Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > RÁDIO EM ONDAS CURTAS

Informação essencial sobre os conflitos

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

RÁDIO EM ONDAS CURTAS

Célio Romais (*)

Em épocas de conflito, no passado, o rádio foi o veículo de comunicação mais usado por vencidos e vencedores. Na chamada Guerra Fria, idem. De um lado, a Voz da América pregava o mundo democrático americano e, de outro, a antiga Rádio Central de Moscou, também conhecida como "A Voz do Comunismo", irradiava as maravilhas socialistas.

O tempo passou. A internet chegou, a televisão a cabo leva o mundo para os mais longínquos rincões. As maravilhas da comunicação ditam as regras. Os conflitos, entretanto, permanecem como antes. Se outrora era a briga comunismo versus capitalismo, atualmente, de acordo com a mídia ocidental, o "mocinho americano" combate terroristas. Quando todo mundo pensava que a internet e a televisão a cabo seriam os principais veículos de comunicação usados nos conflitos atuais, a surpresa: o velho e bom rádio continua tendo papel decisivo e estratégico.

Súplica por anúncios

No dia 4 de outubro, o embaixador de Israel na ONU, Dan Guillerman, foi à tribuna do Conselho de Segurança para acusar a Rádio Damasco de "incentivar o terrorismo em sua programação". Como muito bem anotou o jornalista Flávio Archangelo, na lista de discussão Radioescutas <http://br.groups.yahoo.com/group/radioescutas>, "o rádio foi o único veículo citado na reunião de emergência do Conselho".

Para quem acompanha ondas curtas não é surpresa a citação. Os Estados Unidos, após apearem o mulá Omar do poder, no Afeganistão, o que fizeram? Criaram serviços, no idioma dari, em ondas curtas, para aquele território. A emissora recebeu a alcunha de "Rádio Afeganistão Livre". Em seguida, após espantar Saddam Hussein para local ignorado, criaram o mesmo serviço para os ouvintes iraquianos. Inclusive, chegaram a emitir sinais de rádio de um avião, o Comando Solo, que sobrevoava Bagdá e arredores.

Se hoje a Voz da Rússia suplica por anúncios comerciais em sua programação e cede transmissores a grupos religiosos, o contraponto pode ser feito pelas pequenas emissoras estatais de países envolvidos em conflitos. O que a Voz da América e suas estações-satélite, como Rádio Afeganistão Livre e Ásia Livre, levam ao ar tem outra versão nas ondas de Rádio Damasco, Voz do Irã e Rádio Cairo.

Os dois lados

Não conheço os detalhes da denúncia do embaixador de Israel na ONU sobre terrorismo na programação da Rádio Damasco, nem ao certo sei em que idioma foi proferida. O que quero ressaltar é que o rádio, apesar de vivermos o mundo da internet, está aí provando sua força. É ele quem traz os "dois lados da notícia". O governo sírio de Bashar al-Assad utiliza os velhos transmissores de ondas curtas da Rádio Damasco, fabricados há anos pelos soviéticos, para falar do seu jeito. É preciso lembrar, também, que o governo de Israel detém a Rádio Galei Zahal, emissora com programação dedicada ao seu meio castrense. Emite, em hebraico, em 6973 e 15785 kHz.

Como radioescuta e dexista, ou seja, que capta emissoras de países distantes via ondas curtas, acompanho, periodicamente, os programas emitidos desde Damasco, a partir de 20h15, em 12085 e 13610 kHz, em espanhol. Na programação, muita música típica daquele país, informações turísticas, respostas aos ouvintes que enviam cartas e comentários políticos.

Se você já tem um receptor de rádio de ondas curtas, não perca tempo: escute os "dois lados da notícia". A primeira conclusão é que o rádio, com toda a sua versatilidade, praticidade e economia, permanece firme como veículo de comunicação no atribulado mundo de conflitos de hoje.

(*) Jornalista e radioescuta, coordenador do DX Clube do Brasil.

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