Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Ivan Angelo

Por lgarcia em 19/06/2002 na edição 177

ELEIÇÕES 2002

"Serra levou meninas do ?Saia Justa? na conversa", copyright Jornal da Tarde, 15/06/02

"Bem que elas tentaram, mas as meninas do ?Saia Justa? (Mônica Waldvogel, Marisa Orth, Rita Lee e Fernanda Young) não conseguiram enfiar uma saia justa no candidato José Serra. Elas conseguiram, no máximo, uma saia reta, e na maior parte do programa da última quarta-feira Serra passeou de saia godê. Nenhuma delas parece eleitora do candidato do PSDB, mas nos comentários finais do programa do canal GNT, depois que ele havia saído, até a contestadora Fernanda Young comentou: ?Achei ele charmosíssimo.?

O momento de saia reta: quando Mônica perguntou se ele, um homem que militou na esquerda, desde a época da liderança estudantil na UNE e durante o regime militar, não se sente desconfortável quando um representante do capital internacional, o investidor/especulador George Soros, o aponta como garantia para o seu dinheiro. E o fez usando uma alternativa dramática que, segundo ela, acua o eleitor brasileiro: ?É Serra ou o caos.?

O candidato amanteigou-se, dizendo que Soros está preocupado com a estabilidade, e vê nele, Serra, o homem capaz de mantê-la. Mônica foi em cima: Soros está preocupado é com a estabilidade do dinheiro dele, do capital financeiro internacional, não do Brasil, da população brasileira. Serra acabou sustentando que essa estabilidade é boa para o Brasil também, que precisa de uma imagem geral de confiabilidade, mas a saia reta ficou, e estava na cara que ele não se sentia muito bem enfiado nela.

Nas partes em que tratou de programas de governo, esse ?Saia Justa especial presidencial? (nome que elas dão à série) foi igual aos outros programas com políticos. E, aí, é o programa que entra numa saia justa: ou ele fica igual, ou não fala de política como os outros. Se não fala, corre o risco de passar aquela imagem preconceituosa, de ?coisa de mulher?. Mas é justamente como ?coisa de mulher? que ele fica mais saboroso, pois só mulher tem a coragem de falar de ?futilidades? num terreno onde os homens são engravatados, ou seja, ao entrevistar um candidato à presidência da República, ousam falar de astrologia, ?primeira vez?, vaidade, plástica, olheiras, ginástica, pão-durismo. Resulta um perfil mais humano das pessoas que querem presidir o País.

Serra brincou com o próprio pão-durismo. Disse que FHC é mais sovina do que ele. No leilão do cachecol verde-amarelo tricotado ao vivo por Rita Lee, cujo maior lance estava em R$ 100, ele ofereceu R$ 101. Falaram de vaidade, Serra disse que FHC é mais vaidoso do que ele. O que move uma pessoa a ser candidato a presidente: vaidade? Serra acha que é ?fazer as coisas acontecerem? (deu a entender que os governos prometem, mas não fazem acontecer). De novo levado a comparar-se com FHC, afirmou que tem maior certeza do que a de FHC de que pode dar um jeito no Brasil.

O programa teve graças e galanteios. Para um homem apontado como antipático e ?personalidade difícil?, o candidato passou outra imagem. Num programa de canal aberto em emissora de boa audiência, somaria pontos. A certa altura, comentou-se que Rita o havia chamado de tartaruga durante um show. Em resposta, ele havia mandado três tartaruguinhas de broche para ela, que as usava ali no ?Saia Justa?. Rita falou que se sentia uma Virgínia Lane, que recebeu presentinho de Getúlio Vargas. E Serra lembrou que Getúlio e Virgínia trocaram mais do que presentinhos, ao que a roqueira respondeu, na lata: ?Eu sei, mas a gente pode conversar…?

Falaram de Viagra (?Se for necessário, eu usarei…? ?Você não usa remédio para dor de cabeça??), olheiras (?Fiz plástica… Não adiantou muito, né??), esteira (?Faço quatro vezes por semana, para manter a forma?), alma feminina (?Entendo só 20 por cento? – elas acharam o máximo) e outras amenas ?coisas de mulher?. Na parte ?séria?, Serra foi mais veemente ao falar da necessidade de abrir ?guerra total? ao tráfico, ocupar policialmente todos os lugares deles, criar o Ministério da Segurança Pública, criar ?uma espécie de PM federal? contra o tráfico e o contrabando. Mas num assunto que é crucial para as mulheres, o aborto, ele disse que é contra e elas deixaram passar batido. Foi o único senão das quatro moças.

Ainda um pouco de Copa

O canal Sportv repete as pautas da Globo, com aquela bobagem de ouvir torcedor nos intervalos e após os jogos. Como canal por assinatura, podia inventar algo diferente, dedicar-se mais às análises, e deixar aquele baticum popularesco para o canal de sinal aberto, no caso a Globo.

Um interessante tipo de contagem apareceu no Sportv, após o jogo Brasil x Costa Rica. Se todos os ?quase-gols? (bolas na trave, defesas espetaculares e perda de gols-feitos) fossem marcados, a partida teria sido 11 a 6 para o Brasil.

José Roberto Wright, comentarista de árbitros da Globo, sobre a atuação de Carlos Eugênio Simon no jogo Itália x México: ?Excelente?. Até a última quarta-feira, considerava-a uma das três melhores do Mundial.

Andrew Downie, correspondente do jornal ?The Times? no Brasil, perguntado no ?Bom dia Brasil? se torceria por nós contra a Inglaterra: ?Como bom escocês, torço para qualquer time que joga contra a Inglaterra.?"

 

"Band fará debates com presidenciáveis", copyright O Estado de S. Paulo, 10/06/02

"A TV Bandeirantes já fechou sua programação para as eleições e pretende abrir espaço para a discussão de temas de interesse público. Além dos tradicionais debates, a emissora vai promover várias rodadas de entrevistas com os candidatos.

No primeiro turno, serão dois debates – um com os candidatos à Presidência e outro entre os candidatos ao governo estadual. O primeiro deve ocorrer em 14 de julho ou em 4 de agosto e o segundo, em 21 de julho ou 11 de agosto.

As datas ainda dependem de acerto entre os candidatos. Segundo o diretor de jornalismo da Bandeirantes, Fernando Mitre, a produção propôs um programa de duas horas dividido em cinco blocos. Porém, a proposta está aberta à discussão. Em caso de segundo turno, serão realizados novos debates.

Na estréia do jornal Acontece, segunda-feira, começa uma rodada de entrevistas com candidatos ao governo. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) será o primeiro entrevistado, na segunda-feira. Em seguida, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), na terça. Na quarta será a vez do deputado José Genoíno (PT) e, na quinta, o ex-prefeito de Osasco, Francisco Rossi (PL).

Após a Copa, a emissora fará entrevistas com os presidenciáveis no Jornal da Band e no Jornal da Noite. No dominical Canal Livre já foram entrevistados Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS), no dia 16 será a vez de José Serra (PSDB), e, no dia 23, a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na segunda quinzena de julho, estréia o semanal Band nas Eleições, voltado à discussão de temas específicos. ?A opinião pública está mais exigente, pesquisas mostram que o eleitor está mais racional e menos emocional e, portanto, mais fiscalizador?, ressalta Mitre."

 

"Declarações", copyright Folha de S. Paulo, 16/06/02

"?O jornalista Clóvis Rossi, convidado do Council on Foreign Relations para um evento em Nova York em 6/6, violou a política de não-atribuição do Council on Foreign Relations, que foi declarada pessoalmente e por escrito a todos os participantes do evento. A política afirma que, ?excetuando indicações em contrário, as reuniões do Council não visam à atribuição de informações. Isso significa que os participantes podem usar livremente as informações recebidas nas reuniões, mas a identidade e a filiação (política) dos palestrantes ou de qualquer outro participante não podem ser reveladas nem tampouco se pode citar uma reunião do Council como sendo a fonte da informação?. Nossa política de não-atribuição se aplica não apenas às sessões propriamente ditas mas, conforme ditam o bom senso e a tradição, também às conversas informais e particulares mantidas nos corredores e nas salas de reunião do Council on Foreign Relations. Identificar-se como jornalista não constitui um acordo para divulgar quaisquer observações feitas ou ouvidas naquela noite, identificando seus autores, a não ser que a intenção de fazê-lo tenha sido claramente declarada e a autorização para tal, solicitada explicitamente. Simplesmente indicar que é jornalista ou usar um crachá de identificação de jornalista não constituem bases para passar por cima de nossa norma de não-atribuição nem se enquadram em quaisquer critérios jornalísticos existentes ou justificados dos quais eu tenha conhecimento.? Leslie H. Gelb, presidente do Council on Foreign Relations (Nova York, EUA)

Resposta do jornalista Clóvis Rossi – A informação que me foi transmitida limitava-se a vetar, como diz a nota do Council, o uso e a atribuição de informações ?recebidas durante as reuniões?. Uma conversa particular em um jantar, ou seja, fora da sessão, sobre tema que não dizia respeito à sessão (que tratava do terrorismo), não me pareceu coberta pelo veto, daí ter sido utilizada, levando em conta a importância das afirmações feitas pelo financista George Soros."

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