Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

PRIMEIRAS EDIçõES > VEJA

Histeria coletiva

Por lgarcia em 31/01/2001 na edição 106

Edição de Marinilda Carvalho

Meus amigos, que surpresa. Causou a maior celeuma um artiguete escrito no calor da final da tumultuada Copa João Havelange. Tal número de cartas, independentemente da posição de cada um quanto ao artigo, indica que a imprensa esportiva está sob os holofotes. E o que se vê deixa muito a desejar. Espero que este imbroglio inspire os leitores a observar e escrever mais sobre este setor da mídia.

Outro destaque nesta edição, o Rock in Rio continua despertando muitos comentários. Não se pode negar que foi um super-evento: a Cidade do Rock aparecia todos os dias na CNN… Só não entendi uma coisa: por que não se pode mais vaiar e jogar copinho em cantor de quem não se gosta? Antes podia…

A reação do público que foi ver Oasis e Guns chocou a mídia ? com exceção de Tárik de Souza, veterano crítico musical do JB, que entendeu o espírito da galera ? e numerosos leitores, a julgar pela chuva de cartas enviadas aos jornais protestando contra a "falta de patriotismo da turba roqueira". Todos esqueceram de que o sogro de Carlinhos Brown, Chico Buarque, artista de primeira grandeza, levou uma das maiores vaias da história mundial da música, num festival da canção no Maracanazinho. E nem por isso fez sermão "patriótico" para a platéia.

Eu, hein…

Beijos a todos!

ROBERTO CARLOS

Aleluia! Ainda existe gente inteligente na Terra. Finalmente, vejo uma crítica sobre a "obra" de Roberto Carlos. A análise de Carlos Heitor Cony reconforta pela objetividade e lucidez, coisa rara ultimamente na imprensa. Seus sucessos são produto do marketing da Globo, da tietagem dos críticos que nada entendem de musica, salvo raras exceções, que preferem repetir os comentários superficiais da mídia ignara e posar de bonzinhos, no lugar de mergulhar profundamente na análise musical deste cantor. Embalados pra presente pelo programa de Natal da Globo, trazendo uma música-tema do ano, sobre o amor derramado e piegas, ou uma homenagem a um ser anônimo ? caminhoneiro, gordinha etc. ? ou uma canção religiosa triunfante. Agora, do mais importante não se fala, isto é, a qualidade das letras, as harmonias, a mesmice dos arranjos etc. Afinal, qual a grande contribuição dele para a música? O que os críticos internacionais falam dele? Quais são os compositores e cantores nacionais preferidos pelos grandes cantores estrangeiros?

Não quero entrar no assunto delicado da morte de sua mulher e de sua grande dor pela perda. O meu ponto é a baixa qualidade de sua música, não importa a origem da inspiração. As juras de amor eterno no programa do Faustão, onde relembrou os bons momentos com Maria Rita, regadas a lágrimas assistidas pelo comovido auditório… para quem estava desolado e deprimido até aquela data agüentar a tortura daquele programa, poucos dias antes do lançamento do disco e do programa de Natal é, no mínimo, esquisito. E se aparecer um novo amor em sua vida? Bom, aí a mídia terá um bom assunto para comentar, principalmente se acontecer no segundo semestre, aquecendo a galera para um novo disco sobre o novo amor. Afinal, o amor tudo vence, ainda mais com a histeria coletiva promovida pela Globo e lubrificada pelos jabás da vida.

M. Telo

QUEM É VOCÊ?

Já vivenciei a experiência de escrever ao iG. No máximo posso esperar, isso se estiver num dia de sorte, o retorno de uma resposta mecânica, que geralmente produz o mesmo efeito que receber coisa nenhuma. Mas como nunca falei com o Observatório, e sendo um contumaz otimista, uso este espaço para enviar uma sugestãozinha.

Na seção "Quem é Você?" me é solicitada uma senha, mas não parece muito claro qual o objetivo dessa senha. A porta de entrada, talvez, a um mundo de informações confidenciais, ao qual só uma confraria de eleitos tem acesso? Uau, que é tentador, é … mas, pensando melhor, perguntar não custa nada, e talvez me poupe o trabalho de lembrar mais uma combinação maluca de números e letras condenada inexoravelmente ao esquecimento.

Aí vai, então, minha contribuição ao crescimento do Observatório, que desde já elogio: digam, claramente, qual o objetivo para solicitar a senha (Exemplo: "Informe, opcionalmente, uma senha, e acesse matérias exclusivas de nossos assinantes"). No mínimo você serão poupados de ter de ler, se é que alguém se dignou a faze-lo, e-mails chatos que nem este. Um abraço,

Jorge Marmion, editor do Projeto Sampa Online <www.SampaOnline.com.br>

Nota do O.I.: Caro Jorge: atualizamos o Quem é Você? no final do ano (século!) passado. Ainda estamos em fase de ajustes. Neste primeiro momento, a senha não é para acessar algum conteúdo "secreto", mas para identificar o visitante. É a forma que nos permitirá saber com quem exatamente nos relacionando. Quando, por exemplo, quisermos enviar mensagem solicitando ao leitor cadastrado que responda uma pesquisa no site, se não houver uma senha que garanta a identificação desse leitor não garantimos que a pessoa que respondeu é a mesma pessoa cadastrada. Desta forma, evitamos também que alguém responda mais de uma vez à mesma pesquisa. De todo modo, os ajustes prosseguem. Estamos nos preparando para estabelecer um nível maior de interatividade com nossos leitores. E observações como a sua serão sempre bem-vindas. Obrigado.
Luiz Egypto

"SOMBRAS" DE FHC

Certamente o presidente FHC não é o autor dos diversos decretos e medidas provisórias que assina em endosso. Acredito ser humanamente impossível se inteirar de todos os detalhes de cada documento sancionado. O vai-e-vem do governo nas recentes decisões ou propostas revela "assessores" mal-intencionados, trabalhando para grupos no poder. Inúmeros casos denunciados e investigados já são do conhecimento público. Com amigos assim quem precisa de inimigos?

Os protestos da opinião pública e do jornalismo independente parecem ser o que está alertando o presidente para as maracutaias embutidas nas MPs que beneficiam os interessados que pululam nas salas e corredores do poder. Ainda estou surpreso com a proposta apresentada ao Congresso, pelo secretário da Receita Federal, ampliando suas condições de fiscalização e o combate à sonegação. Mais ainda, pelo empenho para sua aprovação e agora pela defesa que FHC está fazendo dela ? apesar da grita de setores jurídicos e empresariais ?, o que deixa claro sua aprovação pessoal com conhecimento de causa.

A mídia em geral vem amedrontando a população com termos como quebra de sigilo, invasão de privacidade, inconstitucionalidade etc., e apresenta a MP como algo terrível para o cidadão. O que é que é isso… O cruzamento das informações da CPMF com as declarações de renda à Receita apenas revela que há inconsistências, por exemplo: movimentação financeira bem maior do que os recursos declarados no IR. Não revela qualquer informação privada do contribuinte que já não seja do conhecimento da Receita.

Vale notar que, pela primeira vez, um governo resolve interferir de fato nas contas-de-faz- de-conta dos ilustres sonegadores (caixas 2, lavagens de dinheiro, por fora etc.), que enriquecem às custas dos que não têm vo$.

A condenação do projeto aprovado salta às vistas, quando lembramos o que já ocorre na relação do contribuinte com a Receita. Lembrando: o contribuinte apresenta sua declaração de renda informando quanto ganhou, onde ganhou, o que possui; contas bancárias, no Brasil e no exterior; investimentos e aplicações financeiras; o que comprou, vendeu, perdeu, trocou, e como fez isso; relaciona seus dependentes, relações maritais e familiares; o que pagou e como o fez ou está fazendo; se paga pensão judicial ao cônjuge e/ou aos filhos do casal etc. etc. Querem mais invasão de privacidade do que isso? Então resumo o procedimento anterior…

O contribuinte entregava na recepção/caixa dos bancos o formulário da declaração, preenchido com os seus dados privados. O atendente/bancário verificava se estavam os anexos indicados e preenchidas as informações principais, carimbava, dava o recibo e deixava sobre a mesa/bandeja, ao olhar dos demais bancários e dos curiosos, antes de enviar à Receita. Como esse sistema anterior permitia as falcatruas ninguém reclamava disso! Mas agora são apresentados argumentos poderosos para derrubar a MP: agride a Constituição e invade a privacidade do cidadão.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal podem colocar um ponto final nessa desfaçatez.

José Renato M. de Almeida, Salvador

VEJA

Estou indignada! Achei a capa da Veja desta semana muito preconceituosa. A manchete da matéria que fala da pobreza nas grandes cidades nos remeta à idéia de que o país é da classe nobre e que os periféricos são bichos invasores, nojentos, que estão no lugar errada! O país é de todo mundo e, cada dia mais assustados, nós, privilegiados, deveríamos é denunciar a urgência de mudanças, antes que todos sejamos periferia.

Helena Monteiro, Minas Gerais


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