Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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É hora de abrir o debate

Por lgarcia em 14/08/2002 na edição 185

ENSINO SUPERIOR

Victor Gentilli

Que os dilemas, os desafios, as dificuldades do ensino superior sejam um problema de interesse público não há dúvida. Na semana passada, o professor Roberto Leal Lobo, ex-reitor da USP e da Universidade de Mogi das Cruz, escreveu instigante artigo no Valor na sexta, 9/8. No sábado, sob o título "Luz sobre o ensino superior", o ministro Paulo Renato Souza defende-se, em artigo de opinião na Folha de S. Paulo (pág. A3, 10/8), das acusações de que teria "sucateado as universidades públicas".

Somente esses dois artigos, transformados em matérias jornalísticas, permitiriam um estimulante debate sobre a realidade do ensino superior. Se os jornais mantivessem o mesmo comportamento burocrático de sempre e buscassem repercutir nas "fontes oficiais" o debate ficaria certamente mais quente. Afinal, as opiniões de Lobo não são propriamente unânimes, e Paulo Renato, em seu artigo, contesta informações oficiais da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições de Ensino Superior. Quer dizer, se os jornais ouvissem reitores de universidades federais encontrariam informaçòes que sustentariam manchetes de páginas por vários dias.

Caso os jornais fossem mais ousados ainda e decidissem ouvir também dirigentes de pequenas faculdades particulares, de centros universitários, de universidades confessionais (católicas, batistas, luteranas) e de universidades privadas com fins lucrativos, teríamos uma polêmica que nenhum jovem entre 18 e 24 anos deixaria de ler com toda a atenção.

Tudo isso poderia ser feito da redação, por telefone. Nada além de jornalismo declaratório.

Digamos que, ainda com "fontes oficiais", os jornais decidissem ouvir o presidente da UNE (alguém sabe quem é essa pessoa?), os coordenadores das executivas nacionais de estudantes das diversas áreas acadêmicas ou profissionais.

E se os jornais mandassem repórteres para as universidades, centros universitários, pequenas faculdades para ver o que acontece por lá, ouvir estudantes, professores? Se os jornais apenas reportassem ao distinto público as angústias de alunos, pais e empresários com a inadimplência veriam como esta é tratada de formas absolutamente diferentes.

E se um repórter acompanhasse um estudante em sua rotina de trabalho, o dia inteiro, e de estudo, à noite? Essa é a realidade de milhares de jovens, que se sacrificam além do limite e, mesmo assim, estão desesperançados, sem expectativas de emprego um pouco melhor no futuro.

O ensino superior brasileiro é uma pauta inesgotável.

Os jornais que não publicam artigos de opinião de ministro e ex-reitor entrevistam "o maior empresário do ensino brasileiro", como fez a Folha e este Observatório comentou, na edição passada.

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