Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > **

Investigando a investigação

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

CASO JAYSON BLAIR

Alberto Dines

A punição do repórter do New York Times transbordou da esfera interna para transformar-se em assunto dos principais jornais americanos e internacionais (no Brasil, mereceu grande destaque no Estado de S.Paulo; veja na rubrica Entre Aspas, desta edição). Puro sensacionalismo ? dirão os críticos apressadinhos, esses que guardam no colete teorias conspiratórias para todas as situações. Segundo eles, a imprensa ianque estaria usando o profissional como uma espécie de bode-expiatório para exibir um rigor que não teve na cobertura da guerra do Iraque.

Interpretação não é necessariamente uma ciência exata. Qualquer que seja o intuito desta punição exemplar e pública, algumas reflexões precisam ser feitas:

** Os plágios e adulterações foram flagrados por chefias atentas, preocupadas com a qualidade da informação, e por empresas jornalísticas que não fazem economia para manter seus padrões. Neste caso, como na adulteração de uma foto de guerra publicada na primeira página do Los Angeles Times, as chefias funcionaram de maneira responsável e correta [veja remissão abaixo]. Entre nós quando o leitor não reclama, ninguém reclama.

** Edição é algo mais do que fechar a página (ou a edição do dia). O jornal de hoje não é uma página virada e esquecida. Precisa ser reaberta, discutida e avaliada.

** As erratas num veículo jornalístico não podem ser tratadas como insignificância, cavacos do ofício. Para o leitor, a informação impressa é definitiva, o erro não pode ser encoberto ? sob qualquer pretexto.

** O conceito moderno de investigação comporta dois investimentos: um para apurar o que será publicado, outro para apurar o que foi publicado. Só assim cria-se uma consciência de e um compromisso com a qualidade.

** Mesmo que a punição do repórter Blair seja resultado de um surto de auto-flagelação puritana ficam automaticamente desfeitas e desmentidas as afirmações tantas vezes reiteradas ? inclusive neste Observatório ? de que a grande imprensa americana é incompetente e desleixada.

No dia em que chegarmos a este padrão de incompetência e desleixo estaremos produzindo o melhor jornalismo do mundo.

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