Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES >   INTERNET / PUBLICIDADE

Ivson Alves

Por lgarcia em 23/12/2003 na edição 256

DICAS LITERÁRIAS

“Leituras para o Bom Noel, versão 2003 – I”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 15/12/03

“Tradição é tradição e por isso, mesmo com atraso, mando mais uma vez minhas sugestões para quem quiser encher o saco do Bom Velhinho de livros neste Natal. Dessa vez, porém, resolvi ampliar o escopo das sugestões englobando também livros-reportagem e outros não diretamente ligados ao jornalismo. O primeiro grupo entra aqui por sugestão de um leitor, feita no ano passado, e o segundo porque, há algum tempo, tenho observado que os coleguinhas, e não só os jovens como se poderia esperar, não têm uma boa base teórica, principalmente em História, para entender o mundo de hoje. Nesta semana, boto os livros não-jornalísticos; semana que vem, entram os jornalísticos e os que parecem não-jornalísticos, mas que como foram escritos por coleguinhas acabaram se tornando reportagens gigantes.

Dito isso, vamos lá.

?Império? (Michael Hardt e Antonio Negri – Record) – O professor de Literatura da Duke University e o cientista social e filósofo italiano montam um painel sobre o mundo contemporâneo e o crescente domínio norte-americano, que eles consideram inevitável, mas que traria em si a gênese de sua própria destruição. As primeiras 80 páginas – nas quais os autores apresentam seu arsenal teórico – são dureza, mas depois o livro flui que é uma maravilha. Atenção especial às páginas 368 e 369, que muito nos interessam. A dupla italo-americana promete uma continuação da obra para este ano. Mal posso esperar.

?A Era dos Extremos? (Eric Hobsbawn – Cia. das Letras) – O velho homem de História inglês termina a sua viagem pela História Moderna, começada com a Era das Revoluções (você também deveria ler o resto da coleção, que ainda tem a Era do Capital e a Era dos Impérios, mas isso é projeto de mais longo prazo). Ele traça um apanhado do que foi o agitado e, segundo ele curto, século passado. Para uma perspectiva histórica mais subjetiva de Hobsbawn, uma boa seria ler ?Tempos Interessantes?, no qual ele conta sua vida tendo como pano de fundo os fatos históricos.

?Direita e Esquerda – Razões e significados de uma distinção política? (Norberto Bobbio – Editora Unesp) – O filósofo e político italiano refaz a história da distinção política que se consolidou durante a Revolução Francesa, analisa como ela se encontra hoje e especula sobre o seu futuro. Ótima pedida para um tempo em que nos querem convencer que a História acabou numa geléia geral tropicalista.

?1964 – A Conquista do Estado? (René Armand Dreifuss – Vozes) – Está a fim de saber como a ditadura militar foi estruturada no Brasil e ver como, desde o seu início, ela já apontava para o que acabou sendo? Pois então encare este livro de mais de 800 páginas, em que fofoquinhas não têm vez e o que vale é trabalho de historiador, sério e meticuloso. O maior problema é você achá-lo: pelo que sei está esgotado. Mas nas grandes bibliotecas devem ter.

?Versões e Ficções: o seqüestro da História? (Vários autores – Fundação Perseu Abramo) – Protagonistas da luta armada contam a sua versão do que foram os anos de chumbo no Brasil, usando como gancho o filme ?O que é isso, companheiro??, baseado no livro do mesmo nome escrito por Fernando Gabeira.”

 

TESE SOBRE O US

“?Último Segundo? é assunto de tese de jornalismo”, copyright Último Segundo (www.ulitimosegundo.com.br), 19/12/03

“O jornal eletrônico Último Segundo serviu de base de estudo para a jornalista Adriana Garcia em sua dissertação de mestrado. Adriana analisou as mudanças que a internet trouxe para o jornalismo e sugeriu os novos elementos com que os profissionais devem trabalhar para fazer um jornal na internet.

Os fatores novos apontados por Adriana são: o software de publicação de notícias, a interatividade com o leitor, o armazenamento de dados e o hipertexto (link). Essas quatro características não existiam no jornalismo antes da internet.

?O jornalista que trabalha na internet ainda está dividido: não trabalha com os quatro elementos tão bem quanto deveria e sofre porque não está fazendo texto com começo, meio e fim, como faria no jornalismo impresso?, afirma Adiana.

Para lidar com o conflito, a profissional sugere algumas saídas, entre elas que o jornalista conte ao leitor como a reportagem está sendo feita. ?No caso de um acontecimento inesperado, o jornalista deveria informar a audiência do acontecimento e avisar que a cobertura do assunto continua, que devem vir mais informações e que o outro lado ainda será ouvido, por exemplo?. Nas notícias seguintes, o leitor também deveria saber quantas vezes o assunto foi atualizado.

?A notícia na internet é um processo, não é um produto acabado. O jornalista precisa deixar isso transparente para a audiência?, recomenda.

Outros pontos, segundo Adriana, são aproveitar a interatividade com o leitor, criar um banco de dados e tomar cuidado para que a notícia tenha duração – e não sirva apenas para a informação imediata. ?O tempo imediato é importante, mas os jornalistas precisam descobrir como agregar valor à reportagem para que ela tenha importância também depois?, disse.

Adriana ressalta ainda a necessidade de criar caminhos de navegação para que a notícia seja acessada o máximo possível.

O historiador Sidney Leite, que fez parte da banca avaliadora, apontou a destruição da figura do jornalista para a sociedade, que teria ocorrido nos últimos anos.

?Nos meios de massa, a comunicação era feita de um para todos. Com a internet, a comunicação é de todos para todos. Não adianta o jornalista querer buscar um papel heróico na profissão. Ele tem que tentar ajudar as pessoas e mediar a comunicação entre todos?, concluiu Adriana.

Para as novas gerações

Quando era professora de jornalismo, Adriana percebeu que os estudantes tinham um bom preparo para trabalhar em jornal impresso, mas não recebiam os conceitos para atuar em um jornal eletrônico. Adriana resolveu então dedicar uma parte de sua dissertação a orientar como os estudantes ou novos jornalistas devem trabalhar na internet. ?É uma geração do meio: que nem aceitou o novo, nem se livrou do velho?, define.

?(A dissertação) é uma espécie de manual para que essa geração não se decepcione com o que se ensina na faculdade. Você cresce com figura heróica do jornalista e se prepara para ser repórter de jornal. Mas se você trabalhar na web como trabalharia em um jornal e não usar o que a internet oferece, a audiência vai se cansar?, disse.

Adriana escolheu estudar o Último Segundo por ser um jornal que existe apenas na internet, não tem suporte de nenhuma outro meio de comunicação – como jornal impresso, revista, televisão ou rádio -, nem possuía banco de dados antes de ser lançado.

?O Último Segundo fez tudo do zero. Experimentou muito, errou também, mas se tornou um caso de sucesso?, disse.

A dissertação, chamada ?Perdidos no espaço? Reflexões sobre o jornalismo e jornalistas na internet?, foi defendida neste mês na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Adriana Garcia foi aprovada com distinção e se tornou mestre em jornalismo.”

 

WEBJORNALISMO

“Mão na roda: capas de jornais na Web”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 16/12/03

“Sempre que ocorre um grande acontecimento, como a recente captura do ditador iraquiano Saddam Husseim, diversos sites do setor de mídia criam especiais mostrando a primeira página de jornais impressos. Desses sites, alguns são especializados em arquivar a capa dos principais jornais do mundo quando surge uma notícia de impacto.

Pegando a dica no portal Poynter.org, o Today?s Front Page, do Newseum.org, arquivou nada mais nada menos que cerca de 260 capas da manhã seguinte ao dia da captura. Os internautas podem baixar gratuitamente versões PDF das capas. O Brasil é bem representado no Today?s Fronte Page. Praticamente quase todos os principais jornais brasileiros estão lá.

Um dos sites mais conhecidos nesse estilo, o PressDisplay.com, arquivou não só as capas como também as edições inteiras de 160 jornais de mais de 40 países abordando a captura de Saddam. As réplicas digitais podem ser vistas em tamanho original e, apesar de o PressDisplay ser um serviço pago, você pode ver gratuitamente as capas. Dos jornais brasileiros arquivados no PressDisplay, é possível encontrar o Agora S. Paulo, a Folha De S.Paulo, a Gazeta Mercantil, O Estado de São Paulo, o Valor Econômico e o Zero Hora.

O PressDisplay.com, apesar de sua fama, é ?apenas? parte de um site maior, o NewspaperDirect, que faz entregas de cópias de jornais para assinantes. O serviço, requisitado por hotéis e empresas do mundo todo, é mais voltado para o setor corporativo, enquanto o PressDisplay.com seria uma versão para assinantes domésticos.

Qualquer um dos três sites acima podem ser considerados uma mão na roda para qualquer um que precisa fazer alguma pesquisa. Sejam estudantes, designers ou jornalistas que trabalham com editorias internacionais ou de políticas, para fazer uma comparação entre as abordagens de cada jornal, os layouts ou as formas como as informações são distribuídas, são um prato cheio.

Em tempo: Vale ler um curioso comentário de Steve Outing no Poynter.org sobre como a notícia da captura do Saddam veio em péssima hora para a mídia impressa: na manhã de domingo, quando os grupos de mídia já imprimiram suas edições. Outing conta que jornais de peso como o New York Times e o Washington Post tiveram suas edições de domingo entregues nas casas sem a notícia da captura de Saddam.”

 

INTERNET / PUBLICIDADE

“Publicidade online deve chegar a R$ 175 milhões”, copyright Meio e Mensagem, 15/12/03

“A E-Consulting, empresa de tecnologia e estratégia de negócios, em conjunto com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net), preparou um estudo sobre os investimentos em publicidade online no Brasil. De acordo com a pesquisa, o segmento deve movimentar R$ 175 milhões em 2003, com crescimento de 15,1% em relação aos R$ 152 milhões registrados em 2002, o equivalente a 1,5% do bolo publicitário total do País.

A expectativa para os próximos dois anos é de que o índice de crescimento anual, previsto pela E-Consulting, seja de aproximadamente 16%. Caso isso se concretize, a publicidade online deve atingir o montante de R$ 203 milhões em 2004 e R$ 235 milhões em 2005. Uma das tendências para o mercado online são os links patrocinados, que oferecem uma opção para atrair anunciantes que não podem pagar uma agência. Outro detalhe importante é a criação de novos modelos e formatos de propaganda digital, que deve ocorrer em breve com a integração das mídias convergentes, como TV digital, celulares e computadores de mão.

A E-Consulting espera também que o investimento em campanhas de comunicação na Web, que envolvem desde o lado institucional até a captação, fidelização e promoção, das cem maiores empresas anunciantes do País, registre a soma de R$ 312 milhões em 2003. Esse número engloba as somas online e off-line de campanhas cuja base primordial e conceitual seja a Internet, mas exclui números de investimentos em mídia online de ações cuja base conceitual seja outra mídia off-line, como TV, outdoors, mídia impressa e rádio.”

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