Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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Guerra na mídia inglesa

Por lgarcia em 12/09/2001 na edição 138

ORIENTE MÉDIO

John Simpson, editor de assuntos internacionais da BBC, retribuiu o golpe de Robert Fisk, do Independent, sobre sua reclamação de que a TV britânica estava do lado israelense na cobertura do conflito no Oriente Médio.

Simpson negou, segundo Jason Deans [The Guardian, 3/9/01]. Fisk disse que correspondentes da BBC foram impedidos de descrever as mortes de palestinos por forças israelenses como assassinatos, depois que a corporação cedeu a pressões do governo de Israel.

O jornalista do Independent também criticou um correspondente de seu próprio jornal por não verificar a reportagem com a BBC antes de publicá-la na primeira página. "O fato é que nunca houve qualquer pressão de Israel sobre o uso do termo ?assassinato?," escreveu Simpson no Sunday Telegraph.

Simpson também disse que seu artigo originalmente sairia no Independent como resposta às alegações de Fisk, mas o jornal se recusou a publicá-lo "a menos que o assunto fosse ampliado." O artigo original de Fisk foi vendido em todo o mundo. O governo dos talibãs chegou a estudar se Simpson teria autorização para entrar no Afeganistão. Atualmente, ele está no Paquistão, negociando para entrar no país.

 

TAIWAN

A liberdade de imprensa é tida como valor universal, mesmo que em alguns países ela saia pela culatra. Em Taiwan, afirma Laurence Eyton [The Asia Times, 4/9/01], a pergunta continua: o que, afinal, é essa tal de liberdade?

Os dias de imprensa controlada pelo governo de Taiwan podem estar longe, mas um evento levantou dúvidas sobre quais deveriam ser os padrões de imprensa livre. Diz respeito a um estuprador conhecido como "Lobo Hwakang", que aterrorizou a capital, Taipei, por dois anos. Seu verdadeiro nome é Yang Wen-hsiung, mas ninguém ouvirá ou lerá isso em qualquer veículo noticioso de Taiwan.

Yang foi condenado a 16 anos de prisão em 1996, quando tinha 26 anos, por estuprar 19 mulheres e tentar violentar 11. Hoje, cumpriu um terço da sentença, mas seu pedido de condicional foi negado em 31 de agosto. Neste ano, passou no vestibular para o curso de Sociologia da Universidade Nacional de Taiwan, a melhor da ilha.

O mais interessante de tudo foi o comportamento da mídia. Em qualquer país ocidental, a possível libertação de um estuprador ? que entra para a faculdade, enquanto suas vítimas eram todas estudantes ? motivaria um estardalhaço da mídia. Não em Taiwan, onde o governo resolveu cruzar os braços e a mídia decidiu ser 100% protetora da identidade de Yang. Nenhum jornal ou emissora divulgou seu nome.

A mídia de Taiwan não é sempre tão reticente. Repórteres de TV e jornal são como em qualquer outra parte do mundo: inquietos, invasivos, frios, curiosos e sedentos de boas histórias para contar. Os direitos de suspeitos em casos criminais são rotineiramente violados. Mas esse caso, para a mídia do país, é diferente porque, ao revelarem a identidade de Yang, destruiriam suas chances de se readaptar à sociedade. Esse altruísmo, no entanto, parece sem sentido na mídia de Taiwan, um país em que pessoas acusadas de um crime, mesmo que ainda não tenham sido condenadas, são chamadas pelo nome nos veículos. Jornalistas e executivos da indústria editorial insistem em que o motivo é simplesmente moral: uma rara espécie de autocensura.

    
    
                     

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