Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

PRIMEIRAS EDIçõES > "ESTOU PARA MORRER. PODEM PUBLICAR"

Jamil Nakad Junior e Ribamar Oliveira

Por lgarcia em 20/01/2001 na edição 105

“ESTOU PARA MORRER. PODEM PUBLICAR”

"Covas desafia doença, mantém agenda e marca inaugurações", copyright Valor Econômico, 17/01/01

"O governador de São Paulo, Mário Covas, mostrou ontem que está disposto, e muito, a manter- se à frente da administração do Estado, apesar do novo diagnóstico de câncer, agora na meninge, divulgado 24 horas antes. Participou de reunião semanal do Programa Estadual de Desestatização (PED); recebeu em audiência o secretário estadual de Recursos Hídricos, Mendes Thame, e o procurador-geral de Justiça, José Geraldo Brito Filomeno, e permaneceu no Palácio dos Bandeirantes até as 16h, cumprindo agenda completa.

Surpreso com a presença de jornalistas na reunião do PED, que nunca mereceu essa cobertura, o governador desabafou: ‘Estou para morrer, podem publicar no jornal’. Covas acabava de deixar a reunião e tentou sair da sala caminhando. Apesar do esforço não conseguiu ficar em pé e precisou ser ajudado por assessores, com quem chegou a reclamar. ‘Cuidado, assim vão quebrar meu braço’. O PED é considerado por Covas como um dos mais importantes programas de seu governo, mas ontem ele percebeu que era ele mesmo, e não o PED, o alvo da atenção da imprensa. Daí o desabafo.

Se depender de Covas, a imprensa terá de se desdobrar para acompanhá-lo daqui por diante. Depois da reunião ele fechou uma agenda que prevê viagens a municípios do interior de quinta-feira até a manhã de sábado. Vai inaugurar estradas vicinais, casas populares e núcleos de saúde familiar. ‘Vão conhecer seu governo’, brincou um assessor.

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em Vancouver, no Canadá, onde faz uma escala na sua viagem à Ásia, que conversou com o governador de São Paulo, Mário Covas, no sábado à noite. ‘Disse a ele que iria viajar e ele estava com um ânimo muito forte. Conversamos sobre o futuro, sobre o que nós vamos fazer, e eu disse a ele que, ao voltar da Ásia, iria vê-lo’.

‘Eu disse a ele que a torcida era minha, como amigo antigo e companheiro, e do Brasil inteiro’. De acordo com o presidente, o governador não admite outra hipótese que não seja continuar trabalhando. ‘E eu vou trabalhar com ele’. O vice-governador Geraldo Alckmin confirmou que Covas não vai se afastar do governo: ‘O governador é um guerreiro, exemplo que nos dá lições de vida. Não se cogita o afastamento’."

"Covas se irrita com assédio da imprensa: ‘Estou para morrer!’", copyright Tribuna da Imprensa, 17/01/01

"Irritado com o assédio da imprensa, o governador Mário Covas fez ontem um desabafo: ‘Estou para morrer. Podem publicar no jornal.’ Ele deixava uma reunião, no Palácio dos Bandeirantes, tentou sair da sala caminhando, mas não conseguiu ficar em pé e precisou ser ajudado por assessores, com quem reclamou. ‘Cuidado, assim vão quebrar meu braço.’

Covas deixou o local em uma cadeira de rodas e foi participar da reunião de conselheiros do Programa Estadual de Desestatização (PED), no Palácio dos Bandeirantes. Sorridente, o governador chegou ao Salão dos Pratos, local da reunião, acompanhado por assessores.

Na reunião, os conselheiros do PED discutiram trâmites jurídicos para a retomada da privatização da companhia de geração de energia elétrica Cesp Paraná. Cerca de uma hora antes, quando chegava para a reunião do Programa Estadual de Desestatização (PED), usando também a cadeira de rodas, Covas já havia demonstrado sua insatisfação com a imprensa. ‘Isso, vão fotografando, me mostrem sendo carregado e acabado.’

O secretário Estadual de Planejamento, André Franco Montoro Filho, que também preside o PED, afirmou que Covas demonstrou clareza de raciocínio e discernimento durante a reunião. ‘Ele mostrou total e absoluta clareza de pensamento, com a mesma rapidez e nível de exigência que o acompanham há seis anos’, afirmou o secretário.

Questionamento

Montoro Filho questionou as declarações do advogado Tito Costa, em entrevista a uma rádio, sobre a possibilidade de questionamento jurídico dos atos administrativos do governador. Segundo Montoro Filho, o problema de confusão mental demonstrado pelo governador em evento realizado na semana passada foi ‘um episódio que não será repetido’.

Montoro reafirmou as explicações médicas e confirmou que os problemas ocorreram por causa de uma mistura de remédios. ‘O afastamento não se justifica. Ele está no pleno exercício do poder, fazendo todas as coisas com discernimento’, disse.

A questão física da dificuldade de locomoção, na avaliação de Montoro, não impede Covas de continuar exercendo o governo. Para Montoro, ao tentar mostrar aos jornalistas que poderia andar, Covas simplesmente deixou claro que nada mudou. ‘Ele é transparente e ao mesmo tempo tem uma grande força de vontade para vencer as dificuldades. Esse é o modo de ele resolver as coisas, é a marca do governo dele.’

Montoro rejeita a idéia de que ao cobrar soluções rápidas do secretariado, Covas tema pela piora da sua saúde. ‘Esse é o jeito dele: extremamente participante, cobrando ações dos secretários. Ele procura resolver logo as coisas.’

Entre a primeira e a segunda participação na reunião do PED, Covas recebeu em audiência o secretário estadual de Recursos Hídricos, Mendes Thame, e o procurador-geral de Justiça, José Geraldo Brito Filomeno.

Alckmin se recusa a responder se assumirá

O vice-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se recusou a responder perguntas sobre a possibilidade de estar preparado para assumir o governo de São Paulo, substituindo o governador Mário Covas, em uma eventual licença médica. O governador está com câncer na meninge, membrana que envolve o cérebro. O resultado foi apontado em exame de líquor, que mostrou a presença de células neoplásicas.

‘Nem o governador nem a equipe médica, cogitam o afastamento’, disse Alckmin. Segundo o vice-governador, ‘Covas é um guerreiro e vem trabalhando normalmente’. Ele ressaltou que o governador tinha uma extensa agenda para cumprir e que começou a trabalhar cedo, presidindo a reunião do Programa Estadual de Desestatização (PED), no Palácio dos Bandeirantes.

Alckmin disse que está representando Covas em eventos externos, como a abertura da Couromoda, do qual participou de manhã. Sobre a recuperação do governador, ele disse manter o otimismo. ‘Sou médico e sei que a Medicina evoluiu muito.’

Alckmin agradeceu, durante seu discurso na abertura da Couromoda, no Anhembi, as ‘palavras de estímulo’ ao governador Mário Covas. O vice-presidente da República, no exercício da Presidência, Marco Maciel, também transmitiu a Covas votos de restabelecimento.

Governador se recusa a diminuir agenda

O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), tem vários compromissos agendados para os próximos dias. Aos 70 anos, Covas descobriu há dois dias que tem câncer na meninge (membrana que envolve o cérebro). Ele se recupera de uma colostomia, cirurgia para extração do reto. Apesar das dificuldades de locomoção, o governador tem procurado participar dos compromissos agendados.

Hoje, às 11h30, Covas participará, no Palácio dos Bandeirantes, da posse do novo secretário da Fazenda, Fernando Dall’Acqua. Amanhã estará, às 10h, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, para a entrega de 81 unidades habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

Logo depois, às 11h30, ele se dirige para Pirapora do Bom Jesus, na região de Sorocaba, para entregar 11 quilômetros de pavimentação da rodovia que liga a cidade à Rodovia SP-380.

Na sexta-feira, o governador estará, às 10h, em São Vicente, na Baixada Santista. Ele fará a entrega de 72 unidades habitacionais do conjunto México 70. No sábado, às 10h, em Suzano, na Grande São Paulo, Covas entregará quatro quilômetros de obras na SP-66. Às, 11h30 voltará à capital, onde inaugurará, em Lageado, na Zona Leste, o programa Qualis-médicos de família.

Mais mensagens pela recuperação são enviadas

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, ontem, em Vancouver, no Canadá, antes de embarcar para Seul, Coréia do Sul, que está torcendo pela recuperação do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB) e que ‘a torcida é do Brasil inteiro’.

O presidente disse que só conversou com o governador no sábado passado, quando marcaram um encontro para a volta de Fernando Henrique: ‘Ele sabia que eu ia viajar, conversamos sobre o futuro e ele estava muito forte.’

Segundo o presidente, Covas disse que vai ‘continuar nos trabalhos’, normalmente. ‘Notei (nele) uma disposição muito forte para continuar lutando contra a moléstia’, relatou o presidente, acrescentando: ‘Nós somos a torcida, coisa que, aliás, disse a ele – que a torcida era minha como amigo antigo, companheiro e amigo dele, mas a torcida é do Brasil inteiro’, declarou Fernando Henrique.

‘De modo que nós temos de imaginar que ele vai continuar lutando e que nem passa na cabeça dele qualquer coisa que não seja continuar trabalhando, e eu vou continuar com ele’, completou.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, enviou ontem mensagem de solidariedade ao governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). Na mensagem, o ministro elogia a ‘valentia’ do governador e pede a Deus pela recuperação dele.

‘É com orgulho que verificamos a sua valentia no combate à moléstia que, em razão dessa mesma valentia, o ilustre governador e prezado patrício vem vencendo com galhardia. Pedimos a Deus pela sua completa recuperação, para alegria dos brasileiros, pelo bem do Brasil’, diz Velloso, na mensagem.

Maluf

O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) divulgou na tarde de ontem, por meio de Assessoria de Imprensa, a seguinte nota de solidariedade ao governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB): ‘Estando ausente do Brasil e ciente dos fatos noticiados pela equipe médica do governador Mário Covas, sobre o seu estado de saúde, quero manifestar a minha convicção de que a sua conhecida força de vontade e os desígnios de Deus farão com que esta fase difícil para ele, sua família e todos nós, será plenamente superada.’"

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