Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Gilberto Scofield Jr.

Por lgarcia em 24/10/2001 na edição 144

JB, GZM & GREVE

"Luiz Fernando Levy e Nelson Tanure rompem parceria na ?Gazeta Mercantil?", copyright O Globo, 20/10/01

"Pouco mais de uma semana depois de ter anunciado a parceria, a ?Gazeta Mercantil? rompeu ontem o acordo com a JB Comercial, do empresário Nelson Tanure, dono do ?Jornal do Brasil?. O rompimento foi comunicado ontem por um e-mail enviado por Paulo Totti, editor-executivo da ?Gazeta Mercantil?, a todos os jornalistas que trabalham na empresa.

Diz o e-mail, assinado pelo empresário Luiz Fernando Levy, dono do jornal: ?O contrato de comercialização de publicidade e assinaturas entre a Gazeta Mercantil e a JB Comercial está suspenso de comum acordo, em razão da contratação pela Gazeta Mercantil da WorldInvest, presidida pelo dr. Sérgio Thompson Flores, que, a partir de segunda-feira, inicia o trabalho de captação de recursos e de estudos para a reestruturação da empresa. A eventual seqüência de entendimentos de comercialização com a JB Comercial está no âmbito dos trabalhos a serem desenvolvidos pela WorldInvest?.

Rompimento foi decidido na quinta-feira à noite

Nem Levy nem Tanure explicaram a razão do rompimento do contrato, que, pelo menos no desejo do dono do JB, deveria evoluir de uma parceria comercial para uma troca acionária de fato. Mas uma fonte ligada a Tanure informou que a decisão de suspender o acordo ocorreu na quinta-feira à noite.

– O contrato foi suspenso temporariamente, durante duas semanas, exatamente para que a WorldInvest possa fazer a avaliação do jornal, do quadro de pessoal às unidades de negócios que são rentáveis. Era um trabalho que deveria ter sido feito pelo Banco Fator.

A WorldInvest Empreendimento e Consultoria – que ironicamente funciona na Avenida Rio Branco, 110, no edifício Conde Pereira Carneiro, onde o ?Jornal do Brasil? possui três andares – já vinha conversando há alguns meses com Luiz Fernando Levy.

– Nós já conversamos com Levy sobre alternativas para a situação financeira da Gazeta. Somente na quinta-feira o jornal nos contratou como consultores, com o objetivo de desenvolver parcerias que tragam melhora no caixa da empresa e para elaborar um projeto de reestruturação do jornal – disse Thompson Flores. – A parceria com o JB continuará a ser avaliada – completou."

 

"Dívidas levam rede de TV a processar Gazeta", copyright Valor Econômico, 18/10/01

"O Banco Fator iniciou ontem a análise dos dados econômico-financeiros (?due dilligence?) do jornal Gazeta Mercantil (GZM), no mesmo dia em que o empresário Luiz Fernando Levy, controlador da empresa, anunciou seu desligamento da gestão dos negócios. A verificação das contas, que deve levar 90 dias, foi encomendada pelo empresário Nelson Tanure, do Jornal do Brasil (JB), que fechou na semana passada um acordo operacional entre JB e Gazeta.

As conclusões servirão de base para novas negociações entre Tanure e Levy. O Valor apurou que não deve ser feito nenhum novo contrato que caracterize legalmente uma sucessão, como a transferência do controle ou dos ativos da GZM para uma nova empresa. O objetivo é evitar que uma nova administração seja ?contaminada? por débitos anteriores, ou seja, que o novo dono tenha de honrar as atuais dívidas.

Ontem, a Fundação Cásper Líbero avisou o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo que está entrando com uma notificação judicial contra a GZM por causa de uma dívida da empresa com a TV Gazeta de cerca de R$ 2 milhões, de um contrato que previa o recebimento de R$ 5 milhões nos seis primeiros meses. ?O débito, de R$ 1,6 milhão, é objeto de uma negociação de encontro de contas?, explica Aílton Trevisan, coordenador jurídico das negociações do grupo GZM. Segundo ele, a TV Gazeta tem a receber faturamento publicitário gerado pelo programa da GZM. Esses valores seriam abatidos da parcela devida pela empresa à TV Gazeta.

Os repórteres da Gazeta Mercantil mantiveram-se paralisados ontem, segundo dia de greve na empresa. Hoje será realizada nova assembléia, logo após a audiência de conciliação na Delegacia Regional do Trabalho. Além disso, os funcionários contrataram o escritório do advogado João Piza – o mesmo que defendeu os bancários no caso Banespa -, que está propondo duas ações.

Primeiro, que seja julgado um dissídio coletivo de greve. A proposta é de que sejam quitados imediatamente multas, dívidas com INSS e Receita Federal referentes a valores já descontados dos funcionários e o FGTS. Além disso, os jornalistas pedem estabilidade de 90 dias. A segunda ação no campo jurídico é uma denúncia à Procuradoria do Trabalho da 2? Região para apuração de possíveis fraudes e irregularidades na GZM em prejuízo dos funcionários.

Aílton Trevisan diz que não há greve e, sim, ?um ato de indisciplina e rebeldia de alguns funcionários?. Segundo ele, os salários de agosto e de setembro já foram pagos e a Gazeta Mercantil Informações Eletrônicas não tem dívidas com o FGTS. ?A Gazeta Mercantil, sim, tem dívidas com o FGTS. Mas isso está sendo repactuado com a CEF?, diz Trevisan.

O coordenador jurídico é uma das cinco pessoas designadas por Levy para assumir a gestão operacional da GZM. Aloísio Sotero assume a diretoria geral, Roberto Müller Filho, a diretoria de conteúdo, Luiz Fernando Ferreira, a diretoria da Gazeta Digital, e Antônio Costa Filho, a diretoria de relações com o mercado. Em comunicado aos funcionários, Levy credita as dificuldades da empresa à crise internacional."

    
    
                     
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