Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Investimento de risco na web

Por lgarcia em 20/02/2000 na edição 84

A empresa New York Company anunciou que estará oferecendo participação acionária em seus deficitários websites por um valor em torno de 1 bilhão de dólares. A oferta sem precedentes, feita pela empresa proprietária do jornal The New York Times, poderá gerar uma imensa onda de negócios entre as empresas de mídia e os investidores de websites.

De acordo com artigo de Allan Sloan para o site Washingtonpost.com (15/2/00), a oferta da New York Company inclui acesso ao material jornalístico da empresa e divisão acionária por dez anos. Depois disso, o acordo pode ser renovado ou encerrado. De acordo com Sloan, o negócio pode ser perigoso para os investidores, que se arriscariam “em uma situação no mínimo instável”, à mercê dos termos inflexíveis da empresa de mídia. Sloan justifica sua posição no fato de que, quando o acordo terminar, a New York Co. pode optar por não renovar o contrato, fazendo com que as ações dos websites percam seu valor em Wall Street. Isso beneficiaria a New York Co., já que uma das cláusulas do contrato lhe dá o direito de comprar as ações de volta depois do fim do acordo – e a preços de mercado.

Prestação de serviços

Ainda que sejam negócios deficitários, os websites de jornais estão tendo renda anual de aproximadamente 25 milhões de dólares, o que é bom para um negócio relativamente recente. Apostando no fato de que os jornais impressos podem um dia se tornar obsoletos, todas as grandes empresas de mídia que lidam com jornais ou revistas nos Estados Unidos investem pesado em suas publicações online.

Entretanto, de acordo com artigo de Sloan, boa parte dessa renda não chega aos websites em dinheiro, mas na forma de permutas ou trocas. É o caso do site financeiro TheStreet.com, que recebeu 15 milhões de dólares em investimento da Times Corportation. Entretanto, apenas 3 milhões de dólares foram pagos em dinheiro – o restante foi trocado por espaços publicitários e prestação de serviços jornalísticos.

Ainda segundo o artigo de Sloan, outras duas questões tornariam os websites um negócio singular. Primeiro, não é possível contar o número de visitantes de um website. O do New York Times, por exemplo, tem algo em torno de 10 milhões de “usuários registrados”. Entretanto, nada impede que um usuário que esqueceu sua senha de acesso se registre novamente. Por outra, os anunciantes e investidores não conseguem informações demográficas sobre os visitantes dos websites. Pelo menos ainda não.

 

A revista The New Yorker comemorou seu 75º aniversário com grandeza. Ao publicar a segunda maior edição de sua história (302 páginas), a revista tenta provar que os 202 milhões de dólares de prejuízo acumulados nos últimos 15 anos são coisa do passado. “Eu sinto que estamos andando a passos largos”, afirmou o editor-chefe David Remnick.

De acordo com matéria de Keith Kelly para o New York Post (14/2/00), a revista ainda conta com uma luz no fim do túnel. Os investimentos que Condé Nast – empresa que comprou The New Yorker, em 1998 – vem fazendo no departamento comercial têm dado resultado. Depois de uma arriscada promoção de 5% no preço dos espaços publicitários, os anúncios aumentaram 5,9% em 1999. No mesmo ano, devido ao aumento no número de assinaturas, a circulação de New Yorker cresceu 4%. Como a renovação de suas assinaturas costuma ser alta (76,7% em 1999), é provável que o crescimento continue.

Os funcionários da Condé Nast estão proibidos de falar sobre lucros ou prejuízos. Apesar dos esforços, a revista continua a perder muito dinheiro. Só em 1999, foram 17 milhões de dólares para o ralo.

 

Poucas vezes na história da mídia norte-americana um número tão grande de jornais foi vendido de uma só vez. Ao anunciar que colocará à venda 130 jornais rentáveis – na sua maioria voltados para as pequenas cidades dos Estados Unidos –, a empresa de mídia canadense Thomson Corporation deixou os pequenos publishers extasiados.

A empresa, que pretende especializar-se na cobertura financeira, afirma que irá investir de agora em diante em seus sites de negócios na internet, bancos de dados e no único jornal que não irá vender, The Globe & Mail, o segundo maior jornal do Canadá.

Em entrevista ao repórter Paul Tharp [New York Post, 16/2/00], o analista de mídia Benoit Dube, da Canaccord Capital, afirmou que os jornais não terão problemas para encontrar compradores. “Estes jornais são de cidades pequenas, sem muita competição e os anunciantes não têm outro lugar para ir. Publishers de áreas próximas estarão sedentos por eles”, aposta.

Potencial global

De acordo com matéria de Tharp, a venda inclui 55 diários e 75 semanários, a maioria nos Estados Unidos. Dos diários, apenas quatro deles têm circulação acima de 50 mil exemplares. Os jornais de interior da Thomson Corp. têm tido anualmente crescimento de 4,5%.

Nos últimos três anos, a Thomson Corp. já vendeu 74 pequenos jornais. A empresa afirma que irá dirigir todos os seus investimentos para a mídia eletrônica, cobertura de negócios e banco de dados. “Decidimos vender esses jornais para que possamos nos concentrar mais precisamente na informação veiculada pela alta tecnologia, soluções para negócios e profissionais que tenham um potencial global”, escreveu, em comunicado à imprensa, o presidente da Thomson Corp., Richard Harrington.

Apesar de os jornais da empresa terem obtido crescimento anual de 4,5%, os meios eletrônicos e a cobertura de negócios tiveram crescimento de 17%. Para que isso fosse alcançado, a empresa investiu 150 milhões de dólares anuais nos últimos quatro anos.

 

Em 14/2, um dia antes do término do prazo estipulado pela Hearst Corporation para a venda de seu jornal californiano, o vespertino San Francisco Examiner, o milionário Clint Reilly, ex-candidato à prefeitura de São Francisco, anunciou formalmente seu interesse na compra do veículo. A decisão de Reilly, se efetivada, eliminará a possibilidade de a empresa Hearst deter o monopólio dos jornais diários de São Francisco. Hearst, que está comprando o único rival do Examiner, o matutino San Francisco Chronicle, havia anunciado que, se não encontrasse comprador, seu jornal vespertino seria fechado.

O Departamento de Justiça norte-americano está analisando o caso para determinar se a ação qualifica quebra de leis anti-truste, já que se o Examiner for fechado a Hearst Corporation será dona do único diário de grande circulação de São Francisco. Com circulação diária de 457 mil exemplares, o Chronicle está à frente do rival Examiner, que vende 107 mil cópias por dia.

A empresa Hearst, que está aguardando comprador para o Examiner desde agosto, não havia recebido nenhuma proposta antes de Clint Reilly. A Hearst não parecia, entretanto, muito interessada na venda do Examiner. Segundo matéria de Felicity Barringer [The New York Times, 14/2/00], a empresa só adocicou a oferta de venda do jornal depois de pressões de políticos locais e do Departamento de Justiça. Além do nome do jornal e da lista de circulação, foram acrescentados na oferta os escritórios, caminhões de entrega e máquinas de impressão.

A repórter Felicity Barringer afirma que a venda ainda assim seria difícil, porque as bases econômicas de um jornal se fundamentam na venda de anúncios. Desde 1965, devido a um acordo firmado entre o Examiner e o Chronicle, a venda e impressão dos anúncios dos dois jornais fica a cargo da empresa San Francisco Newspaper Agency. Hearst Corporation pretende interromper o acordo – que termina em 2005 – antes de vender ou fechar o Examiner. A interrupção também necessita de aprovação do Departamento de Justiça norte-americano.

De acordo com Barringer, o milionário Clint Reilly tem brigas antigas com a Hearst, empresa proprietária do jornal. Quando foi candidato à prefeitura de São Francisco, Reilly entrou com um processo na justiça acusando o editor do Examiner de ter quebrado seu tornozelo. O editor teria empurrado Reilly durante uma briga.

 

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