Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

PRIMEIRAS EDIçõES > ELEIÇÕES 2002

Janio de Freitas

Por lgarcia em 23/10/2002 na edição 195

ELEIÇÕES 2002

“Os efeitos do sucesso”, copyright Folha de S. Paulo, 20/10/02

“O grande sucesso da semana não teve sucesso, mas gerou até imprevisíveis efeitos de ordem comercial, bem além do seu propósito eleitoral e da confusa discussão que provocou.

Embora aliados e aliadas de José Serra publicassem que sondagens indicavam melhoria da sua posição, sugerindo eficácia da representação ideológica de Regina Duarte, o estado-maior do candidato captava uma certeza cruel. A sonoridade provocada pela atriz foi a esperada, desde a primeira entrada na segunda-feira, mas com os sinais inesperados. Na expectativa de que os efeitos pretendidos viessem pela insistência, a representação foi repetida na terça-feira e, já com relutância, ainda na quarta. Nesse dia, a sondagem de repercussão sentenciou: Regina Duarte tinha que ser retirada. Já o programa de quinta-feira foi modificado.

Era tarde, a julgar pelo ocorrido em cinco dias, de segunda a sexta, dos quais três com Regina Duarte: nos votos em geral, a distância entre José Serra e Lula da Silva subiu de 26 para 29 pontos, com o primeiro repetindo os 32 pontos da semana anterior e o petista passando de 58 para 61. Nos votos válidos, distância aumentada em de 28 para 32 pontos, com Lula subindo de 64 para 66 e Serra caindo de 36 para 34. Tudo isso na aferição do Datafolha concluído na sexta.

Não foi só. Alheio à campanha de Serra, outro estado-maior passava por efeitos dramáticos criados pela atriz. Não o comando da campanha de Lula, está visto por quê, mas o da Telemar, a telefônica que opera na maior parte do país. Estava tudo pronto para o lançamento, em princípio na terça-feira, de uma vasta campanha publicitária da empresa, quando na véspera, em cima da hora, desastre à vista.

À vista de quem estivesse vendo o programa lançado pela campanha de Serra e depois visse a campanha da telefônica: a personagem central da pesada propaganda política atingia letalmente a suave personagem da publicidade comercial. Eram a mesma. E nenhuma promessa de bons serviços evitaria, nos 76% que votaram contra José Serra, deduções negativas para a empresa.

A Telemar e seus publicitários perceberam com mais presteza do que os marqueteiros de José Serra que, a par do desejo amplamente majoritário de mudar o que o atual governo representa, o eleitorado se mostrara cansado de ataques no estilo collorido. O que resultara contra Roseana Sarney e Ciro Gomes, com a contribuição decisiva de ambos, ao voltar-se contra Lula não funcionou. Apesar disso, a campanha de Serra ainda conta com seis dias para atacar Lula e já mostrou que nesse propósito não reconhece limites rígidos.

O efeito mais geral da atitude de Regina Duarte foi positivo. Evidenciou uma confusão de conceitos e de idéias que explica muito do Brasil atual. A questão suscitada pela atitude de Regina Duarte não é a liberdade de expressão, invocada por tantas pessoas respeitáveis com argumentos como ?ela tem o direito de dizer o que quiser?, estão fazendo ?patrulhamento? -essa expressão fascistóide para fugir a críticas-contra ela, e por aí afora.

A questão suscitada foi a da ética na liberdade de opinião. E não consta que seja ético atribuir, sem expor nem o mínimo fundamento, intenções malignas que justificassem a frase ?tô com medo?, que nem era a afirmação de um estado de espírito, mas o claro intuito de induzir um medo não justificado mas que influísse no exercício da cidadania por outros. Afirmar que Lula, se eleito, vai ?jogar na lata de lixo? tudo o que é bom, é usar de mentira, é desonesto.

Regina Duarte e qualquer outro goza do direito de ir à TV e dizer por que prefere tal candidato e por que não vota em tal outro. Mas, se isso implica julgamento de valor, o ?por que? é fundamental. E nem mesmo ele torna absoluto o ?direito de dizer o que quiser?: em um exemplo extremado para ser ponto final, alguém tem o direito de ir à TV sugerir a crianças que experimentem drogas?”

“Ministro vai anular concessão de TV de Gugu”, copyright O Estado de S. Paulo, 22/10/02

“O ministro das Comunicações, Juarez Quadros, anunciou ontem que vai anular o contrato de concessão da Pantanal Som e Imagem Ltda., emissora de televisão de Cuiabá (MT) que foi adquirida pelo apresentador do SBT Gugu Liberato. O ato de Juarez Quadros deve ser publicado hoje no Diário Oficial da União, e a empresa terá cinco dias úteis para apresentar sua defesa.

A decisão do ministro foi tomada após denúncia recebida em agosto deste ano, segundo a qual teria havido irregularidade na licitação da concessão. O vencedor da disputa não havia sido Gugu Liberato, mas sim Mauro Uchaki e Irinéia Moraes Silva, que constavam como os únicos cotistas da empresa durante a licitação.

A consultoria do ministério analisou o processo e confirmou que quem assinou o contrato de concessão, em 23 de agosto último, foi Fátima Aparecida Macioni Bragato Gruber, na qualidade de procuradora de Antônio Augusto Moraes Liberato, o Gugu.

O parecer recebido pelo ministro lembra que a concessão é outorgada ?em razão das pessoas?. E alega que a União tem de fiscalizar qualquer alteração de controle das empresas que exploram os serviços de radiodifusão.

Fraude – De acordo com o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão, a transferência de concessões e autorizações só pode ocorrer após cinco anos. O parecer acusa de fraude a troca de controladores da empresa de TV, e propõe que seja declarado nulo o contrato de concessão, por padecer de ?vício de legalidade?. O ministro acolheu o parecer. (Agência Estado)”

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