional mais popular dos Estados Unidos, a novidade preocupa pela natureza do contrato entre McMahon e a gigante NBC. Não se trata de simples negociação para a NBC televisionar os jogos. A emissora é proprietária conjunta da liga, desembolsando cerca de 50 milhões de dólares para concretizar a liga, com todo o marketing a que tem direito.

Segundo artigo de Caryn James [The New York Times, 5/2/01], a estréia do programa previa uma salada de violência, voyeurismo e até política, o que mostra como o nível mais baixo da cultura televisiva está ganhando respeitabilidade. No entanto, apesar da insistência das câmeras em molestar cheerleaders e dos nomes explosivos dos times, o show da XFL foi surpreendentemente manso. Não houve crânios rachados ou experiências próximas à morte no campo, mesmo com regras feitas para criar um jogo mais brutal.

Os microfones escondidos em todos os cantos – das roupas aos armários do vestiário – não tiveram o efeito desejado. Sem flagras relevantes, o Big Brother dos esportes parece não ter cumprido sua missão. E mais novidades de esportes espetaculares vêm aí. A MTV e a WWF estão trabalhando juntas num reality-show chamado Tough Enough – "Forte o bastante" –, em que homens e mulheres jovens vão a um campo de treinamento de luta livre esperando ganhar um contrato com a WWF.

REALITY SHOW

A nova temporada do reality-show Survivor – série inspiradora do brasileiro No Limite –, passada na Austrália, atingiu números altíssimos de audiência na noite do dia 1o de fevereiro, atraindo cerca de 30 milhões de telespectadores, a maioria jovem.

Acrescidos do grande sucesso de The Mole, da ABC, e de Temptation Island, da Fox, os números de Survivor reforçaram a expectativa de que o gênero se tornará parte dominante da programação do horário nobre em futuro próximo, segundo Bill Carter [The New York Times, 3/2/01].

A NBC foi dona das noites de quinta, o dia mais nobre da semana televisiva, por mais de 15 anos, com os sucessos de The Cosby Show e Seinfeld, e mais recentemente E. R. e Friends. Mas a decisão da CBS de exibir Survivor no horário de Friends pode pôr fim à tradição.

Reality-shows atraem emissoras não apenas pelos altos índices de audiência, mas também pelo baixo custo de produção. Survivor, que não precisa de autores ou estrelas, custa menos de um quarto do preço de cada episódio de Friends – 5 milhões de dólares.

No momento, há quatro reality-shows no ar, incluindo Pop Stars, da Warner, e muitos a caminho, como Love Cruise, da Fox, The Fear Factor, da NBC, Chains of Love, da UPN, e Race around the world, da CBS.

ASPAS

reality shows

"Argentinos vêem auto-retrato na tela", copyright Folha de S. Paulo, 11/02/01

"Nos próximos meses, as emissoras de TV da Argentina apresentarão um pacote com potencial para saturar mesmo o mais ávido dos voyeurs.

Enquanto a Globo veicula desde a semana retrasada a segunda edição de ‘‘No Limite’, três das principais redes argentinas estarão exibindo quatro ‘reality shows’ próprios até o final de abril. O canal 13, pertencente ao grupo Clarín, anuncia dois programas.

A Telefé tem previsto para o início de abril a estréia da versão local do ‘‘Big Brother’ (ou Gran Hermano), que seguirá o formato do original desenvolvido na Holanda e adaptado em 13 países.

Os 12 participantes -a lista de inscritos para a triagem supera os 16 mil- terão de conviver em uma casa completamente isolados (ao menos é isso o que prometem os produtores), sob a vigilância de 29 câmaras e 58 microfones. Todas as noites, a emissora transmitirá um bloco de 30 minutos com os ‘‘melhores momentos do dia’, mais um flash ao vivo. A cada semana, o grupo elegerá dois para abandonarem a disputa. Nos sete dias seguintes caberá ao público, por meio de votação, definir qual dentre eles será de fato eliminado. Ao final de 110 dias, o sobrevivente receberá um prêmio entre US$ 100 mil e US$ 200 mil.

No canal 13 será exibido, a partir de março, o ‘‘Expedição Robinson 2’, baseado no norte-americano ‘‘Survivor’ -de quem a Globo adquiriu direitos para o seu ‘‘No Limite’. O sucesso da primeira versão resultou em 85 mil inscrições para o novo grupo -e agora promete-se agregar eventuais cenas de sexo.

Inesperado, o desfecho do ‘‘Expedição Robinson 1’, em dezembro, levou a revista ‘‘Notícias’, a de maior circulação no país, a afirmar que a ação de um dos competidores ‘‘era a metáfora de uma Argentina possível’.

No último episódio, a estudante de teatro Picki Paino, 21, simplesmente parou de competir quando estava em vantagem na prova que daria lugar na final, depois de observar o desespero de seu concorrente (e possível derrotado), o portuário Adrian Miani, 33.

O prêmio de US$ 100 mil, no entanto, acabaria em mãos de um advogado de 24 anos -que usou parte do dinheiro para comprar um ar-condicionado para os amigos. A heroína não posou nua (como ocorreu com uma das participantes no Brasil), mas foi contratada para fazer aparições em um programa.

O mesmo canal 13 já está exibindo ‘‘Sozinhos em Casa’, que mostra a convivência de um grupo de jovens.

Por sua vez, o canal América prepara também para abril a estréia de ‘‘O Bar’, em que os 12 participantes (seis homens e seis mulheres) terão de conviver entre um apartamento e um bar montado no andar de baixo.

Os membros não poderão sair das dependências e para conseguir o dinheiro para alimentação e demais gastos terão de trabalhar no bar.

Para os produtores, o atrativo do formato, importado da Suécia, é que pessoas comuns poderão se converter em clientes -e eventualmente aparecer nas câmaras-, além de manter contato direto com os participantes.

Serão exibidos episódios diários e também uma vez por semana será eliminado um dos concorrentes, também por voto de público e dos demais adversários. O vencedor receberá US$ 100 mil.

‘Está claro que é uma moda, mas é um grande laboratório em que veremos refletidos os argentinos’, diz Cláudio Villaroel, diretor de programação da Telefé."

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