Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > GLOBO FILMES

Gasto publicitário cresce mais que economia

Por Adriana Mattos em 30/12/2003 na edição 257

MERCADO PUBLICITÁRIO

“Gasto publicitário cresce mais que economia”, copyright Folha de S. Paulo, 28/12/03

“Apesar da desaceleração da economia mundial nos últimos anos, os gastos em publicidade continuaram em alta e devem fechar 2003 com o volume recorde de US$ 327,2 bilhões.

De 1998 a 2003, esse montante tem crescido a uma média anual de 3,63%. Já a economia global, em igual período, se expandiu 2,35%, segundo dados cruzados do relatório ?Trade and Development 2003?, da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e levantamento de agências de publicidade publicados neste mês.

Estima-se que os recursos aplicados mundialmente em mídia terão aumento de 4,7% em 2004 e 4,5% em 2005. No Brasil, as agências de propaganda falam em taxas de 3% a 5% no próximo ano.

Já para o cenário econômico global, o Banco Mundial prevê expansão menor, de 3%, em 2004. Para os EUA, economia de US$ 11 trilhões, a previsão é de 3,4%.

Dados sobre investimentos no setor produtivo no mundo e na mídia mostram a mesma diferença nos ritmos. Enquanto o primeiro cai, o segundo sobe.

O fluxo de investimento direto estrangeiro no mercado mundial deve voltar a cair em 2003. Em 2000, esse volume chegou a US$ 1,393 trilhão (o maior da história) e passou a US$ 824 bilhões em 2001 (queda de 41%). No ano passado, outro retrocesso: US$ 651 bilhões. Para 2003, o volume esperado é de US$ 650 bilhões.

Na outra ponta, o planejamento de gastos em propaganda nas TVs, mídia impressa, outdoors, rádio e internet ganha recursos. Passou de quase US$ 305 bilhões em 1999 para mais de US$ 327 bilhões neste ano e deve chegar a US$ 375,3 bilhões em 2006.

Nem tudo tão bem

Especialistas dizem que os principais conglomerados mundiais travaram seus investimentos produtivos desde 2001, apressaram o processo de terceirização da produção de mercadorias e passaram a torrar dinheiro na estratégia da valorização da própria marca por meio da propaganda.

A retração econômica mundial, que dá sinais de chegar ao fim neste ano, só teria acentuado esse comportamento: as marcas precisavam de propaganda contínua e crescente para que, pelo menos, permanecessem no mesmo lugar.

?Se não investir, é pior?, disse em recente entrevista Sérgio Amado, presidente da Abap, entidade que representa o setor de publicidade no Brasil.

Isso não quer dizer que a mídia mundial, assim como a brasileira, nade em dinheiro. Na América Latina espera-se um aumento de 2,5% nos gastos em publicidade em 2003 e apenas 0,6% em 2004 -a pior previsão para todas as regiões- segundo a agência de serviços em mídia ZenithOptimedia. A empresa opera em 58 países e faz levantamentos anuais.

O que os números mostram é que, se o gasto em mídia sobe quando a economia vai bem, ele tem caído mais lentamente quando tudo vai mal, diz Adam Smith, gerente da ZenithOptimedia.

E não faltaram momentos ruins. As crises se atropelaram após 2000: houve o atentado terrorista em 2001, no mesmo período os consumidores se endividaram além da conta, principalmente nos EUA, e a demanda por mercadorias despencou -fatores que frearam a economia. Levantamento do banco Morgan Stanley mostra que, em 2002, dois entre cada dez países no mundo estavam em recessão.

A questão é: se há sinais de desaquecimento nas vendas, como as empresas mantêm investimentos em mídia e por quê?

O desempenho das economias em diversos países foi desastroso, mas grandes empresas priorizaram, a todo o custo, a manutenção de seus lucros. A demanda em queda, o novo fôlego inflacionário em alguns países, por exemplo, causaram perdas. E exigiram uma política de cortes de custos e aumento na produtividade. Foi dessa conta que surgiram recursos para gastos em propaganda.

?Eu acho que o crescimento da economia no mundo não tem ido nada bem nos últimos tempos, assim como a expansão de investimentos em mídia, que já teve momentos melhores. Mas acontece às vezes de o aumento nos gastos em marketing antecederem a expansão da economia?, diz Smith.”

SEM MÚSICA NA TV

“Falta música na televisão brasileira”, copyright O Estado de S. Paulo, 28/12/03

“É consenso que falta música na TV aberta. O pessoal está percebendo, tanto que até o Ratinho tem transformado seu ringue de baixaria em palco para gente boa da MPB e, ao que tudo indica, está se dando muito bem. Outro dia, Luciana Gimenez também entrou no filão com um show com a nata da música brega: Silvio Brito, Fernando Mendes, Ângelo Máximo, Dudu França, Almir Rogério e Silvinho do hit Ursinho Blau Blau. Sendo assim, é uma tendência que se delineia, afinal o público gosta de música.

Mesmo assim, os musicais são espargidos por programas isolados – do Faustão, Luciano Huck, Adriane Galisteu, Hebe e Gugu – e, de vez em quando, surgem concentrados no intermitente Jovens Tardes.

O Brasil é extremamente musical, por isso é meio estranha a falta de atenção da TV para com essa manifestação artística que já ocupou um bom lote da programação no passado. Por décadas, a Globo manteve em sua grade o Globo de Ouro, uma apresentação obrigatória no Fantástico, além de grandes shows durante a semana.

Em quase todos os canais, havia hits parades, festivais e programas de novos talentos. Esses dois últimos representaram um movimento que revelou a maior parte das estrelas que hoje ainda estão na militância – de Roberto Carlos a Caetano, Gil, Rita Lee e Chico.

Diante dessa rarefação, faz-se necessário prestar atenção em iniciativas que buscam garimpar talentos nas fileiras de anônimos que ganham a vida em bailes, festinhas e bares. Desde julho, o Programa Raul Gil, da Record, vinha preenchendo esse vazio aos sábados com um concurso de calouros que, à medida que avançava, foi se sofisticando.

Na linha do ?essa é sua vida?, na fase final do concurso (no qual venceram uma dupla sertaneja e casal de cantores líricos), cada apresentação era complementada com uma entrevista com o candidato e também com depoimentos de amigos e familiares. Claro que a intenção é provocar uma enxurrada de lágrimas no palco. Mas, tudo bem, o artifício acaba humanizando o show.

Quem reparou no programa teve chance de constatar a riqueza de tipos, vozes e estilos disponível em todo o Brasil. Os candidatos a gravarem uma invenção chamada multiokê (a empresa é patrocinadora do programa) e entrar no casting do empresário Manoel Poladian são artistas acabados. Tão bons, ou até melhores do que muita gente que hoje vive de música.

A breguice do cenário, dos efeitos especiais, da iluminação e da performance do time de jurados – que insiste em desempenhar um papel que já era ultrapassado na época do Chacrinha – acaba sendo compensada pelo que realmente pesa: o Pro
grama Raul Gil é a única porta que se abre ao talento de brasileiros batalhadores.”

TV ASSEMBLÉIA / RJ

“TV para Assembléia do Rio custará R$ 4 milhões”, copyright O Estado de S. Paulo, 28/12/03

“Com apoio do PT, a Assembléia Legislativa fluminense gastará em 2004 cerca de R$ 4 milhões para transmitir, por um canal de televisão a cabo, ao vivo e em programas gravados, as atividades de seus 70 deputados em plenário, comissões permanentes, CPIs e audiências públicas. As transmissões da TV Alerj têm início previsto, de forma experimental, para janeiro, e mobilizarão 30 profissionais – cerca de 20 contratados pela Digilab, que venceu a licitação para tocar a emissora, e no mínimo oito funcionários da Casa, com salários de R$ 3 mil a R$ 7 mil. A operação de fato começará em fevereiro.

Além da projeção que ajudará a dar a parlamentares, em sua maioria desconhecidos fora de seus redutos, a TV Alerj poderá se transformar em arma de controle sobre as Câmaras de Vereadores dos 92 municípios fluminenses, num ano eleitoral. O canal reservado ao Legislativo local deve ser operado pela Assembléia; as câmaras municipais precisam acertar com os deputados estaduais seus horários de transmissão. Um poder que atingirá até a Câmara da capital, que comprou equipamentos no exterior e neste fim de 2003 já tenta, também experimentalmente, colocar no ar suas sessões e atividades.

Criticada por ocorrer em meio à maior crise financeira da história do Rio, a instalação da emissora da Alerj, que transmitirá pelo canal 12 da Net, é defendida por sua idealizadora, a jornalista e vice-presidente da Casa, deputada Heloneida Studart (PT). ?Por que o Rio de Janeiro, que é a capital cultural do País, não pode ter uma emissora legislativa?? Espera-se que a transmissão experimental comece após 20 de janeiro, e que a programação definitiva, de 24 horas diárias, entre no ar antes do Carnaval, em fevereiro.

Licitação – Diferentemente da Câmara Municipal carioca, que comprou equipamentos, a Assembléia Legislativa do Rio adquiriu um pacote de serviços. A Digilab foi escolhida em outubro, em licitação disputada por oito empresas. Por R$ 323 mil mensais, ela vai se responsabilizar por instalar, fornecer, operar e manter os equipamentos e a programação. A produtora já opera emissoras do gênero em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O preço inclui as obras de instalação e o uso da aparelhagem, que continuará pertencendo à Digilab.

A licitação vale por cinco anos, mas o contrato inicial tem vigência de um ano – nesse período, o pagamento soma cerca de R$ 3,9 milhões. Para dar lugar à emissora, foram deslocadas do quinto andar do Palácio Tiradentes instalações da área administrativa. Só ficaram o Cerimonial e a assessoria de Comunicação Social. No espaço aberto, estão sendo feitas obras para instalar um estúdio, duas ilhas de edição, uma de finalização, uma redação e um escritório. O lugar está recebendo tratamento para isolamento acústico e instalação de ar refrigerado. Quatro câmeras e uma mesa de corte ficarão no plenário. Uma quinta câmera será móvel. O sistema é digital, o que permitirá que a transmissão seja operada por computador da Assembléia.

O comando da TV, subordinado à Mesa Diretora, representada por Heloneida e pelo corregedor, Leandro Sampaio (PMDB), será de funcionários da Assembléia ocupantes de cargos de confiança. Serão pelo menos um diretor-geral, um assessor do diretor-geral, um assistente de diretoria, um assessor de diretoria, um assistente de diretor-geral, um diretor de programação jornalística, um diretor de programação cultural e um assessor-adjunto administrativo. A criação dos cargos, pela extinção de vagas efetivas (foram criados postos em outras áreas) foi denunciada como ?trem da alegria?.

Programação – Heloneida conta que o presidente da Assembléia na legislatura passada, Sérgio Cabral Filho (PMDB), lhe pediu em 2001 um projeto para a emissora, que foi feito por dois jornalistas amigos da parlamentar.

Ele negociou um convênio com a TV Educativa, mas desistiu, diante dos preços apresentados pela emissora estatal, considerados altos. ?Até que o (Jorge) Picciani (do PMDB, hoje presidente da Casa) fez um acordo com a bancada do PT, dizendo que, eleito, implantaria a TV?, conta ela. Picciani foi eleito presidente em 2003. A deputada explica que, além do plenário e das atividades parlamentares relevantes, a TV Alerj transmitirá programas culturais e entrevistas com personalidades. ?O deputado fluminense, com a TV, vai ser mais assíduo, vai se comportar no vestuário?, especula ela. ?Tem deputado que se veste de renda preta?, completa a parlamentar.”

GLOBO FILMES

“Santoro será Fagundes jovem no cinema”, copyright O Estado de S. Paulo, 28/12/03

“De contrato novo com a TV Globo, renovado há apenas duas semanas, Rodrigo Santoro, que em 2003 se tornou o ator brasileiro mais badalado, começa a rodar em janeiro o filme ?A Dona da História?, a primeira produção da Globo Filmes em 2004. Santoro vai aparecer em ?flashbacks?, nas memórias do personagem de Antônio Fagundes quando jovem.

As globais Marieta Severo, Debora Falabella e Mariana Ximenes também estão no elenco do filme, baseado em peça homônima de João Falcão (?Sexo Frágil?), que assina o roteiro. A direção é do supersticioso Daniel Filho _que não fala sobre o projeto até começarem as gravações.

OUTRO CANAL

Do bem

Disposta a dar uma guinada em sua imagem em 2004, Márcia Goldschmidt vai pedir uma audiência com o presidente Lula no início do ano. Quer o apoio oficial para uma campanha sobre gravidez consciente e contra a gravidez precoce, que irá encampar.

No grito

Chico Anysio tanto esperneou (fez discurso nos estúdios, parou gravações) que conseguiu. Seu ?Cartão de Visitas? não é mais o último quadro exibido pelo ?Fantástico?.

Em alta

Agora com médias de cinco pontos e em segundo lugar no Ibope na Grande São Paulo, Eliana está sendo prestigiada pela direção da Record. Seu ?Fábrica Maluca?, para adolescentes, ganhará um cenário novo em março.”

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem