Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

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Gilson Schwartz

Por lgarcia em 20/01/2001 na edição 105

E-NOTÍCIAS

EXCLUSÃO DIGITAL

"Desigualdade digital tende a aumentar nesta década", copyright Folha de S. Paulo, 14/01/01

"A internet entrou definitivamente para a lista dos temas da área de desenvolvimento econômico. O relatório ‘Global Economic Prospects and the Developing Countries 2001’ (‘Perspectivas Econômicas Globais e Países em Desenvolvimento 2001’), publicado em dezembro pelo Banco Mundial, traz no Capítulo 4 alguns alertas preocupantes. Está disponível na rede em www.worldbank.org/prospects/gep2001/chapt4.pdf.

Um dos alertas é a previsão de que a distância entre países ricos e pobres no acesso à Internet vai perdurar na próxima década.

O acesso é de 30% da população nos EUA, contra 0,6% no mundo em desenvolvimento.

Dois obstáculos à superação do atraso nos países mais pobres são destacados: escassez de ‘capital humano’ e de serviços complementares necessários à participação efetiva dos cidadãos no mundo do comércio eletrônico.

Mas o e-commerce é ainda limitado até nos EUA, onde as transações eletrônicas equivalem a menos de 1% do PIB.

As compras pela Internet de consumidores equivalem a pouco mais de 0,5% do movimento do varejo (excluídos serviços como a venda de ingressos, passagens e corretagem financeira). Na Inglaterra e na Alemanha não chegam sequer a 0,5%.

Na América Latina, as estimativas indicam um comércio eletrônico de US$ 459 milhões em 1999, ante um PIB regional da ordem de US$ 2 trilhões.

Mais relevante que a dimensão atual, no entanto, é a velocidade de crescimento do comércio eletrônico. Para a Unctad, em 2005 essa modalidade já responderá por nada menos que 25% do comércio mundial.

Os números merecem também uma análise país a país. Assim, descobre-se que, apesar da defasagem entre ricos e pobres, um país como a Coréia registrou em 2000 uma taxa de 20% da população conectada a serviços por assinatura de Internet. Já é uma proporção superior à da maior parte da Europa.

No extremo oposto estão os países que ainda dependem muito da exportação de commodities. Segundo o Banco Mundial, os ganhos de eficiência e as reduções de custo trazidas pela negociação crescente de commodities por meios eletrônicos vão favorecer os compradores, não os produtores que vivem nos países mais pobres.

Outra tendência, no entanto, pode favorecer os países em desenvolvimento: é a ‘commoditização’ dos serviços. Há vários exemplos: dos prestadores de serviços em codificação de programas de computador à descentralização de operações de processamento de cartões.

A Índia é um dos pólos dessa forma de internacionalização dos mercados de trabalho. Desde 1996, por exemplo, o país hospeda serviços de transcrição de registros médicos orais norte-americanos por 10% do custo do serviço equivalente nos EUA.

Ao mesmo tempo, a expansão da Web nos países mais ricos está criando uma tal demanda por trabalhadores qualificados que surge um círculo vicioso: para superar a defasagem, os países mais pobres precisariam acumular capital humano, mas a fuga de cérebros para os mais ricos dificulta a acumulação.

No ano passado, mesmo com a crise da Nasdaq, as empresas norte-americanas conseguiram preencher apenas metade de cerca de 1,6 milhão de posições em aberto. No Japão, o déficit de mão-de-obra qualificada é da ordem de 1 milhão de posições.

É, portanto, difícil não acreditar que a defasagem entre países ricos e pobres tende mais a aumentar do que a ficar estável ao longo dessa década que se inicia."

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