Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > CINEMA

Imprensa mórbida

Por lgarcia em 12/06/2002 na edição 176

IGREJA CATÓLICA

Civilta Cattolica, revista jesuíta ligada ao Vaticano, criticou a cobertura dos casos de abuso sexual cometidos por padres. Diz que não pretende minimizar a tragédia, mas condena o tratamento "mórbido e escandaloso" dado pela imprensa, e pergunta: por que a Igreja Católica americana é submetida a "um fogo cruzado de suspeitas, acusações violentas, recriminações e pedidos de acordos milionários, como se o fenômeno da pedofilia estivesse restrito ao clero católico?".

Para o artigo, isto se deve a um sentimento "anticatólico" e "anti-papal" que se espalha pelos EUA desde que o papa João Paulo II se pronunciou contra a Guerra do Golfo e que pediu "justiça, não vingança" após os ataques de 11 de setembro. "Para muitos jornais e canais de TV, parece ter sido bom demais para ser verdade poder esbofetear o ?monstro? do dia na primeira página, desta vez identificado com o clero católico." Informações da AP (31/5/02).

O escândalo de abuso sexual na Igreja será abordado por pelo menos seis novos livros a serem lançados nos EUA. As editoras, no entanto, temem que o assunto possa repelir leitores católicos. Barbara Baker, que trabalha como consultora de distribuidores no mercado de livrarias católicas, acredita que há um interesse limitado por obras sobre o caso, especialmente comparado a temas populares como a vida do papa. "Se o papa atual morrer, ofuscará tudo isto, da mesma maneira que depois do 11 de setembro ninguém ligou para Gary Condit [democrata que teve um caso com a estagiária desaparecida Chandra Levy]", disse Barbara.

David D. Kirkpatrick [The New York Times, 3/6] revela que, historicamente, o assunto nunca atraiu muito interesse, pois nenhum dos vários livros publicados ao longo dos anos vendeu um número significante de exemplares. "Lead Us Not Into Temptation", do jornalista Jason Berry, e "The Gospel of Shame", de Frank Bruni e Elinor Burkett, do New York Times, venderam menos de 15 mil cópias e logo saíram de circulação. Os dois, porém, já ganharam novas tiragens.

CINEMA

"E se o governo raptasse sua filha? Isso acontecia toda semana na Austrália, de 1905 a 1971." Estas duas frases estão causando polêmica por constarem do cartaz que divulga Rabbit proof fence nos EUA. O filme, do diretor Philip Noyce, conta a história de três meninas aborígenes que são afastadas de suas famílias em 1931 para receber treinamento de empregada doméstica em programa governamental. A Miramax, produtora da obra, fez pesquisa que mostra que este era procedimento comum na Austrália, com freqüência de cerca de uma criança por semana. O estúdio adiou o lançamento de junho para agosto porque considerou o pôster original, que mostra as três crianças, "muito leve". Então foi criada a polêmica nova versão.

Membros do governo da Austrália criticaram o material publicitário por considerarem que ele é sensacionalista e induz a pensar que os australianos são preconceituosos. "É importante que os espectadores americanos não julguem nosso país por práticas do passado, que, em certos casos, mesmo sendo bem-intencionadas, foram erradas", analisa Gary Hardgrave, ministro de relações multiculturais.

Até Noyce está surpreso com a repercussão: "Não era minha idéia. Quando vi o cartaz, fiquei boquiaberto e disse ?por que estou fazendo disto um filme político??Agora o pôster ficou maior que o filme". Mas, segundo Lawrie Zawn da Hollywood Reporter [27/5/02], ele não discorda da mensagem. "Talvez a idéia de um governo raptar crianças capture a imaginação do público. E, pensando bem, foi isso que realmente aconteceu".

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