Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > BAND NEWS

Hélio Schwartsman

Por lgarcia em 01/08/2001 na edição 132

ALTA FIDELIDADE

"A dialética do corno", copyright
Folha de S. Paulo, 29/7/01

"Provavelmente cometo uma heresia, mas vou falar dos testes de fidelidade e de Hegel.Para quem não sabe, os testes de fidelidade são pegadinhas, exibidas nos programas de Sérgio Mallandro e de João Kléber, em que uma pessoa, em geral uma mulher, põe à prova a integridade de seu marido/namorado/companheiro, colocando-o diante de uma bela atriz que lhe dará bola. Em princípio, a vítima não sabe que está sendo filmada por câmaras ocultas. A produção dos programas registra tudo, e o vídeo será posteriormente exibido para a mulher queixosa. O público, isto é, nós, terá a oportunidade de ver a reação do marido diante da modelo insinuante e também a reação da mulher assistindo à reação do marido.

Os programas conservam alguns elementos de humor infantil: a surpresa (que tomará de assalto o cônjuge traidor), a repetição (os diferentes ?episódios? seguem sempre o mesmo esquema) e o tom levemente sexual (quando a ?coisa? começa a esquentar, a atriz anuncia a pegadinha).

Para quem não sabe, Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) é um filósofo alemão que se notabilizou por desenvolver um método dialético para explicar o progresso da história e das idéias. Numa simplificação que chega a ser rude, parte-se de uma idéia (tese), que é confrontada com a sua negação (antítese), gerando assim uma terceira idéia (síntese), que conserva elementos das duas anteriores, mas é diferente de ambas.

Hegel conserva vários elementos do idealismo e da dialética kantianos, notadamente a noção de que a forma como percebemos o mundo através de nossas mentes passa ela mesma a constituir o mundo, a realidade por nós percebida. Mas Hegel radicaliza o conceito até invertê-lo: a dialética, a tese que enfrenta a antítese para gerar a síntese, deixa de ser só um modo de a nossa mente pensar a realidade e passa a ser algo que a realidade impõe a nós e nossas mentes.

As implicações não são triviais. Para Hegel, vai importar menos como cada indivíduo pensa o mundo e muito mais como todos o pensam. Para o filósofo alemão, existe uma consciência humana comum, que é determinada pelo conflito entre idéias contraditórias e suas sucessivas superações (sínteses) através da hist&oacuoacute;ria.

Voltando à TV, como, depois de um certo número de programas, a consciência dos telespectadores já tem conhecimento da existência dos testes, tornando-os num certo sentido inócuos, eles assumiram uma nova forma.

Agora, é também possível que a mulher apenas pense estar preparando uma armadilha para o marido, mas, na realidade, ele terá um acerto com a produção: o objeto do experimento do qual somos observadores privilegiados deixa de ser o comportamento do marido para se tornar a reação da mulher diante da suposta infidelidade do companheiro. Em vez de a atriz se voltar para o rapaz, comunicando-o da encenação, é a própria mulher que recebe a notícia de que foi o verdadeiro alvo da brincadeira.

Os elementos infantis do programa são conservados, mas com alterações, como exige a boa dialética. O esquema de surpresa e repetição permanece, mas ampliado. Agora, há a possibilidade de a vítima ser o homem ou a mulher. Ao toque sexual, acrescenta-se o de ?malandragem?.

Só que, mais uma vez, a consciência comum já sabe que a vítima pode ser um ou outro, o que vai tornando o formato do programa obsoleto. Eventuais participantes, que também participam da consciência coletiva, já estão de certo modo vacinados contra a surpresa.
Esse processo permite antever que a atração vai mais uma vez mudar de forma. A tese (mulher testa homem) encontrou a sua antítese (homem testa mulher). Falta agora uma síntese.

Para Hegel, o curso da história é uma experiência universal em que o espírito absoluto tenta entender a si mesmo. Quando ele conseguir fazê-lo, seguir-se-á a liberdade absoluta, e a própria história chegará ao fim. Enquanto isso não ocorre, as pessoas ficam com uma visão fragmentada dos processos. Elas estão, em maior ou menor grau, alienadas.

Saindo do plano do absoluto e voltando para o teste de fidelidade, mulher, homem e público desconhecem quem será a vítima. Os próprios apresentadores fingem ignorar o desfecho dos VTs. Só quem sabe tudo, quem tem a visão de conjunto, é a produção, que trabalha de modo a encobrir os vestígios que permitiriam ao público pensar o programa e antever seu resultado. O show mantém o suspense, mas à custa da alienação do espectador. Para o programa funcionar, a produção tem de estar um passo à frente do público.Nessas condições, o espectador deixa de ser sujeito para se tornar mero objeto para aqueles que produzem o show. É mais ou menos nesse sentido que Hegel diria que nós não assistimos à TV, mas somos assistidos por ela.

Numa tradução prosaica, sem frescuras filosóficas: o teste de fidelidade é empulhação. Se de fato testava alguma coisa, a dinâmica que os programas assumiram aniquila essa possibilidade e ainda faz o público de palhaço."

SERIADOS


"?Respeitamos o telespectador e seus hábitos, mas toda estratégia de programação deve ter agilidade para atender à demanda de público e ser muito competente para perceber a hora de tirar certos produtos do ar. Isso é televisão.? Quem afirma é o diretor da Central Globo de Comunicação, Luis Erlanger. A emissora é uma das mais criticadas pelos ?órfãos? das séries.

Erlanger diz que, quando é preciso editar algum episódio, isso é feito com ?a preocupação de manter o entendimento do telespectador?. Ele ainda afirma que o canal é sensível aos apelos de fãs e diz que ?Dawson’s Creek? é um exemplo de série que já chegou a voltar ao ar atendendo a pedidos.

Segundo o gerente de programação do SBT, Murilo Fraga, ?Família Soprano? teve sua primeira temporada exibida pelo canal e volta à programação em 2002, com os episódios do segundo ano da série.

Quanto a ?The West Wing?, Fraga afirma que a série foi tirada do ar pois ?não agradou ao telespectador do SBT por tratar de política dos EUA?.

O seriado ?Friends?, um dos mais badalados entre os exibidos por canais pagos, deixou de ir ao ar na Rede TV! devido a uma reorganização da programação e a baixos índices de audiência, segundo a emissora."

BAND NEWS

"Band cria base única para noticiários",
copyright O Estado de S. Paulo, 29/7/01

"A Bandeirantes anunciou, na semana passada, a instalação de um novo projeto jornalístico que terá efeito sobre todos os veículos do grupo – o News Center (centro de notícias). A idéia é fazer mais entradas ao vivo na programação e integrar as redações da Band, Canal 21, Rádio Bandeirantes e Band FM.

Para isso, os 150 profissionais da área, que trabalham nas empresas da família Saad, passarão a ocupar uma única redação de 800 metros quadrados, que deve ficar pronta em dois meses e servirá também de estúdio para a apresentação dos jornalísticos da casa – 16 no total, sem contar o Show de Notícias, a ser apresentado por Silvia Poppovic, e um novo noticiário noturno.

A redação-estúdio será inaugurada na segunda quinzena de setembro, junto com as novas vinhetas da programação, e será parecida com a redação do BandNews.

As entradas ao vivo, no entanto, são um expediente cada vez mais utilizado desde 4 de junho, quando a emissora reformulou sua programação. ?A tendência é essa, caminhamos para uma programação ao vivo e preparada para receber o News Center. Será diferente daqueles plantões que entram em cima de uma programação pré-gravada?, diz Rogério Gallo, diretor de Criação e um dos responsáveis pela criação do novo projeto.

?Estar permanentemente ao vivo muda tudo, teremos a agilidade de um BandNews multiplicado por dez?, aposta o diretor de Jornalismo, Fernando Mitre, que também reponde pela empreitada.

?Teremos mais jornalismo investigativo e, ao mesmo tempo, uma linguagem mais solta, que possa ser adaptada a cada conteúdo?, reitera Mitre.

O aparato digital do News Center viabilizará um sistema integrado entre os computadores de todos os jornalistas. A partir do dia 1.?, 54 novas estações de edição já estarão em uso e, em breve, serão intregradas aos terminais e a um novo servidor, com capacidade para armazenar 200 horas de imagem e som. A Bandeirantes produz aproximadamente 70 horas diárias de áudio e vídeo.

O editor-executivo de Jornalismo, Carlos Amorim, prevê que o novo equipamento vai colocar imagens no ar 30 segundos após o recebimento dessas.

Até o fim de 2002, todo o sistema de edição da Band estará automatizado. O custo total do projeto News Center é de R$ 14 milhões.

Com tanta tecnologia e promessa de agilidade, em que está prevista até a participação de equipes de rádio na TV e vice-versa, Mitre e Gallo não temem que a programação da Band fique descaracterizada. ?Uma notícia pode até mudar o curso de um programa, mas uma coisa não elimina a outra?, diz Gallo."

 

    
    
            

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