Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Imprensa de conveniência

Por lgarcia em 20/05/2000 na edição 90

Edição de Marinilda Carvalho

 

Amigos, temos recebido muitas cartas de leitores aborrecidos com a suspensão da remessa gratuita mensal, pelo correio, da versão impressa do Observatório da Imprensa. Embora tenhamos enviado a cada assinante carta explicando a situação, baixou um inconformismo geral na turma, e é melhor repetir o que houve: por três anos e 29 edições o boletim de 16 páginas foi impresso com o apoio da Xerox. A empresa acreditou no projeto desde o início. A Xerox imprimia e dava o papel, o Observatório e o Instituto Uniemp se encarregavam do mailing e das despesas de correio. Em março o convênio foi suspenso. A sorte é que não há o que lamentar nessa profícua parceria com a Xerox. A empresa, agora, vai dedicar-se exclusivamente aos projetos que patrocina no campo da assistência à juventude. E fará bem porque a Xerox tem boa reputação nisso.

Estamos em busca de novos patrocinadores. Tão logo apareça(m) o OI impresso voltará a circular. Um abraço, boa leitura. (Luiz Egypto)

Uma perguntinha de leitora online: há alguma perspectiva de que a mídia nacional (além do Correio Braziliense) pare de tentar se fazer de morta e de ignorar as denúncias de envolvimento de um dos mais novos grupos de comunicação do país (os Monteiro, tradicional família de políticos e empresários pernambucanos, donos do Jornal de Brasília e da Folha de Pernambuco) com os empréstimos irregulares (de milhões) no Banco de Brasília?

Perguntinha de jornalista: não está na hora de começarmos a refletir (e publicar) sobre a corrupção (política e financeira ) na qual estão envolvidas empresas de comunicação? Ou será que o velho (e hipócrita) espírito de corpo ? que nos faz sermos tão zelosos na denúncia de abusos e fraudes que envolvem políticos e apaniguados ? vai continuar a manter fechados olhos, bocas e ouvidos da mídia “independente”? Vamos continuar a ser “independentes” e “isentos” apenas quando o bandido está longe, insistindo na desmedida tolerância aos que são nossos pares ou sentam ao nosso lado, nas redações?

Até quando os leitores/espectadores vão ser mantidos no curral, conduzidos pelo cabresto e submetidos à omissão coletiva (e deliberada) de informações essenciais para o julgamento imparcial e conseqüente de quem joga no cenário da economia e da política nacional?

Como justificar essa atitude? Medo, desinformação ou apenas rabo preso?

Luzanira Rêgo

 

Disse o ministro Matarazzo que “um sujeito que incita o quebra-quebra de pedágios e que foi indiciado pela Polícia Federal não pode aparecer numa TV educativa dando entrevistas. Também não gosto do Stedile. Mas é justamente por incitar quebra-quebras que Stedile tem o que dizer aos telespectadores. Cabe ao entrevistador inteligente evitar que a entrevista se transforme em tribuna ou peça publicitária.

Se os motivos de Stedile são inconsistentes, não há lugar melhor para conhecê-los do que em uma entrevista bem-feita (assim como há o perigo de os jornalistas serem extremamente coniventes com o entrevistado, mas para isso existe o Observatório).

E ainda, em se tratando de entrevista diária, seria necessário dar espaço similar aos eventuais oponentes do líder sem-terrista nos outros dias da semana, para que o espectador possa formar um painel de opiniões.

Neste caso imito Voltaire, que discordava de tudo que escrevia Rousseau, mas que lutaria até a morte pelo direito de seu rival predileto expressar-se.

Spacca

 

A matéria sobre ética, que discutiu o caso na imprensa alemã, é importante, e deve ser feita tendo como alvo a imprensa nacional. Especialmente a imprensa regional, na qual os jornalistas recebem salários mais baixos e está cheia de casos como o do renomado âncora alemão. Jornalistas e radialistas terminam se envolvendo numa teia de bicos que os faz perder completamente a credibilidade. Tudo isso sob a desculpa de se ter “assessoria”.

É importante que o Observatório se empenhe na discussão de se criar a profissão de assessor de imprensa, como ramo da Comunicação Social, para que não seja mais permitido a jornalistas exercerem essa função. Acredito que, assim, os jornalistas serão obrigados a exigir melhores salários (porque não poderão mais ter esse bico) e, ao mesmo tempo, será possível haver mais credibilidade.

Não se trata de culpar quem tem ou deixa de ter assessoria ? a situação não está fácil para ninguém. Acontece que, se não se critica, isso passa a ser natural, e não mais uma situação antiética. É preciso que se inverta esta situação e que todos tenham consciência de que ter assessoria e trabalhar como jornalista (em jornal, rádio ou TV) é agir de forma antiética.

Temos que lutar por melhores salários para evitarmos a humilhação de “ganhar por fora”.

Esta é uma campanha muito importante.

Tatiana Learth, João Pessoa

 

A respeito da matéria de Ismael Pfeiffer sobre a distribuição gratuita de jornais, como o argentino La Razón, quero dizer que aqui, em Natal, o pequeno vespertino O Jornal de Hoje também encontrou uma fórmula nova de distribuição, diante dos concorrentes matutinos, que têm maior estrutura nessa área. Sem priorizar as vendas em bancas, além das assinaturas, O Jornal de Hoje busca parcerias com postos de gasolinas, farmácias, restaurantes e outros tipos de estabelecimentos comerciais, que pagam até 50% do preço de banca para distribuir aos clientes. Oficialmente, não se divulgaram os números oficiais dessa nova modalidade de distribuição do vespertino, mas comenta-se que, numa capital com mais de 650 mil habitantes, e os onde os dois matutinos, em dias úteis, circulam não mais que 15 mil exemplares diários, a tiragem do Jornal de Hoje está entre cinco e seis mil exemplares.

José Valdir Julião

Rachel Pereira Balsalobre, jornalista e professora do curso de Jornalismo da PUC-SP

 

Acho fundamental a presença ácida do Arnaldo Jabor no bem formatado Jornal Nacional, por exemplo. Afinal, é muito difícil ? e não é para qualquer um ? falar mal de eventos que atinjam a esquerda, por exemplo, posto que tal intento atinge igreja e queijandos. A intimidação populista da esquerda presta o desserviço de não haver área moderada não- esquerda no Brasil. O que há, onde a igreja é presente na política, é radicalismo de esquerda, contraposto por radicalismos carlistas ou barbalhescos etc. Nesse sentido, Jabor é muito interessante.

José Carlos Fabrício dos Santos

 

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