Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Joeldson Alves e Evelson de Freitas

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

ELEIÇÕES 2002

"Produção vira guerra paralela de marqueteiros", copyright O Estado de S. Paulo, 21/07/02

"Por trás das telas, os maiores marqueteiros do País vão travar uma batalha tão ou mais acirrada do que a disputa presidencial. Talento, criatividade e a capacidade de transmitir com sucesso mensagens a eleitores com origens e interesses diferentes são armas estratégicas, pagas a preço de ouro por todos os partidos.

O poder de convencimento dos publicitários é comparável ao tamanho de seus egos. Especialmente no caso dos responsáveis pelas candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB): os baianos Duda Mendonça e Nizan Guanaes. Einhart Jacome da Paz e Carlos Rayel, das campanhas de Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB), têm perfil mais discreto. Einhart é velho conhecido de Ciro e seu cunhado. Rayel convive com Garotinho há apenas um mês.

Duda e Nizan já deram mostra da guerra paralela que vão travar. Durante um seminário sobre marketing político em São Paulo, em abril, Nizan ainda não havia sido incorporado à campanha tucana, mas defendeu sua proposta com tanta paixão – só comparável à de Duda – que os dois brigaram feio. Bateram boca, acusaram-se de incoerentes e tiveram de ser apartados pela mediadora.

A relação de Duda e Nizan é uma mistura de amor e respeito marcada pela necessidade de o aprendiz superar o mestre e este, por sua vez, manter sua superioridade. Nizan começou na publicidade como estagiário da DM9 de Duda, chegou a sócio do ex-patrão e depois assumiu o comando da agência.

No prefácio que fez para o livro autobiográfico do colega, Duda Mendonça, Casos & Coisas, Nizan cita Duda como pai e encerra o texto dizendo que ?o fato de amar Duda e celebrar seu talento não significa dar-lhe um cheque em branco. Pais e filhos se amam, mas resguardam seus estilos, suas convicções e até mesmo versões diferentes de um mesmo fato?.

Duda também se refere de forma carinhosa a Nizan no livro: ?(..) chegou à minha agência, num belo dia, um garoto gordinho, moreno, de nome esquisito. Nervoso, falador, cheio de idéias, dono de um excelente texto. Não era do tipo que passava despercebido. Logo, logo estava do meu lado, como meu braço direito.?

Rayel, ex-colaborador de Orestes Quércia (PMDB), e Einhart, que já trabalhou com Nizan na campanha de Fernando Henrique Cardoso em 1994, evitam comentários sobre seus maiores adversários. ?Eles têm equipes grandes, problemas deles. Não vou arrumar uma briga com o Nizan e o Duda. Eles fazem o que fazem e são pagos para isso?, esquiva-se Einhart.

Engana-se quem imagina que marqueteiros e políticos vivem de mãos dadas o tempo todo. Nizan e Serra, por exemplo, têm a relação mais conturbada do grupo. Os dois trabalharam juntos a contragosto na corrida pela Prefeitura paulistana em 1996 e Nizan deixa claro que, se pudesse, escolheria como candidato à Presidência Tasso Jereissati. A primeira escolha de Serra para esta campanha foi um amigo e ex-parceiro de Duda, Nelson Biondi. Nizan entrou a pedido de Fernando Henrique.

Comunicativo – Carlos Rayel e Garotinho se conheceram em São Paulo, há um ano, e encontraram-se algumas vezes. Em junho, Garotinho convidou Rayel a se transferir para o Rio. Passaram a conviver já na correria da campanha. A experiência de radialista faz diferença com Garotinho. ?Ele tem idéia para comerciais, liga no meio das viagens para falar de uma sugestão que ouviu e gostou. Está o tempo inteiro atento. E, como é comunicador, tem grande facilidade para falar com o público?, diz Rayel, que está em sua 26.? campanha eleitoral.

Einhart Jacome da Paz admite que suas relações familiares com Ciro podem atrapalhar. Ele é casado com Lia Ferreira Gomes, irmã do candidato. ?Sou muito amigo da família de minha mulher?, explica. ?É um problema como profissional, mas também um bônus, o de poder conversar com ele a hora que quero.? Os dois conversam por telefone diariamente, até três vezes por dia.

Acertam detalhes, discutem o andamento da campanha. O marqueteiro analisa a imagem do candidato na mídia. Ele dá orientações, embora nem sempre sejam seguidas.

Lula e Duda vivem um caso de amor à parte. Embora possam discordar, tornaram-se amigos. ?Gosto muito do Duda. Ele descobriu o Lula como o Lula é?, resume o petista sobre seu marqueteiro. Os dois se conheceram em 1992, apresentados pelo jornalista Ricardo Kotscho, e Duda só não trabalhou antes por resistência do PT, já que havia cuidado de campanhas malufistas vitoriosas. Por respeito ao cliente e carinho com o amigo, Duda até trocou a máquina de café de sua agência por uma de café expresso, que Lula adora. (Mariana Caetano, Vera Rosa, Eduardo Nunomura e Luciana Nunes Leal)"

 

"CVM fiscalizará ação de quem patrocinar pesquisa", copyright Folha de S. Paulo, 18/07/02

"A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu apertar o cerco a pessoas ou grupos que estejam utilizando pesquisas eleitorais para obter ganhos no mercado financeiro. A partir de hoje, todas as instituições financeiras que contratarem uma pesquisa terão de informar imediatamente à autarquia e terão suas operações monitoradas até que o resultado do estudo seja divulgado.

?Será acesa uma luz amarela e todas as operações feitas pela instituição serão acompanhadas pela CVM?, alertou Luiz Leonardo Cantidiano, que tomou posse na presidência da autarquia na segunda-feira. Quem não informar em até 24 horas à comissão da compra da pesquisa será multada em R$ 1 mil por dia.

Especulações com pesquisas eleitorais que provocaram alterações no mercado financeiro já estão sendo investigadas desde o mês passado. A CVM já pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dados detalhados sobre algumas dessas pesquisas e pretende cruzá-los para identificar se houve manipulação de preços com essas informações.

Distorções – Com as novas regras, a comissão espera evitar esse tipo de manobras no período pré-eleitoral. Além de obrigar as instituições a informar sobre a compra de pesquisa, a deliberação 443 adverte que o uso das pesquisas pode caracterizar prática não eqüitativa, mecanismo que está sujeito a penalidades como a inabilitação do participante, multa de até R$ 500 mil ou três vezes o ganho obtido ou a perda evitada.

Cantidiano revelou que a autarquia vai monitorar todo o movimento feito por instituições financeiras que contratarem pesquisa e também do mercado em geral. Segundo ele, um banco ou corretora pode comprar uma pesquisa para uso próprio, mas é irregular comprar pesquisa, operar no mercado para forçar uma tendência com base no seu resultado e, só então, divulgar os dados e obter lucros. ?Isso é prática não eqüitativa. Alguém opera tendo uma informação de que o restante do mercado não dispõe?, explicou.

Será investigado ainda se alguém está operando através de outra instituição.

?Todos os que estão sob o poder de polícia da CVM podem ser punidos?, explicou Cantidiano."

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