Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES >   VENEZUELA

Gilles Lapouge

Por lgarcia em 07/10/2003 na edição 245

FRANÇA

“Duas mortes, dois livros, duas jogadas de marketing”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/10/03

“O que está acontecendo aos editores franceses? Houve um tempo, e não faz muito, que esse setor da indústria cultural observava regras rigorosas. Mas há pouco, o dinheiro se abateu sobre os livros. E os editores, ávidos por faturamento, não se detiveram diante de nenhuma obscenidade. Quando se fala de obscenidade, não se trata de erotismo, mas da baixeza da alma.

Dois acontecimentos recentes. Tetraplégico em função de um acidente automobilístico, um jovem, Vincent Humbert, não agüentava mais tanta dor. A mãe, que cuidava dele havia três anos, respondeu ao desejo do filho, com a ajuda de produtos químicos. No dia seguinte, um livro do jovem morto – feito com a ajuda de um jornalista, claro – chegava às livrarias: Je Vous Demande le Droit de Mourir (Eu lhes peço o direito de morrer).

Tudo foi preparado com antecedência. A hora da morte foi escolhida pelo tetraplégico e o editor previu um ?arranjo? nas livrarias para o dia seguinte. Resultado: uma avalanche de compradores.

Que o jovem tenha querido esse livro, com sua mãe, pode-se compreender. O que escandaliza é que um editor – habituado a esse tipo de exploração – tenha montado um esquema promocional e que, durante a noite, enquanto a mãe cumpria seu gesto de amor e o jovem perecia, os livreiros encheram as livrarias, de forma a tirar dessa morte os melhores benefícios.

Agora, nesta semana, outro livro causa confusão. Eis a história. Há dois meses, uma atriz francesa muito conhecida, Marie Trintignant, atuou em um filme dirigido por sua mãe, a veterana atriz Nadine Trintignant. O filme foi rodado na Lituânia. Marie fez o papel de uma grande escritora francesa do século passado, Colette. Marie foi para a Lituânia com o seu namorado, um cantor conhecido e muito bonito, Bertrand Cantat. Uma noite, os dois brigam.

Cantat enlouquece e mata a namorada. É detido. Preso na Lituânia, ele espera julgamento. Apenas dois meses depois do assassinato, e alguns dias antes do processo, um livro é lançado. O título: Ma Fille, Marie (Minha Filha, Marie). A autora: a mãe de Marie, Nadine Trintignant.

Fora de questão culpar a autora, Nadine. O assassinato da filha lançou-a em um abismo. Em vez de endossar o luto, algo impensável, ela enfrentou as noites vazias revivendo as imagens de sua filha, que já não está mais aqui e que ela tanto amava.

Pode-se compreendê-la. Em compensação, como aceitar que um editor se lance sobre esse material, o edite e promova um grande lance editorial – primeira tiragem: 140 mil exemplares? Na mesma semana, duas revistas de grande tiragem, Elle e Paris-Match, correram atrás de Nadine para acompanhar o lançamento do livro. Uma coincidência? Não: Elle e Paris-Match pertencem à editora Hachette, que também é proprietária da editora que publicou o livro de Nadine, a Fayard.

Portanto, nos dois casos, uma formidável operação de marketing em torno da morte de dois jovens. Em todos os casos, a mesma infâmia: dois editores capitalizam as tragédias. Uma diferença: se o editor do jovem tetraplégico é conhecido por sua vulgaridade, não se pode dizer o mesmo do que publicou o livro de Nadine Trintignant. A Fayard é um símbolo francês, edita Solzenitsen, entre outros. Sim, mas nem eles podem perder oportunidades com essa.

A rapidez dos lançamentos em ambos os casos agrava a coisa. Marie Trintignant foi assassinada há dois meses. Esses dois meses, dos quais deve-se retirar os dias reservados ao enterro, etc., foram suficientes para que a mãe, Nadine, escrevesse um livro de 200 páginas.

Compreende-se, ainda, que Nadine ficou tão abalada com o crime, que ela se pôs a escrever como uma louca para exorcizar o mal. Mas um editor responsável daria tempo ao tempo, encorajaria Nadine a trabalhar melhor seu texto. Não foi o que fez. A prova: em primeiro lugar, a rapidez com que o negócio foi fechado – diz-se que a tragédia havia acabado de acontecer. E também a péssima redação: mal escrito, indiscreto, rico em detalhes inúteis e próprios de romances sentimentais. Um pouco mais sentimental que o estilo de Elle ou da Paris-Match… (Tradução de Alessandro Giannini)”

 

VENEZUELA

“Chávez apreende equipamento de TV”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/10/03

“Representantes da estatal Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel) apreenderam ontem equipamentos de transmissão da TV privada opositora Globovisión, o que a impedirá de transmitir eventos ao vivo, informou a direção da TV ao qualificar a ação de ?ilegal? e uma tentativa de impedir as transmissões contra o governo.

O diretor da Globovisión, Alberto Federico Ravell, disse que os funcionários da Conatel levaram os equipamentos depois de acusar a emissora de transmitir ilegalmente por freqüências não autorizadas.

Manifestantes antigoverno instalaram-se diante da Globovisión, no nordeste de Caracas, enquanto funcionários da TV vaiavam os representantes da Conatel que inspecionavam as antenas. A Guarda Nacional lançou bombas de gás lacrimogêneo contra outros manifestantes que jogavam garrafas contra o prédio da Conatel.

O ministro da Infra-estrutura, Diosdado Cabello, anunciou ontem que nas próximas horas atuaria contra outros meios de comunicação por atuar em freqüências não autorizadas.

Em Washington, o Departamento de Estado informou que as autoridades diplomáticas americanas entraram em contato com o governo venezuelano para determinar a ?base legal? da ação contra a Globovisión. (AP)”

“TV contrária a Chávez tem cabos cortados”, copyright Folha de S. Paulo, 4/10/03

“A Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel), agência do governo que regula a mídia, apreendeu equipamento e cortou os cabos de transmissão, ontem, da Globovisión, a rede de notícias 24 horas do país.

A direção do canal, que permaneceu no ar, acusou o governo de tentar acabar com sua transmissão. O Ministério da Informação negou, dizendo tratar-se de uma inspeção de rotina.

?Não houve nenhuma medida para tirar a Globovisión do ar. Esse é um procedimento legal, pois a Globovisión está operando ilegalmente em algumas frequências?, disse o ministro Jesse Chacón. ?Podemos tomar medidas como o confisco para cumprir a lei.?

Segundo o diretor da Globovisión, Alberto Federico Ravell, funcionários da Conatel chegaram a tentar retirar o equipamento do prédio da rede, mas foram impedidos por manifestantes que protestavam do lado de fora. ?Esse é o primeiro passo que eles dão para fechar o canal?, disse.

A rede foi apelidada pelo presidente Hugo Chávez de ?um dos quatro cavaleiros do Apocalipse? pela cobertura crítica que faz de seu governo e por, segundo ele, apoiar uma tentativa de golpe que o tirou do poder por dois dias em abril do ano passado.

Dezenas de pessoas protestaram em frente à sede da Conatel, em Caracas. Com bandeiras venezuelanas em punho, os manifestantes acusaram o governo de tentar silenciar as críticas enquanto a oposição recolhe assinaturas para pedir um plebiscito pelo afastamento de Chávez.

Segundo o ministro Chacón, a Globovisión poderá ter seu equipamento devolvido em até 90 dias desde que solicite uma autorização para operar nas frequências mencionadas. O ministro da Infra-estrutura, Diosdado Cabello, disse que medidas semelhantes seriam tomadas contra outras estações de rádio e TV que operam em frequências não autorizadas. Com agências internacionais”

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