Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > MERCADO FEMININO

Futuro fora de moda

Por Ainda o troca-troca em 13/06/2001 na edição 125

MERCADO FEMININO

Na terça-feira, dia 29, a editora-chefe da revista Harper?s Bazaar, Katherine Betts, chorou na redação ao anunciar que havia sido demitida. Na sexta-feira seguinte, Bonnie Fuller, editora-chefe da Glamour, abandonou a Condé Nast "a pedido". Enquanto isso, Glenda Bailey, a substituta de Katherine na Bazaar, empacotava suas coisas na Marie Claire. Esse vai-e-vem pode representar uma mudança mais radical no mercado de revistas femininas, disse Alex Kuczynski [The New York Times, 4/6/01].

Glenda não é considerada uma editora com talento especial para o mundo da alta costura e dos grandes estilistas, e é nem conhecida por uma presença "estilosa" em desfiles. A Marie Claire, sua casa desde 1997, sempre falou de moda, mas esse nunca foi seu tema principal. Baseados nisso, editores de revistas e assistentes cochichavam a respeito da decisão da Bazaar, enquanto a futura nova chefe afirmava em entrevistas que não transformaria a revista ? com 134 anos de tradição ? num manual de compras, de vida de celebridades ou saúde. "Tenho paixão por moda, e é isso que a Harper?s Bazaar refletirá", disse.

Os mesmos que temiam o perfil da nova chefe concordaram logo depois que se ela não se prender ao "mandato da moda" poderá levar à revista inovações que representem o que as mulheres querem ler ? Glenda é também conhecida por aumentar vendas e por sua intimidade com o leitor. Para Ingrid Sischy, editora da Interview, uma mudança cultural está em processo já há alguns anos, e as revistas voltadas apenas para moda precisam repensar seu papel no século 21, "precisam olhar para o mundo e as mulheres de hoje". É isso, refletido em número de vendas, que se espera de Glenda na Harper?s Bazaar.

Depois de demitir Lucy Danziger, ex editora-chefe da revista Women?s Sports + Fitness, fechada no ano passado após curta existência de três anos, a Conde Nast Publications acaba de recontratá-la como editora da Self.

Segundo Greg Lindsay [Inside, 6/6/01], Lucy substituirá Cindi Leive, que assumiu a Glamour, depois da demissão de Bonnie Fuller. A nova editora garante que não pretende mudar a fórmula da antecessora na publicação, que já chega aos 22 anos, Sob o comando de Cindy, as vendas da Self aumentaram consideravelmente, ao mesmo tempo em que diversos títulos caiam.

Um nítido exemplo da mudança dos tempos pode ser visto na edição de julho da revista Rosie, da apresentadora de TV Rosie O?Donnell. Um pacote de oito páginas é dedicado à cobertura da doença da atriz e apresentadora, com direito a fotos ? Rosie na banheira, sem maquiagem, e imagens do dedo ferido.

Depois de acidentalmente cortá-lo com uma faca, em abril, Rosie foi submetida a uma cirurgia e pegou uma infecção após a operaç&atiatilde;o. A experiência é compartilhada com os leitores na reportagem, que inclui frases de celebridades sobre esse tipo de infecção e, o mais estranho de tudo, um quizz respondido pela apresentadora e publicado na concorrente The Oprah Magazine.

Para Peter Carlson [The Magazine Reader, 5/6/01], este é um marco na história das revistas, que presencia o nascimento de um novo e autêntico jornalismo de celebridades. Um jornalismo que mostra um lado mais realista e humano, cheio de imperfeições, do mundo dos astros.

A fusão entre America Online e Time Warner, ocorrida há seis meses e formando o maior grupo de entretenimento do mundo, tem colaborado para o fim da cobertura noticiosa de qualidade, afirmaram executivos da indústria no dia 6 de junho. Celebridades pouco pensantes estão ganhando espaço na nova companhia americana. Segundo reportagem da Agence France-Presse (6/6/01), o fenômeno corre o risco de se tornar regra à medida que as publicações buscam expansão em outras plataformas da mídia.

Walter Kiechel, diretor editorial da Harvard Business School Publishing, teme pelo futuro do jornalismo na nova empresa. "De um ponto de vista jornalístico, o fenômeno é meio assustador", disse. "O novo serviço online está pondo no mesmo saco todos os outros elementos da companhia, ao mesmo tempo esfregando uma mensagem da AOL na sua cara", disse. "Há mais serviços disponíveis, mas sempre em detrimento do jornalismo sério. Quando foi a última vez que a AOL publicou algo próximo ao jornalismo sério?"

Para Kiechel, já começou o processo de idiotização de publicações voltadas para a elite cultural. A Time e outros semanários noticiosos "caminham para colocar celebridades nas capas", além de já terem "eliminado totalmente notícias internacionais em suas edições nacionais".

Os comentários de Kiechel foram feitos na reunião de executivos de mídia promovida pela World Association of Newspapers (WAN) em Hong Kong. Gloria Brown Anderson, diretora sênior do New York Times, concordou com Kiechel. "Quando a AOL gasta mais tempo e dinheiro com entretenimento do que com notícias, a situação é preocupante."

O acordo de fusão, avaliado em US$ 120 bilhões, levantou numerosas objeções de críticos alegando controle excessivo sobre a internet e a TV a cabo.

    
    
                     

Mande-nos seu comentário

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem