Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA & ACM

Grampo “oficial”

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

MÍDIA & ACM

Chico Bruno (*)

Ele ficou quieto em seu canto (a Bahia) enquanto durou seu exílio. Consagrado nas urnas pelos baianos, voltou à cena política, agora aliado ao PT, com a mesma disposição de outrora. Enquanto exilado não se despreocupou em exercitar seu passatempo preferido, a criação de dossiês.

No regresso a Brasília, com ajuda do PT, conseguiu algumas vitórias: impediu que um ex-aliado fosse indicado para uma diretoria da Caixa Econômica e transformou um sonho em realidade, com a ascensão de José Sarney à presidência do Senado. Mas, para sua infelicidade, viu-se derrotado por outro ex-aliado, que conseguiu se eleger primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, com direito a pilotar orçamento de um bilhão de reais.

E é esse ex-aliado que sustenta a suspeita de que, por ordem do “Rei do Nordeste”, sua intimidade telefônica foi invadida por um grampo “oficial” solicitado fraudulentamente à Justiça baiana, conforme atesta a Polícia Federal, pelo governo da Bahia, por meio da Secretaria de Segurança Pública.

Quase imperceptível

Segundo o ex-aliado, estaria novamente o país confrontado com mais uma peraltice do velho senador baiano Antônio Carlos Magalhães que, na ânsia de impedir a eleição de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), distribuiu anonimamente pelos corredores do Congresso Nacional e de dezenas de empresas jornalísticas alentado dossiê com a transcrição de conversas telefônicas, fruto de grampo fraudulento, entre o ex-aliado e uma dezena de personalidades de Brasília e da Bahia, incluindo a própria mãe.

O episódio, recheado de nitroglicerina pura, é prato cheio para a imprensa tupiniquim, sempre afeita a grampos e afins. O assunto foi pautado com destaque pelas revistas semanais e os jornais de todo o país, principalmente pelos personagens principais e a utilização da máquina de segurança pública de um governo estadual ? episódio inédito nesse corriqueiro mister de grampos e afins.

A mídia nacional informou corretamente ao público sobre a aberração ? apesar de alguns exageros, como a transcrição de conversas do deputado com a mãe, com uso de termos de baixo escalão.

Infelizmente, volta à baila, neste primeiro mês do novo governo, a indústria dos grampos telefônicos e das gravações clandestinas de reuniões reservadas, como o encontro das bancadas do PT com o ministro Antônio Palocci. Espera-se que a mídia trate desses assuntos vadios com o devido cuidado que merecem. Caso contrário, teremos novamente em destaque o jornalismo fiteiro, que nos últimos tempos estava acanhado e se tornara quase imperceptível na lida diária da imprensa.

(*) Jornalista

 

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