Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > NOTAS DE UM LEITOR

Igreja, camisinhas e BBC

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

NOTAS DE UM LEITOR

Luiz Weis

No Brasil, só o Estado de S.Paulo, salvo engano, tratou
como
gente grande a campanha da Igreja no Terceiro Mundo contra as
camisinhas como defesa contra a Aids. O Vaticano prefere a
abstinência (já um certo número de padres abstinentes,
a
pedofilia, mas deixa para lá).

Não haveria nada de novo nisso se a Santa Madre não
desse de usar "teoria ?científica? contra preservativo",
como se lê na manchete do Estado de 10/10 (pág.
A 10). A teoria, sem a mais remota base nos fatos, muito ao contrário,
é que o vírus HIV consegue atravessar a membrana de
látex das camisinhas!

Em dois terços de página, o jornal perfurou com fatos
e números essa mentira letal ? porque os padres dizem para
os pobres (na África, por exemplo) não aceitarem os
preservativos que os parcos agentes de saúde tentam distribuir.

O fecho glorioso da principal matéria do conjunto são
as aspas do infectologista David Uip, da USP. "Sou católico
e acredito que a Igreja tem papel fundamental na formação
do jovem", sustenta, "mas ela não deve atrapalhar
em assunto sério".

Quem denunciou o crime dos curas foi o jornalista Steve Bradshaw,
do programa Panorama, da BBC 1. Na reportagem primorosamente
intitulada "Sex and the Holy City", que foi ao ar no domingo
(12/10), ele entrevista um certo cardeal Alfonso Lopez Trujillo,
presidente do Conselho Pontifício para a Família,
do Vaticano, que diz que a permeabilidade das camisinhas ao HIV
"é um fato facilmente reconhecível".

Bradshaw colheu também o depoimento do diretor de um centro
de testes de Aids, no Quênia, Gordon Wambi. Ele diz em rigoroso
e absoluto on: "Alguns padres têm até dito
que as camisinhas já vêm com HIV".

"Sex and the Holy City" se integra a uma estupenda iniciativa
da BBC. A partir deste mês, em parceria com a Kaiser Family
Foundation, uma organização filantrópica voltada
para a saúde pública na África do Sul, e com
o conglomerado multinacional de mídia Viacom, a BBC usará
o seu serviço mundial de rádio para divulgar campanhas
educativas sobre a Aids na África e no Caribe, com programas
distribuídos de graça a emissoras dessas regiões.
Nelas estão os maiores índices de HIV/Aids por habitante
do mundo. Os programas serão transmitidos em inglês,
francês, português, hausa, somali e swahili.

Mais informações com Nusrat Ul-Ghani no e-mail <ws.trust@bbc.co.uk>

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