Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Ivan Angelo

Por lgarcia em 10/07/2002 na edição 180

COPA 2002

"Audiência garantida pela exclusividade", copyright Jornal da Tarde, 6/7/02

"Durante o mês de junho, fomos repetidamente informados pela Rede Globo sobre os seus altíssimos índices de audiência durante as transmissões dos jogos do Brasil. O tom era de triunfo, destacava-se que nas madrugadas e nas manhãs dos jogos 90% dos aparelhos ligados sintonizavam a Globo. Qual é essa de alardear resultados de um monopólio sem dizer que é monopólio? Como se fosse razoável se a Petrobrás saísse cantando vitória por ser a maior produtora de combustíveis do País. Já que era um monopólio, caberia à emissora, apenas, alardear a qualidade do serviço prestado, se fosse o caso.

Pode ser que, além do tom de triunfo, houvesse espanto e alívio no anúncio, por causa do horário e do vulto do investimento. Sim, 70 pontos de audiência (?mais do que Jade?, destacou o JORNAL DA TARDE) têm importância, significado. Mágicas do futebol misturadas com afirmação nacional, mais carências e frustrações para as quais a população busca momentos de compensação. É um fenômeno que não acontece com jogos olímpicos, não acontece com vôlei e basquete, não aconteceu no auge do automobilismo.

Noticiou-se que a audiência cresceu muito em todos os países envolvidos na competição. Mesmo quem não acompanha futebol viu, se interessou. Um dos motivos, creio, é que o futebol é uma linguagem de códigos simples, como o circo, a dança, a mímica. Não oferece dificuldades de compreensão, como muitos esportes. O objetivo de cada equipe é simples, o uniforme as define, os gestos e a dinâmica se explicam, as equipes se entendem e entendem o juiz, as regras mais específicas (escanteio, pênalti, impedimento) não chegam a atrapalhar quem não as conhece.

Parece que o jogo só tem mistérios para os norte-americanos. Na terça-feira passada, o programa de David Letterman (GNT, diário, 22h) recebeu vários jogadores do selecionado dos EUA, em razão das suas surpreendentes vitórias nesta Copa . O apresentador, representando o grande público americano, fez questão de demonstrar o mais completo desconhecimento de futebol, fez perguntas primárias. A prova a que ele submeteu os jogadores foi dar um chutão do terraço do prédio da emissora para a bola alcançar o prédio do outro lado da avenida. Nada a ver. Depois entrevistou o Danovan, goleador que virou estrela do time. Quis saber como foi que ele se interessou por aquela coisa esquisita, o ?soccer?. E ele: ?Mamãe que mandou, quando eu era garoto, me deu um uniforme e disse: vai gastar essa energia, menino!?

Está explicado por que, nos Estados Unidos, a audiência da Copa não foi tão grande, apesar dos êxitos da equipe.

Enquete sobre o Felipão

Saiu na ESPN Brasil de terça-feira o resultado da enquete da emissora, via e-mail e fax, se Felipão deveria continuar como treinador da Seleção Brasileira. Deu 70% de sim, 30% de não. Muito alta a rejeição a Scolari, considerando que dois dias antes, sob o seu comando, o Brasil conquistara o título mundial.

Não era quem eu disse

Leitor me corrige: o narrador que ?estava falando do conflito naval entre as duas Coréias e nem pôde narrar o gol turco de Sukur foi o Cléber Machado e não o Luiz Roberto?. Está corrigido.

Matéria clonada

O ?Globo Esporte? (Globo, 12h45) da última quarta-feira copiou uma matéria que o JORNAL DA TARDE havia publicado no dia anterior, no suplemento ?Jornal da Copa?. Cronometrou pessoas na rua no ato de vestir a camiseta da Seleção, com a qual o jogador Edmilson se enrolou durante 50 segundos no jogo contra a Alemanha.

Palavras traçantes

Cruzam no ar das entrevistas palavras traçantes como as balas das guerras de favelas. Deixam um rastro e não se sabe que objetivos atingiram. Primeiro foi a Marlene Matos, falando do fim da sua parceria com Xuxa: ?Foi um casamento e, como toda relação, pode acabar.? Mais recente foi Benedito Ruy Barbosa, autor da novela ?Esperança?, desmentindo boatos de brigas com o diretor Luiz Fernando Carvalho: ?É coisa de gente medíocre. Só pode ter saído de dentro da própria Globo.? A coisa lá para dentro não deve ser fácil."

 

"Folha diz que faturou R$ 5 milhões com a Copa do Mundo", copyright Cidade Biz, 3/7/02

"Segundo o departamento comercial do Grupo Folha, a empresa faturou R$ 5 milhões com a Copa do Mundo. A receita foi gerada pela venda de anúncios de oportunidade relativos ao evento e cotas de patrocínio do jornal.

De acordo com o departamento, o grupo conseguiu vender todas as cotas oferecidas ao mercado. Entre os anunciantes da Folha estavam Grupo Pão de Açúcar, Banco Real, Gradiente, Golden Cross e Hyundai.

No Agora, a cota foi comprada pelo Extra Supermercados. Do último sábado até esta segunda, a Folha de S Paulo contou com 40,15 páginas de publicidade, 6 a mais que seu principal concorrente, o Estadão.

Nas edições extras, que circularam todos os dias de jogo do Brasil jogou, saíram Fuji, China in Box, Mizuno, Extra, Golden Cross, Hyundai, Viagens CVC e McDonald?s. Casas Bahia e Dana patrocinaram o pôster da seleção dos jornais."

 

"Intolerância", coluna Banho-de-cuia, copyright Jornal dos Sports, 4/7/02

"Do rescaldo da Copa _ disso é que ainda seria dia de falar, hoje. Topo, entretanto, com um pequeno artigo do jornalista inglês Alex Bellos, em ?O Globo?, no qual descubro, desolado, que caíram de pau (para usar uma expressão bem brasileira) em cima dele porque ele fez críticas ao futebol brasileiro. Quer dizer, para essa gente que caiu de pau em cima dele, Alex Bellos, por ser inglês, ou, generalizando, por ser estrangeiro, não tem o direito de fazer críticas ao nosso futebol. Eis um grave caso de intolerância que devemos repudiar com dura veemência. Desse tipo de intolerância, estamos cansados de saber, é que nascem todos os fascismos na história do mundo. É impossível calar diante desse comportamento.

Não tenho a menor dúvida de que as pessoas que negam a Alex o direito de fazer críticas ao futebol brasileiro são certamente as mesmas que permitem caladas _ e até alegres _ que uma emissora de TV creio que americana chamada ?eme-tevê? se apresente aqui como ?ém-tivi?. Levei um susto ao descobrir isso outro dia, porque parei curioso nesse canal (chatíssimo, por sinal, na verdade insuportável) por não conseguir entender o que dizia o apresentador quando se auto-anunciava. Ora, nenhum brasileiro é obrigado a saber o alfabeto inglês. Concordar passivamente que um canal se anuncie assim no Brasil, passar-se para esse papel é que é curvar a espinha, é que é ser colonizado, é ser o bobo da corte de si mesmo, às gargalhadas. Repetir isso é que é uma vergonha. ?Ém-tivi? é a vovozinha!

Já o caso de Alex Bellos é exatamente o contrário. A ele devemos agradecer, e muito, por ter feito uma pesquisa séria sobre a maior paixão brasileira, o futebol. Alex foi fundo no assunto, debruçou-se até sobre os nomes dos jogadores _ modismos sazonais nas camadas mais humildes. Correu não só as grandes cidades, mas a secura do Sertão nordestino e a superumidade da Amazônia, para nos dar um livro de alto nível, ?Futebol ? The Brazilian Way of Life?, um livro como nenhum de nós tinha conseguido fazer até hoje.

Alex tem, sim, o direito de falar da bagunça que é o futebol brasileiro cinco estrelas. Tem tanto direito quanto eu, quanto qualquer jornalista brasileiro, quanto você, leitor, de falar com seriedade e espírito crítico do futebol dos Caixas d?Água, dos Farah, dos Euricos, Kléber Leites e Edmundos, dos Ricardos Teixeiras, das CPIs, das fraudes que, pentacampeões ou não, imperam em nosso futebol. Os que lhe negam esse direito devem adorar o Brasil que assassina Tim Lopes e com o qual o FMI é cada vez mais escorchante."

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