Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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João Caminoto

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

ELEIÇÕES 2002

“Economist? prevê ?mudança de direção? se Lula for eleito”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/10/02

“A revista inglesa The Economist dedica sua capa desta semana às eleições presidenciais brasileiras, estampando uma foto do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a revista, como o Brasil é quarta maior democracia do mundo, suas eleições são muito importantes para toda comunidade internacional. ?A votação acontece no momento em que o Brasil e a maior parte da América do Sul tremem na beira de outro desastre financeiro, induzido por suas dívidas, com o potencial de adicionar mais nervosismo para a debilitada economia mundial?, diz o editorial.

A Economist refere-se a Lula como ?o mais provável vencedor?, que não é ?mais um representante das elites privilegiadas no Brasil?, mas sim um ex-metalúrgico, que lidera o maior partido de esquerda na América Latina. Uma vitória dele representaria, diz a revista, ?uma indiscutível mudança de direção?.

Segundo a Economist, ?a vitória de Lula seria um triunfo? para a democracia brasileira. ?Numa região há muito tempo governada por generais ou poderosos, isso seria inimaginável não muito tempo atrás?, diz o texto. ?A história da vida de Lula é uma saga de mobilidade social que merece uma novela.?

A revista salienta que dois fatores tornam a vitória de Lula possível. ?Uma é que sob o comando do presidente Fernando Henrique o Brasil se aproximou do ponto de se tornar uma democracia moderna estável com algumas instituições sólidas. O outro é que Lula moveu o seu partido para o centro.?

A Economist, no entanto, alerta que ?a Presidência de Lula vai se sustentar ou cair dependendo de seu gerenciamento da economia?. Para a revista, as reformas promovidas por Fernando Henrique foram insuficientes e o gerenciamento da dívida do País ?ameaça ficar fora de controle?. ?Em contraste às últimas crises da dívida, a maioria dos credores desta vez não são bancos estrangeiros mas sim bancos brasileiros e fundos de pensão. Isso significa que algum tipo de reestruturação voluntária da dívida poderá ser possível, mas também que boa parte de qualquer moratória seria sentida no mercado doméstico.?

Para a revista, outra fonte de preocupação com um eventual governo de Lula seria as políticas que ele poderá implementar. ?A sua conversão à realidade econômica é muito recente para não gerar dúvidas e mesmo a sua genuína inexperiência poderia levar a erros.? Segundo a revista, a grande conquista de Fernando Henrique foi ?tornar o Brasil governável? e ?manter isso, sem o excesso de acumular mais dívida, não será fácil?.”

 

“Jornalista é encontrado crucificado no Piauí”, copyright O Globo, 5/10/02

“O jornalista Felipe Santolia, de 30 anos, foi encontrado crucificado numa árvore e baleado na coxa direita, na madrugada de ontem, numa estrada no município de Joaquim Pires, a 200 quilômetros de Teresina. Quando foi encontrado por moradores da região, Santolia estava com a mão esquerda perfurada por prego, a mão direita amarrada com arame farpado e sangrando na coxa.

Anteontem, no programa que apresentava na rádio Chibata, de Esperantina, Santolia tinha prometido divulgar uma fita que provaria a compra de votos por candidatos do PMDB aliados ao PT na disputa pelo governo do Piauí. O jornalista estava trabalhando na região de Esperantina para as candidaturas do governador Hugo Napoleão; do presidente regional do PFL, Júlio César Lima, que disputa vaga para a Câmara dos Deputados; e de Maria José Leão, candidata a deputada estadual.

Jornalista diz ter sido vítima de emboscada

Santolia está internado no Hospital Getúlio Vargas e não corre risco de morrer. Ele disse que foi se encontrar com uma família de 18 pessoas em Esperantina, mas foi vítima de emboscada quando tentou socorrer dois motociclista que estavam na beira da pista.

– Um deles me deu uma gravata por trás e o outro me jogou ao chão. Quando eu fui tomar sentido das coisas estava pregado em uma árvore e amarrado com arame farpado. Deram-me dois tiros e saíram para pegar gasolina para me queimar vivo. Foi quando apareceram algumas pessoas para me salvar – afirmou Santolia.

O jornalista comanda um programa de grande audiência na Região Norte do Piauí. No ano passado, quando a Polícia Federal e os técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foram fechar a rádio Chibata FM, por falta de alvará de funcionamento, os agentes foram cercados e tiveram carros depredados em protesto contra a punição à emissora. Santolia também preside a ONG Associação de Defesa da Cidadania e Combate à Corrupção. Mesmo após o ataque sofrido, o jornalista diz que levará ao ar as denúncias.

– São várias fitas, uma delas mostra a compra de votos pelo deputado federal Themístocles Sampaio Pereira. Ele próprio comprando votos. Em outra, o vereador Jânio Aguiar, aliado de Ismar Marques (candidato a deputado estadual pelo PSDB), compra votos e obriga os eleitores a assinarem notas promissórias – denuncia Santolia.

Para deputado, Santolia é um psicopata

Depois do atentado, três homens foram presos acusados de depredar uma casa em Esperantina. A residência teria equipamentos capazes de impedir a veiculação da programação da Chibata FM.

Themístocles Sampaio negou a acusação. Segundo ele, Santolia teria sido encontrado pedindo socorro em uma estrada, e não amarrado uma árvore. O filho de Sampaio, o deputado estadual Themístocles Filho (PMDB), disse acreditar que Felipe Santolia criou um fato político:

– Ele é um psicopata.

O coordenador da campanha do PT ao governo do estado, Joaquim Almeida, disse que não aceita as acusações contra o partido. Segundo ele, os petistas do Piauí sempre foram vítimas de perseguição e violência. O coordenador acredita que o atentado é ?coisa de política do interior?.”

 

“O debate da Globo não quis ser decisivo”, copyright Jornal da Tarde, 4/10/02

“O debate sobre o debate, ou seja, a discussão na TV Cultura sobre o último debate entre os candidatos a presidente, iniciada antes mesmo de a Globo encerrar seu programa na madrugada de ontem, salientou um ponto: não houve elementos suficientes para os indecisos tomarem afinal uma posição.

A Cultura reuniu um grupo competente para analisar o desempenho dos candidatos: a analista de pesquisas Fátima Pacheco Jordão, o jornalista Luís Nassif, o publicitário Mauro Salles, o cientista político Carlos Novaes e o apresentador e jornalista político Dirceu Brisola. Todos acham que haverá segundo turno.

Para Salles, o debate foi ?morno, insípido, quase incolor?. Nassif opinou que ele serviu para deixar patente que no segundo turno Lula vai ter de tomar posições claras e Serra vai ter de se definir sobre o governo FHC. Para Novaes, o debate foi o coroamento da campanha, nele não surgiram dados novos, a não ser a atitude e as emoções de cada candidato, elementos que poderão influir. Ele acha que quem já era Lula continua, e que o debate poderia atuar eventualmente apenas sobre parcela dos 10% de eleitores que o petista ganhou durante a campanha. Brisola e Jordão também não acreditavam que o debate pudesse influir nas decisões.

Para quem iriam os votos de Garotinho e Ciro no segundo turno? Novaes acredita que nenhum dos dois tem ?liames institucionais? com seus eleitores, não são donos dos votos deles, não têm uma ?dinâmica orgânica? com seus eleitores.

E quem teria ganho o debate? Para Nassif, Serra e Lula destacaram-se, mas Serra foi mais eficaz; Salles, depois de enaltecer a empatia de Lula e de chamá-lo ?ícone?, apontou Serra; Novaes disse que Serra e Lula saíram-se bem; Brisola ficou com Lula e Serra, mas pressionado por Salles destacou Serra; Fátima preferiu Serra.

Nem o debate nem a sua discussão deverão ter muita influência no pleito. A audiência não é grande após as 22h30; de madrugada, é muito pequena para ter alguma influência; quem pegou o debate no começo não teve motivos para continuar ligado e ouvir tudo que já fora dito no horário gratuito; os candidatos, advertidos repetidamente pelo apresentador William Bonner, não ?esquentaram? a discussão.

Se o programa fosse realizado no horário nobre, na hora da novela, o impacto seria outro. Mas nem a Globo nem os candidatos procuraram tornar o último debate político do primeiro turno num fato decisivo.

Excesso de debates

O programa da Globo, muito bem produzido e conduzido, sofreu o problema da repetição. Nos últimos dois meses, foram tantos os confrontos entre candidatos e tantas as entrevistas, que o eleitor se perde e se desinteressa. Informação demais.

Com o segundo turno, começa tudo de novo. Mas, como disse o publicitário Mauro Salles, segundo turno é outra eleição. Esperemos que seja também outro o modelo de debate.

Morte anunciada?

Muito boa a reportagem de Edney Silvestre sobre o petróleo mundial, no contexto do conflito entre George W. Bush e o Iraque de Saddam Hussein. Foram mostradas não apenas as necessidades de hoje, mas também as futuras, incluindo o crescimento do consumo nas economias emergentes da China e da Índia. Esses dois países consumirão, juntos, um quinto da produção mundial em 2010.

A matéria foi apresentada no ?Bom Dia Brasil? (Globo), que trouxe também uma detalhada entrevista com o brasileiro Roque Montelone Neto, ex-inspetor de armas da ONU, que trabalhou nas equipes que vasculharam armas químicas e biológicas no Iraque. ?A estrutura antiga foi destruída?, garante. Havia monitoramento contínuo e os inspetores tinham poder para verificar qualquer região suspeita. Ele diz que a suspeita atual é legítima, mas não existem evidências de que novos centros de produção existam.”

 

“Fique por dentro ou divirta-se”, copyright Folha de S. Paulo, 6/10/02

“Saem os tradicionais programas de auditório dominicais e entram os boletins jornalísticos, os debates e as análises políticas. Cada uma com seu diferencial, as emissoras de TV aberta tiraram o dia para acompanhar as eleições ao vivo. Na briga pela audiência, algumas emissoras decidiram incrementar a cobertura jornalística da votação agregando mesas-redondas, entrevistas com figuras-chave e reportagens especiais. Outras preferiram limitar o noticiário ao essencial e manter programaç&aatilde;o de entretenimento, apostando no público que prefere aproveitar o domingo para se divertir.

Maratona

?Será um dia especial, em que teremos a oportunidade de discutir a vida do brasileiro nos próximos quatro anos?, diz o diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre. A emissora dedicará praticamente toda a sua programação ao acompanhamento das eleições, com flashes a cada 15 minutos e um programa especial, a partir das 17h -quando a votação é encerrada-, com entrevistas, debates e reportagens. ?A Band tem tradição em eleições, não podemos nos contentar apenas com a divulgação de números, queremos mostrar como eles refletem na realidade.? Para Mitre, ?a TV teve uma atuação inédita nesta eleição, por isso, temos obrigação de fazer um noticiário do dia mais intenso que o dos outros anos?. O diretor-executivo do ?Jornal da Record?, Dácio Nitrini, discorda dessa idéia: ?A cobertura jornalística das eleições só foi mais intensa que nos outros anos para a Globo, que agora resolveu tratar política com a devida importância. Nós da Record, assim como a Band, só damos continuidade à nossa tradição. Por outro lado, o jornalismo do SBT, que já foi respeitável, hoje é insipiente.? Para hoje, a Record aposta em formato parecido com o da Band: flashes até as 17h, quando entra no ar um especial. ?A credibilidade de Boris Casoy é nosso grande diferencial?, diz Nitrini. Já a Globo aposta numa cobertura que não comprometa tanto sua programação de entretenimento. Serão três boletins especiais, às 8h, 17h e às 18h. A reta final da apuração e os resultados serão divulgados no ?Fantástico?. ?Estaremos presentes nos 26 estados e no distrito federal. Nenhuma outra emissora te essa cobertura?, afirma o diretor da Central Globo de Jornalismo, Carlos Henrique Schroder. Apesar de dispor de menos recursos, a TV Cultura promete não ficar para trás. ?Teremos repórteres por todo o Brasil?, diz o diretor de jornalismo Marco Antônio Coelho Filho, para quem o diferencial da emissora será dar prioridade à discussão sobre a produção cultural. ?O tema foi abandonado durante a campanha e dará leveza à cobertura?, afirma.

Flashes

O SBT decidiu manter sua programação normal e dedicar às eleições flashes em intervalos e programa jornalístico de 45 minutos, que vai ao ar às 0h. ?Não se trata de atrair público não-politizado. O SBT será opção para todos que não queiram exagero?, diz o diretor de programação Mauro Lissoni.

Também a Rede TV! optou por ?cumprir com o básico?, segundo seu diretor de jornalismo, José Emílio Ambrósio. ?A cobertura de eleições se esgotou, não tem como inovar. Não vamos perder tempo com debates, não há o que discutir?, diz.

Os canais pagos de notícia, como Globonews e Bandnews, têm como vantagem a rapidez na atualização de dados da apuração de votos. ?Temos uma tecnologia digital que permite o envio direto dos números em tempo recorde?, diz o diretor do Bandnews, Humberto Candil.

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