Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Globonews.com

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

COBERTURA DA GUERRA

"Al-Jazeera no centro de polêmica internacional", copyright Globonews.com, 10/10/01

"As imagens que mais marcaram a guerra dos EUA contra o terrorismo não foram transmitidas do Afeganistão, mas do Qatar. Em um conflito marcado até o momento pela ausência de cenas de batalha ou confrontos diretos no campo, a rede catariana de TV Al-Jazeera atraiu a atenção de milhões de pessoas em todo o mundo, ao exibir imagens -obtidas com exclusividade pela emissora – de pronunciamentos desafiadores do terrorista saudita Osama bin Laden e de porta-vozes de sua organização, a Al-Qaeda (a Base).

Agora, a Al-Jazeera (a península, em árabe) está no centro das atenções do governo americano e de um debate sobre a liberdade de expressão. A assessora de Segurança Nacional dos EUA, Condoleezza Rice, pediu nesta quarta-feira que executivos das redes de TV americana usem seu ?bom senso? na hora de decidir se transmitem ou não as declarações dos terroristas fornecidas pela Al-Jazeera.

Bin Laden e Ayman al-Zawahri, seu braço-direito, em imagens transmitidas uma semana após os atentados nos EUA

– Condoleeza Rice enfatizou que estava apenas fazendo um pedido e que as decisões editoriais só poderiam ser tomadas pelos meios de comunicação – disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. – No mínimo, as declarações são propaganda pedindo que fanáticos matem americanos – argumentou.

A resposta foi rápida. Horas depois do pronunciamento de Fleischer, executivos das redes de TV disseram que concordavam em revisar ?com atenção? as mensagens dos terroristas, em vez de simplesmente transmití-las. Um funcionário da rede de TV CNN afirmou que a rede ?não exibirá declarações da Al-Qaeda ao vivo? e poderá até consultar o governo. Nesta quarta-feira, o editor da Al-Jazeera disse em entrevista à CNN que não compreende como as autoridades americanas poderiam sugerir que as emissoras revisassem sua política editorial.

– Não posso compreender. Não entendo como é possível ouvir dos EUA, os principais defensores do direito à liberdade de expressão, um pedido para que revisemos nossa política editorial – disse Ibrahim Elal ao apresentador da CNN Jim Clancy, durante a exibição do programa Q&A.

No domingo, o próprio Osama bin Laden se dirigiu aos EUA afirmando que o país ?jamais teria paz enquanto os palestinos e o povo muçulmano não tivessem paz?. Na terça-feira, o porta-voz da Al-Qaeda ameaçou os EUA ao afirmar que os atentados com aviões seqüestrados não terminariam, e dizer que há centenas de jovens muçulmanos ansiosos para morrer pela jihad (guerra santa).

De acordo com Fleischer, o governo suspeita que as mensagens possam estar servindo para algo ainda mais devastador que disseminar o pânico entre os americanos: os depoimentos gravados poderiam esconder mensagens cifradas da Al-Qaeda para que seus seguidores realizem atentados. Analistas estão examinando textos e imagens dos vídeos. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse que aguarda os resultados das análises.

Os especialistas afirmam que Bin Laden, no depoimento transmitido domingo, estava vestindo uma jaqueta camuflada no estilo americano, exibindo um relógio no pulso enquanto segurava o microfone. De acordo com os analistas, a fita estava provavelmente gravada e embrulhada, esperando para ser entregue à rede de TV assim que começasse o bombardeio. Para eles, o próprio aparecimento da fita no primeiro dia de bombardeio é, em si, um tipo de sinal:

– Era basicamente um dedo no seu olho, no olho dos EUA, dizendo ?estaremos de volta? – disse Stanley Bedlington, um ex-analista da CIA (serviço secreto americano). A jaqueta americana, diz Bedlington, era uma provocação aos EUA.

De acordo com o ele, o discurso de Bin Laden poderia incluir uma mensagem cifrada para os seguidores – uma espécie de código acordado previamente – através da maneira com a qual as palavras eram articuladas. Embora não saibam afirmar com precisão se o vídeo continha realmente uma mensagem escondida, os analistas são unânimes em afirmar que o discurso de Laden e de Geith eram um chamado à guerra."

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"Editor da Al-Jazeera critica pedido dos EUA por moderação", copyright Globonews.com, 10/10/01

"O editor da rede de TV Al-Jazeera, do Qatar, responsável pela exibição nos últimos dias de comunicados de líderes do grupo terrorista Al-Qaeda – entre eles o próprio Bin Laden – disse hoje em entrevista à rede de TV americana CNN que não compreende como as autoridades americanas podem estar pedindo moderação à emissora na transmissão deste tipo de notícias.

– Não posso compreender. Não entendo como é possível ouvir dos EUA, os principais defensores do direito à liberdade de expressão, um pedido para que revisemos nossa política editorial – disse Ibrahim Elal ao apresentador da CNN Jim Clancy, durante a exibição do programa Q&A (perguntas e respostas).

Na terça-feira, o porta-voz do Al-Qaeda (a Base) ameaçou os EUA ao afirmar que os atentados com aviões seqüestrados não terminarão e dizer que há centenas de jovens muçulmanos ansiosos para morrer pela jihad. No domingo, o próprio Osama bin Laden – líder da Al-Qaeda – se dirigiu aos EUA afirmando que o país ?jamais teriam paz? enquanto os palestinos e o povo muçulmanos não tivessem paz."

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"EUA acusam al-Jazeera de colaborar com o Talibã", copyright Globonews.com, 10/10/01

"O governo dos Estados Unidos acusou nesta terça-feira a rede de televisão do Catar al-Jazeera de transmitir discursos inflamados e veicular falsas notícias sobre o conflito no Afeganistão.

Os americanos já haviam reclamado com o governo do Catar na semana passada depois que a rede de TV árabe retransmitiu entrevistas com o milionário terrorista Osama bin Laden, principal suspeito de ser o mentor dos ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington, logo após os ataques aliados ao Afeganistão.

– Nossa preocupação é com alguns discursos inflamados que vimos no ar e além de notícias que não são verdadeiras – disse o porta-voz do Departamento de estado Americano, Richard Boucher.

O secretário de estado, Colin Powell, fez queixa ao xeique Hamad bin Khalifa al-Thani, do Catar, em Washington na semana passada. Nesta terça-feira, disse que a preocupação persistia e que continuariam a monitorar a cobertura do conflito pela al-Jazeera, no Afeganistão. Segundo ele, a rede de televisão esta servindo como suporte para Bin Laden e seus seguidores, dando a eles liberdade de comando.

– Somos a favor de liberdade de imprensa mas pensamos que ela não pode servir como suporte para disseminar idéias terroristas. Osama bin Laden não pode usar a mídia para difundir suas idéias – completou Powell.

Mesmo assim, nesta terça-feira, a al-Jazeera transmitiu uma gravação do porta-voz da organização Al-Qaeda, Sleiman Abou-Gheith, na qual ele repete as palavras do líder bin Laden dizendo que a América não terá paz enquanto os muçulmanos não tiverem.

Powell e o primeiro ministro britânico, Tony Blair, também concederam entrevistas à al-Jazzira e Richard Boucher disse que outros líderes americanos também tentarão conceder entrevistas."

    
    
                     
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