Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > PUBLICIDADE DA CÂMARA

Helayne Boaventura

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

PUBLICIDADE DA CÂMARA

"Aécio gasta milhões em publicidade", copyright Jornal do Brasil, 14/8/01

"Com dificuldades para aprovar o pacote ético na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Aécio Neves (PSDB-MG), planeja gastar R$ 8,5 milhões em pesquisas de opinião e em campanhas publicitárias para tentar reverter a imagem da Câmara. As pesquisas de opinião vão medir a popularidade do Congresso Nacional e o interesse da população por assuntos específicos. Apesar da determinação de Aécio, a medida vai ser recebida com polêmica. Em vez de melhorar a imagem, deputados prevêem mais desgaste para a Câmara.

Aécio nega que o dinheiro será utilizado em publicidade. Para justificar a aplicação das verbas prefere outras expressões. Segundo o presidente da Câmara, as campanhas vão ?criar condições de comunicação com a sociedade?. Na prática, significa o mesmo: dar publicidade à atuação dos deputados, como a aprovação nas comissões internas de projetos sociais que passam despercebidos. ?Não é campanha para melhorar a imagem, mas para criar canais com a sociedade. Muitos projetos são aprovados em comissões e ninguém fica sabendo.?

Economia – Ele garante que não vai haver aumento de verba para bancar a publicidade da Câmara. Segundo Aécio, os recursos fazem parte da economia de R$ 133 milhões feita com a extinção de 240 cargos, a revogação de contratos e a economia de 42% em energia elétrica. O presidente da Câmara reconhece, porém, que a imagem da Câmara só vai melhorar com a aprovação do pacote de projetos moralizadores. ?O que vai melhorar a imagem são medidas efetivas como a aprovação do pacote ético.?

A sugestão de Aécio foi recebida, porém, como uma maquiagem para contornar as dificuldades de aprovação do pacote ético. O projeto que quebra a imunidade parlamentar para crimes comuns está pronto para ser votado há mais de dois anos e tramita a passos lentos na Câmara. Para o vice-líder do PFL na Câmara, Pauderney Avelino (AM), ?a emenda pode sair pior que o soneto?.

O pefelista avalia que o gasto com publicidade pode ?ter efeito contrário diante da população?. ?Todo mundo já acha que deputado gasta o dinheiro do povo?, analisa. Em meio a denúncias de uso irregular da verba extra de R$ 7 mil por deputados mineiros, a medida pode ter efeito explosivo. ?Se nós não resolvermos esta questão da verba, a credibilidade da Casa vai para a lona?, prevê. Para Avelino, basta que a Câmara cumpra suas tarefas para ser bem vista. ?No fundo, o que precisamos é apenas mostrar para a população que a Câmara não é o que falam.? Partidários do presidente da Câmara e colegas da Mesa Diretora, no entanto, defenderam Aécio Neves."

"Aécio quer anúncios na TV para reverter desgaste", copyright O Estado de S. Paulo, 13/8/01

"Preocupada com a imagem cada vez mais arranhada dos parlamentares, a direção da Câmara está decidida a investir R$ 8,5 milhões numa campanha publicitária para tentar reverter o desgaste. O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), pretende contratar ainda neste ano uma agência de publicidade para dar início ao que ele chama de ?um ousado projeto de comunicação?. A intenção é divulgar por meio de anúncios na televisão as ?ações positivas? dos deputados – como a elaboração e aprovação, nas comissões internas e no plenário, de projetos de grande alcance social.

Na avaliação de Aécio, muitas dessas ações não são devidamente apresentadas pela imprensa, que tende a dar mais ênfase ao lado negativo da atividade parlamentar. ?Tem de haver uma defesa do Poder Legislativo, que não pode ficar acuado como está?, diz o primeiro-secretário da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), que tem, porém, uma dúvida: não sabe se o mais conveniente seria mesmo uma campanha paga ou a convocação de uma cadeia nacional de rádio e televisão, como costuma fazer o Poder Executivo.

Créditos – Pelos planos de Aécio, a licitação para contratar a agência de publicidada deve ser aberta logo após a aprovação pelo Congresso de um projeto de lei solicitando o remanejamento de recursos que hoje estão destinados à manutenção de serviços administrativos.

A votação poderá acontecer ainda nesta semana, caso os integrantes da Comissão Mista de Orçamento cheguem a um acordo sobre um pacote de 12 créditos suplementares.

O líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), afirma que votará contra a autorização para o gasto com anúncios. ?Nós da oposição, que contestamos a despesa com publicidade do governo, não podemos cair nessa armadilha e permitir que o mesmo ocorra em nossa casa?, justifica.

Os líderes da oposição estão empenhados em não deixar que Aécio lhes ?roube? a bandeira da moralidade com a iniciativa do ?pacote ético? – série de medidas moralizadoras defendidas pelo presidente da Câmara, entre elas o fim da imunidade parlamentar. ?Eles, que elegeram Jader Barbalho para a Presidência do Senado, não podem assumir essa bandeira?, sustenta Miro.

O vice-presidente do PT, deputado José Genoíno (SP), pretende propor a Aécio, em reunião de líderes marcada para amanhã, que o projeto para restringir a imunidade parlamentar comece a ser votado no plenário ainda nesta semana. Com isso, crê o petista, os deputados contrários à proposta terão de ?mostrar a cara?, tal como aconteceu na semana passada em relação ao projeto do Código de Ética e Conduta Parlamentar.

Resposta – As emendas ao Código de Ética também devem ser discutidas nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça.

?Temos de apressar essa votação da agenda ética porque, se Jader renunciar logo, a base do governo vai achar que já foi dada uma resposta à sociedade e esquecer o resto?, diz Genoíno.

A renúncia de Jader é mesmo aguardada com expectativa pela maioria dos senadores, que desejam virar mais uma página policial do Congresso. O Ministério Público do Pará deve ingressar com uma ação pedindo a devolução dos recursos desviados do Banpará entre 1984 e 1987. No Senado, o assunto estará em evidência na Comissão de Constituição e Justiça, que vai sabatinar o o advogado José Coelho Ferreira, indicado para ministro do Superior Tribunal Militar (STM).

Ferreira foi procurador do Banco Central e assinou, em maio de 1992, o parecer que inocentou Jader no caso do Banpará. O líder do bloco de oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), quer suspender a sabatina por considerar a indicação inoportuna, mas o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), pretende mantê-la."

    
    
                     
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