Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > DIFAMAÇÃO

Jantarzinho seleto

Por lgarcia em 31/07/2002 na edição 183

REVERENDO MOON

Muitos jornais deixam de publicar anúncios com informações que podem ser falsas. Imagine-se então no lugar de um editor que precisa decidir se permite que saia um texto no qual é descrito um jantar de Natal com a presença de Jesus, Maomé, Confúcio, Buda, Martinho Lutero e John Harvard. Esse desafio foi vivido recentemente em algumas redações do EUA, reporta o New York Times [22/7/02].

Na tal festa ? que teria acontecido "no mundo dos espíritos" ?, as pessoas ilustres presentes juraram fidelidade ao reverendo Sun Myung Moon, fundador da Igreja da Unificação. Jesus o saudou como o Messias, e Maomé, logo em seguida, fez três brindes à vitória. Deus não foi, mas mandou um bilhete confirmando os dizeres de seu filho Jesus. Outros que só mandaram recado foram os líderes comunistas. Lênin escreveu que está passando por "sofrimento e agonia inimagináveis" pelos erros que cometeu em vida. Stálin complementou: "Estamos no fundo do inferno."

Pelo menos dois jornais, The New York Times e The Portland Oregonian, não publicaram a peça. "Se Moon tivesse dito que é o Messias, teríamos publicado. Mas quando escreve que Jesus Cristo disse que ele é o Messias, não posso checar a veracidade", explica Fred Stieckel, editor do Oregonian. O Times não aceitou porque considerou que muitos leitores ficariam ofendidos.

Entre os que toparam reproduzir a descrição do jantar do reverendo estão The Daily News, The Boston Herald, The Philadelphia Inquirer e Los Angeles Times. Ira Ellenthal, editora associada do Daily News, de Nova York, conta que decidiu aceitar a proposta depois de consultar o departamento jurídico. "Consideraram que não havia nada de repreensível". A Federação Internacional para a Paz Mundial e Unificação, autora do anúncio, declarou que não pediu às pessoas que acreditassem no texto: "Apenas o publicamos".

INTERNET

Pesquisa da Pew Internet and American Life Foundation mostra que o número de americanos que buscam emprego na rede mundial aumentou muito desde 2000. Naquele ano, 32 milhões já haviam procurado alternativas profissionais na internet. Em 2002, o número chegou nos 52 milhões, o que representa crescimento de 60%. Segundo a Pew, o dado é resultado de dois fatores: o aumento no total de internautas e a crescente taxa de desemprego. As pessoas que estão sem trabalho são as mais propensas a tentarem algo na internet. Mais da metade dos desempregados americanos são internautas e, destes, em média, 10% buscam emprego por dia. Dos que estão empregados, apenas 4% por dia procuram outro trabalho conectados.

Em análise etária foi verificado que os jovens são os maiores adeptos da busca online por emprego: são 61% na faixa dos 18 a 29 anos , contra 42% na de 30 a 49 anos e 27% na de 50 a 64%. Comparando dados econômicos, concluiu-se que os "ricos" são os mais propensos. Moradores de casas em que a renda conjunta supera US$ 75 mil/ano e pessoas com formação universitária têm mais o hábito de procurar na rede. Em estudo étnico, uma forte discrepância: 60% dos negros e hispânicos já tentaram encontrar trabalho na internet, enquanto entre os brancos esse índice é de apenas 4%. De acordo com Marty Beard [Media Life Magazine, 19/7/02], os homens americanos são mais conectados que as mulheres na hora de pesquisar emprego: 50% contra 44%.

DIFAMAÇÃO

A emissora pública britânica BBC está lutando na Justiça para evitar o pagamento de uma multa de 10 milhões de libras (mais de US$ 15 milhões) por ter sugerido que uma mineradora de diamantes do Congo tinha ligações com a organização terrorista de Osama bin Laden. A matéria, que foi ao ar no dia 31 de outubro, questionava se Mohamed Kalfhan, preso em 1998 por ataques a embaixadas americanas na África, não seria o mesmo Kamal Kalfhan, acionista da Oryx Natural Resources. Infelizmente para a emissora, não, informam Matt Wells e Lisa O’Carroll [The Guardian, 18/7/02]. A BBC não procurou a empresa antes de exibir a reportagem e confiou na palavra de um "especialista em segurança".

A rede já pagou multa de seis dígitos a Kamal pelo erro e pediu desculpas três semanas depois. A mineradora a está processando por difamação, alegando que perdeu clientes, fornecedores e credibilidade. Só agora, nove meses depois, a BBC admitiu que a matéria caluniou a empresa, mas disse que vai contestar a soma pedida.

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