Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > VENEZUELA

Hans Greimel

Por lgarcia em 17/07/2002 na edição 181


JAPÃO


"TV japonesa pagou para filmar assalto em exclusivo", copyright Público/Associated Press, 10/7/02

"Foi um verdadeiro furo jornalístico quando as câmaras da TV Tokyo conseguiram captar todos os movimentos de um bando de ladrões quando estes estilhaçaram o vidro de uma das janelas do armazém de uma empresa de construção que tencionavam assaltar e quando acabaram por cair nas mãos de um grupo de polícias que os esperava no interior. Mais em cima do acontecimento seria difícil.

O canal emitiu uma peça de sete minutos sobre o assunto no seu programa informativo em horário nobre, o News Eye (Olho das Notícias), promovendo a reportagem como um exclusivo. Mas, pouco mais de um mês depois, a estação japonesa admitiu publicamente que os seus repórteres pagaram a um dos assaltantes 350 mil ienes (quase três mil dólares) para que ele lhes passasse a informação da hora e local do roubo.

A revelação, feita há poucos dias, de que quase tudo fora combinado entre as partes – do lado dos assaltantes apenas um sabia, precisamente o informador – não só abalou a credibilidade da TV Tokyo como levou os críticos de televisão e a polícia a questionarem-se se o canal não terá ido longe demais na sua tentativa de ganhar audiências.

?Esta atitude não parece muito correcta, é verdade?, disse Mamoru Sakamoto, um dos responsáveis do canal. ?Mas é preciso ter em conta também que há uma tradição no Japão de a imprensa e a televisão fazerem documentários com este tipo de situações para tornarem as reportagens mais interessantes?, acrescentou.

No início de Maio, um dos ladrões contactou os repórteres do programa, oferecendo-se para denunciar os seus cúmplices em troca de pagamento. Os jornalistas concordaram e as duas partes chegaram a acordo por 2940 dólares (cerca de três mil euros), contou o porta-voz da TV Tokyo, Katsu Takayama.

Seriam cerca de 01h40 da madrugada quando o grupo de cinco ladrões partiu o gradeamento de uma janela de uma empresa de materiais de construção e conseguiu entrar no edifício, para assaltar o cofre-forte. A equipa de câmaras da TV Tokyo estava estrategicamente posicionada para captar todos os movimentos do ?gang?. Estavam os operadores de câmara e também os agentes da polícia, que tinha sido avisada pelos jornalistas. Um evento verdadeiramente preparado para televisão, portanto.

Em poucos minutos, a confusão estava instalada. Os polícias acorreram a perseguir os ladrões, tendo apanhado três deles, incluindo o informador. Os outros dois conseguiram fugir. E tudo ficou devidamente registado pelas câmaras de televisão.

Na passada semana, Naomichi Fujimoto, responsável pela redacção da TV Tokyo, admitiu publicamente que o episódio foi um estratagema da equipa de jornalistas do programa e pediu desculpas pelo sucedido. ?De agora em diante, estamos a pensar adoptar um sistema para fiscalizar e educar os nossos repórteres, de modo a que isto não volte a acontecer?, afirmou.

Fujimoto lamentou que os jornalistas tivessem pago para obter a informação, mas afirmou que o dinheiro serviu para proteger a família do informador, que foi depois libertado pela polícia. No entanto, acabou por não se pronunciar sobre o facto de o canal não ter informado a empresa de que ia ser vítima de um assalto.

Por seu lado, a polícia de Tóquio considera que o canal não fez nada de ilegal, mas não se quis pronunciar sobre as tácticas utilizadas. ?Não é uma questão de lei, é uma questão de ética jornalística?, afirmou um porta-voz da polícia.

Mamoru Sakamoto defendeu que há outros canais japoneses que também estiveram envolvidos em escândalos similares nos anos 90, incluindo o líder de audiências, a TBS, que cancelou um programa por ter pago a um grupo de ?gangsters? para aparecer num documentário sobre crime organizado. O canal Asahi-Hoso, de Osaca, por exemplo, pagou a diversas actrizes para aparecerem num documentário sobre empregadas de escritório. Falando sobre o escândalo do seu canal, Sakamoto atirou as culpas para a inexperiência dos jornalistas.

O caso da TV Tokyo é a mais recente polémica envolvendo os ?media? japoneses, a braços também com uma discussão nacional em torno de uma proposta de lei inspirada, em parte, por uma onda crescente de contestação à profissão e aos seus métodos. A Lei de Protecção dos Direitos Humanos, actualmente em preparação pelo Parlamento, implica também a criação de de um comité que dará apoio jurídico às vítimas de crimes e suas famílias, bem como às famílias dos suspeitos que se queixem de ser perseguidas pelos ?media?.

Os mais críticos dizem que tal lei vai sobretudo ?amordaçar? a imprensa. Mas a ideia ganhou adeptos na sequência da cobertura algo polémica que os ?media? fizeram, no ano passado, do pior massacre alguma vez ocorrido numa escola, no Japão, quando um indivíduo embriagado apunhalou jovens a torto e a direito, acabando por matar oito.

Durante vários dias, os helicópteros das televisões sobrevoaram vezes sem conta a escola e os repórteres de rua rodeavam as crianças para lhes fazer entrevistas. Os pais queixaram-se de que as crianças andavam assustadas, os professores disseram também que a discussão acalorada da questão e a forte pressão de que estavam a ser alvo quando ainda choravam os colegas provocou nos estudantes sintomas de stress e pânico."

 


REINO UNIDO


"Câmara dos Lordes do Reino Unido obriga órgãos a revelar fonte de reportagem", copyright Folha de S. Paulo, 12/7/02

"Uma decisão da Câmara dos Lordes britânica contra cinco meios de comunicação britânicos -os jornais ?The Guardian?, ?The Times?, ?Financial Times? e ?The Independent? e a agência de notícias Reuters- poderia ameaçar a liberdade de imprensa no país.

Os lordes se negaram anteontem a apreciar um recurso, obrigando esses órgãos a obedecer sentença da Alta Corte e entregar à empresa do setor de bebidas Interbrew documento que revelava a sua intenção de comprar a South African Breweries.

Com base no documento, passado aos jornais por uma fonte não-identificada, as publicações revelaram as intenções da Interbrew, levando a uma queda de 7,5% nos valores de suas ações.

Os editores argumentam que, de posse do documento, a Interbrew descobrirá
a sua fonte. Argumentam que, temendo ser descobertas em situação
semelhante, as fontes deixariam de passar informações aos jornais."

 


SUÍÇA


"Jornal suíço admite erro e pede desculpas", copyright O Estado de S. Paulo, 15/7/02

"O editor do maior jornal da Suíça pediu ontem desculpas
ao ex-embaixador suíço na Alemanha Thomas Borer, depois de reconhecer
que a notícia sobre um possível romance dele com uma esteticista
de Berlim era falsa. Devido ao escândalo, Borer se demitiu do cargo. Em
carta-aberta de página inteira, Michael Ringier, do semanal SonntagsBlick,
disse ter chegado a um acordo de indenização com Borer. O montante
não foi revelado."

 


VENEZUELA

"TV venezuelana sofre ataque de granada", copyright Folha de S. Paulo, 10/7/02

"Uma granada explodiu ontem diante da rede de TV Globovisión, em Caracas. A explosão danificou sete carros. Líderes opositores foram à rede de TV para condenar a ação e acusar o governo venezuelano pelo atentado. Segundo eles, o objetivo seria ?intimidar a marcha? contra o presidente Hugo Ch&aacutaacute;vez, que acontece amanhã.

A Globovisión tem uma linha crítica em relação a Chávez.

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, também foi à rede de TV para condenar o atentado e disse que o governo não tem nada a ver com a ação.

Ainda ontem, simpatizantes do governo realizaram protesto diante do diário ?El Universal?. Eles criticaram opositores que ?estariam alimentando o rancor?.

A marcha opositora de amanhã passará diante palácio presidencial
de Miraflores. O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter (1977-1981), que está
no país, ainda não disse se aceita convite da oposição
para acompanhar o protesto para impedir atos violentos."

 

"Granada explode em sede de TV venezuelana", copyright O Estado de S. Paulo, 10/7/02

"Uma granada foi lançada ontem no estacionamento da sede da TV privada de notícias venezuelana Globovisión, em Caracas, danificando a entrada e destruindo vários carros. Ninguém ficou ferido. O explosivo foi atirado de um carro por volta de 1 hora (2 horas em Brasília).

A oposição e os proprietários de meios de comunicação acusaram o presidente do país, Hugo Chávez, de promover a violência contra oposicionistas e de instigar ataques à mídia com suas críticas. O presidente acusa constantemente a Globovisióm de veicular mentiras e costuma dizer que os donos dos meios de comunicação o odeiam porque ele não faz o jogo dos empresários e da elite.

O governo condenou o atentado e a Assembléia Nacional, controlada pelos chavistas, pediu rápida investigação. ?É um ato criminoso, um ato condenável, um ato detestável?, afirmou o chanceler Roy Chaderton.

Partidários de Chávez fizeram uma manifestação diante do jornal El Universal para negar que estivessem vinculados ao ataque contra a Globovisión e acusaram a imprensa de tentar implicá-los no atentado. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, falou com os jornalistas.

A tensão aumentou também com o anúncio da proibição de manifestações públicas diante da sede do governo, o Palácio Miraflores, em Caracas. As autoridades frisaram que ela se aplica a qualquer marcha, seja de chavistas, seja de opositores. A oposição pretende ir amanhã até o palácio para exigir de novo a renúncia do presidente e lembrar os mortos nos protestos de 11 de abril. Morreram 18 pessoas, várias delas atingidas por tiros, em um episódio não esclarecido. Governo e oposição se culpam pela matança, que serviu de pretexto para uma tentativa frustrada de golpe contra Chávez.

O vice-presidente José Vicente Rangel disse que as marchas na área do palácio foram proibidas com base em um decreto de 1992, nunca posto em prática. Segundo o governo, a decisão visa a ?garantir a segurança das pessoas?, mas a oposição diz que o objetivo é evitar o protesto contra Chávez diante de Miraflores. No entanto, o ex-presidente americano Jimmy Carter disse ontem que Chávez lhe assegurou estar disposto a receber uma comisão de manifestantes com suas reivindicações. Carter encerrou visita de três dias em que tentou mediar o diálogo entre governo e oposição, e anunciou que Chávez concordou em que a ONU e a Organização de Estados Americanos sejam os ?facilitadores?. Essa era uma das exigências da oposição."

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