Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES > ELEIÇÕES NOS EUA

Gasto recorde em propaganda

Por lgarcia em 30/10/2002 na edição 196

ELEIÇÕES NOS EUA

O gasto em anúncios políticos na TV para as eleições deste ano superou a despesa da corrida presidencial de 2000. Jim Drinkard [USA Today, 17/10/02] revela que a disputa entre Bush e Al Gore consumiu US$ 672 milhões, soma já superada pela eleição atual, que deve eleger governadores e representantes no Congresso. Evan Tracy, do Campaign Media
Analysis Group (organização que analisa os gastos com propaganda), calcula que a conta pode chegar a US$ 1 bilhão, já que se gasta muito mais nas últimas três semanas.

O investimento pesado em comerciais derruba o senso comum de que eleições sem disputa presidencial são mais baratas. Mas os partidos políticos não são os únicos a desembolsar todo esse dinheiro: alguns grupos, como a Associação Americana dos Aposentados, também estão em clima de campanha. A AARP pretende gastar US$ 4 milhões em anúncios de TV para incitar os idosos a votar.

Drinkard explica que o gasto astronômico não se deve somente à intensa competição para assegurar a maioria no Congresso. Graças à nova legislação de financiamento de campanha ? que entrará em vigor em 6/11 ? os partidos não poderão mais aceitar contribuições de empresas, sindicatos ou doadores milionários, o que significa que todo esse dinheiro precisa ser gasto até a data prevista. Conseqüentemente, a demanda por espaço publicitário elevou o preço onde o mercado é mais saturado, expulsando anunciantes não-políticos.

Políticos querem horário gratuito

Enquanto as emissoras lucram milhões de dólares com os comerciais políticos, seus noticiários dedicam pouquíssimo tempo às eleições, revelou estudo conduzido pelo Norman Lear Center (ligado a Annenberg School of Communication) e o departamento de Ciência Política da Universidade do Wisconsin-Madison. Uma análise de 2.454 edições de telejornais em 122 estações descobriu que em mais da metade ? 1.311 programas ? não houve qualquer cobertura sobre a campanha eleitoral. Quando havia, as matérias tinham em média 80 segundos de duração, e apenas 20% dava voz aos candidatos.

De acordo com Pamela McClintock [Variety, 17/10], a pesquisa deve dar ânimo aos senadores John McCain (republicano) e Russ Feingold (democrata), que tentam aprovar o projeto de lei que estabelece horário eleitoral gratuito na TV americana. McCain e Feingold alegam que as emissoras não estão cumprindo a obrigação de informar o público e de apoiar o processo eleitoral. As estações, por sua vez, afirmam que não são culpadas pela falta de interesse no debate político: a maioria delas oferece espaço de graça aos candidatos nas semanas que antecedem a eleição, mas eles raramente o aproveitam.

Este ano, sem pressa

Dois anos após as embaraçosas previsões do resultado da eleição presidencial ? que anunciaram Al Gore como vencedor ?, as grandes emissoras de TV declararam estar tomando medidas adicionais para evitar uma repetição. A CNN contratou mil funcionários para acompanhar a apuração dos votos. As redes ABC e NBC pretendem isolar seus analistas para que não se sintam influenciados ? e pressionados ? pelo noticiário dos canais rivais. A Fox também está aumentando a unidade responsável pelas pesquisas de boca de urna, e a CBS vai enviar equipes para os estados onde a disputa está mais concorrida para ajudar a fazer previsões.

O mais importante: todas se comprometeram a não fazer projeções antes que a votação seja encerrada, algo que não ocorreu em 2000 e deve ter levado muitos eleitores a ficarem em casa. Informações de Jim Rutenberg [New York Times, 22/10].

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