Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > ESTUDANTES & LEITORES

Jorge Moreno

Por lgarcia em 04/12/2002 na edição 201

ENTREVISTA / CHICO CARUSO

"Charge só funciona como tiro de canhão?", copyright O Globo, 30/11/02

"Conversa com o cartunista Chico Caruso, há um mês também no ?Jornal Nacional?

Qual foi o personagem mais fácil de se trabalhar?

– Um que gosto de fazer, admiro e tal, é o Romário.

É o que sua charge reproduz com mais fidelidade?

– É. Inclusive, como ele se mexe pouco, o desenho fica muito parecido com ele.

Há muita reclamação das ?vítimas? de sua pena?

– Não. Teve o desenho da dona Rosane Collor. Ligaram umas 300 pessoas. Mas uma repórter achou que foram instruídas pela LBA do Rio, porque as reclamações estavam muito parecidas.

E a direção do jornal não se sentiu incomodada com o fato de você colocar a mulher do então presidente vestida de presidiária?

– Nada, nada. O doutor Roberto (Marinho), inclusive, escreveu uma notinha num livro que dei para ele dizendo que as vítimas não podem reclamar porque sabem que estão fazendo parte de uma nova forma de arte.

Há uma lenda dissemina- da pelas suas vítimas de que quando você veio trabalhar no GLOBO não adiantava reclamar das charges porque o doutor Roberto sempre gostou do seu trabalho.

– Tem um monte de profissionais assim aqui no jornal. Quando sugeri de fazer a charge colorida na primeira página, o doutor Roberto topou. Àquele tempo só tinha cor nas segundas feiras. Comecei a fazer nas segundas e depois passou para todos os dias. O próprio João Roberto (Marinho, vice-presidente do jornal) topou botar as charges no ?Jornal Nacional?.

Quando você vê suas charges com destaque, como aquela em que aparecem ACM e Lula na cama, fumando um charuto e perguntando: ?Foi bom para você também??, não lhe passa uma preocupação sobre a reação dos personagens?

– Não. Acho que charge, palavra que vem de carga, só funciona se você usar mesmo como um tiro de canhão.

Se um personagem lhe telefona para cumprimentar ou agradecer e até mesmo pedir cópia do seu trabalho, isso não lhe frustra por ter, sem querer, agradado à vítima?

– Não é muito comum. É raro de acontecer e acho que é a distância entre Brasília e o Rio. O que favorece é essa distância, o que é bom. Tanto para mim quanto para eles.

Como é seu dia-a-dia?

– Fico praticamente o dia inteiro lendo jornal. Fico com a televisão ligada vendo o ?Em cima da hora?, vou ler, a televisão fica ligada também. A notícia vai entrando na minha cabeça meio que por osmose. E acho que também usando a observação a gente se torna mais capaz de prever algumas coisas.

Qual a melhor charge que você acha que já fez?

– Desde a eleição de Lula para cá, por coincidência, comecei a trabalhar no ?Jornal Nacional?. É um desenho visto por muita gente, então é como se tivesse que fazer uma capa de ?Veja? todo dia. E esses desenhos de Lula para mim são os melhores desta fase agora. Lula com os operários. Lula pescando o Brasil no lago, será que ele vai conseguir tirar o Brasil do fundo, será que não vai? O negócio do barbeiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso começa a cortar o cabelo de Lula e fica igual a ele.

Talvez até inconsciente- mente você protege alguns personagens. Por exemplo: Ulysses Guimarães sempre foi mocinho e nunca vilão nas suas charges.

– O doutor Ulysses tinha uma questão fisionômica: era difícil fazer a caricatura dele. Ele tinha a parte superior meio comprida. Acertei só umas duas ou três vezes. Agora, ele tinha grandeza. Ele inclusive crescia nas crises. Também era um cara experiente, tinha essa grandeza e ao mesmo tempo era um personagem meio calado. Silencioso. Era uma presença que sugeria sem se impor. Foi uma relação interessante do meu trabalho com a figura do doutor Ulysses.

Ao entregar agora seu novo livro ?Era (uma vez ) FH? ao próprio, qual foi a reação do presidente?

– Foi uma coisa rápida, entre uma cerimônia e outra. Apenas dei o livro para ele e não aconteceu nada de especial.

Qual o balanço que você faz da Era FH?

– Ele acha que era o homem certo no lugar certo. Teve a sensação de que realmente estava no lugar certo.

Não lhe irrita alguém su- gerir temas e personagens para suas charges?

– Há leitores que às vezes ligam. Digo que eles estão querendo tirar meu prazer, porque o prazer é justamente ficar pensando no que vou fazer."

PROPAGANDA / PREMIAÇÃO

"O GLOBO premia os melhores da propaganda", copyright O Globo, 29/11/02

"Os principais nomes da publicidade tiveram encontro marcado na noite da última quarta-feira, durante a entrega do 6 Prêmio de Propaganda O GLOBO para os melhores anúncios veiculados entre agosto de 2001 e setembro de 2002. Cerca de 500 convidados – profissionais de criação, de mídia, de atendimento e clientes – participaram da festa na Marina da Glória, que consagrou a agência ID&A como a grande vencedora, levando dois Grand Prix em Classificados e Melhor Utilização do Meio Jornal. Os outros troféus foram para a Salles D?Arcy (Rio de Janeiro), Fischer America (Demais Estados) e Doctor (Voto Popular). A premiação foi apresentada pela colunista do GLOBO Scarlet Moon.

Mais de 600 peças foram inscritas no Prêmio

Desde 1997 estimulando a criação de novos formatos e boas idéias para o meio jornal, o Prêmio de Propaganda deste ano teve várias novidades: além dos anúncios publicados em O GLOBO e ?Extra?, líderes do mercado no Rio de Janeiro, concorreram também as peças veiculadas no ?Diário de S. Paulo?. Os três jornais são da Infoglobo. A mostra foi dividida em nove categorias, com premiação total de R$ 160 mil aos vencedores dos Grand Prix. Este ano, mais de 600 peças foram inscritas para concorrer ao Prêmio.

– Pela primeira vez os profissionais de atendimento também serão premiados, até porque eles são um dos elos principais para a boa propaganda – afirmou Paulo Novis, diretor-geral da Infoglobo, na abertura do evento, lembrando que as seis edições do Prêmio receberam mais de 3.500 trabalhos das mais importantes agências do país.

Nem mesmo a crise que atinge vários setores da sociedade e produz reflexos imediatos na publicidade foi capaz de diminuir a qualidade das peças da mostra deste ano. Para o presidente do Clube de Criação do Rio de Janeiro e diretor de Criação da Giovanni FCB, Fernando Campos, isso se deve ao envolvimento direto dos clientes no processo de criação das peças publicitárias.

– O Prêmio já é um dos mais respeitados e ambicionados do circuito brasileiro da propaganda. Mesmo os anunciantes menores, com pouca verba, conseguem mensurar o resultados de um bom anúncio e participar da competição. É como eu costumo dizer, trata-se de prêt-à-porter e não de alta-costura – comparou Campos, pouco antes de elogiar a composição do júri.

A simbologia usada pelo presidente do Clube de Criação é perfeitamente adequada à agência ID&A, cuja equipe foi a que mais subiu ao palco, montado em um dos mais belos cartões-postais da cidade. Vencedores de dois Grand Prix e de vários outros prêmios nas categorias Oportunidade e Classificados, sempre com peças para o mesmo cliente (Land Rio Veículos), os profissionais da pequena agência, formada apenas por 15 funcionários e em operação há menos de cinco anos, comemoraram o reconhecimento:

– Trabalho sério, coerente, imaginativo e, antes de tudo, afinidade com o cliente. Esta é a receita para uma campanha de sucesso – afirmou Raoul Notrica, diretor de Criação da agência.

Além da boa performance da ID&A, outros dois fatos chamaram a atenção do mercado publicitário. Um deles foi a vitória da peça ?Poste?, criada para o Viva-Rio, na categoria Serviço Público Comunitário, pela V&S Comunicações. O redator João Vereza – em dupla com Marcus Malta – superou o próprio pai, José Guilherme Vereza, diretor de criação da Contemporânea. Vereza levou o Bronze com ?Ninguém está cortando?, desenvolvida para a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza.

A outra curiosidade foi a tripla premiação de Álvaro Rodrigues, por duas agências diferentes: ganhou a prata com ?Frágil?, para a Sul América Seguros, na categoria Oportunidade pela Ogilvy & Mather; a prata com ?www?, para o Viva Rio, em Serviço Público Comunitário; e com ?Boneco?, para o Shopping Fashion Mall, no Varejo, ambos pela V&S.

– É uma satisfação, pois comprova que minha criatividade não depende apenas do parceiro ou da agência em que estou trabalhando, mas é, antes de tudo, fruto da consistência do meu trabalho – resumiu Rodrigues, diretor do Clube de Criação e, atualmente, na Giovanni FCB.

Voto dos internautas foi para a Doctor Propaganda

Escolhida por mais de 60% dos internautas que acessaram a página da Infoglobo (www.infoglobo.com.br), a peça ?Privacidade?, da Doctor Propaganda para a Atlântica Residencial, venceu o Grand Prix Voto Popular. Já no GP Rio de Janeiro, o anúncio escolhido pelo júri foi ?Agora seu celular ATL…?, da Salles D?Arcy, para a operadora de telefonia móvel. A Fischer America de São Paulo conquistou o GP Demais Estados com o trabalho ?Para quem gosta de terra…?, desenvolvido para a Toyota."

ESTUDANTES & LEITORES

"Abobrinha quando nasce…", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 2/12/02

"Os psicólogos junguianos o chamariam de ?sincronicidade?: não existe coincidência, o mundo funciona de forma ?holística?, etc.

Bem, neste caso, acho que não é coincidência mesmo: é uma realidade ?procriada?, calcada numa rotina acadêmica que muitas vezes (não) dá o que pensar. Refiro-me a dois fatos que se entrecruzaram no meu cotidiano, na semana passada. Estou lá eu, cuidando da vida, quando recebo um telefonema na redação. Do outro lado da linha, a voz de uma jovem simpática.

– Zé Paulo?

– Sim.

– Oi, meu nome é (…), estudo na (…) e estou fazendo um trabalho para a faculdade. Eu queria que você me ajudasse com uma declaração… Para enriquecer o trabalho… Acho que fica melhor, sabe…

– Ah, sim… O trabalho é sobre o quê?

– É um trabalho sobre política. Eu quero saber de você se os vereadores e senadores estão cumprindo o papel deles…

– Como assim?

– É, você acha que os vereadores e senadores estão cumprindo o papel deles?

– Cumprindo o papel deles? Mas o trabalho é sobre o quê?

– É isso, são só duas ou três perguntas.

– Sobre política…

– É…

Pausa na ligação. Eu estava confuso. Perguntava-me se ao menos ela sabia do que estava falando: a proposta do trabalho, a finalidade com que havia me procurado, o porquê de ter me escolhido, o porquê de uma ?declaração? minha enriquecer um trabalho como aquele… Eu tentaria mais um pouco:

– Desculpe, eu não entendi direito sobre o que é o seu trabalho…

– É sobre o papel dos vereadores e dos senadores… São umas três perguntas só… Quero saber se você acha que eles estão cumprindo bem o papel deles…

– Os vereadores e senadores…

– É, a diferença entre um vereador e um senador. E se eles estão cumprindo bem o papel deles…

Surreal, pensei. Mas em nome da boa-vontade ainda tentei, a ver se conseguiríamos ir adiante:

– Tudo bem… Quais são as perguntas?

– Como?

– Pode perguntar… São duas ou três perguntas, né…

(pausa)

– Ã… Acho melhor mandar por e-mail, né… – propõe a estudante.

– É… Me mande por e-mail. Anote aí…

Desligamos.

Meus primeiros pensamentos: ?o nível do ensino ?isso?, ?o nível dos estudantes ?aquilo?, ?futuros profissionais despreparados?, ?nem sabe o que está fazendo?, ?absurdo?…

Lembrei-me, ainda, do que o jornalista Percival de Souza me havia dito alguns dias antes: ?Hoje, se não estiver entre aspas, não há matéria?… E ainda: ?Se a notícia não cair no seu colo, não há notícia?.

Que fórmula, hein? A gente vai fazer uma coisa que nem sabe o que e pede a alguém para ?enriquecer? o nosso trabalho… Depois, entrega o texto e está tudo certo…

O segundo componente desta ?sincronicidade? viria alguns dias depois. Estava lendo a última edição do Observatório da Imprensa e deparei com o artigo ?Para rir, chorar e pensar?, assinado pela editora-assistente do site, Marinilda Carvalho. Trata-se de uma crítica aos estudantes (a maioria, de jornalismo) que procuram ?ajuda?. São daqueles que têm preguiça de pensar e de pesquisar, e acham que os outros são muletas, estão aí para trabalhar por eles.

Antes de encerrar este texto com a reprodução de pedidos enviados ao OI, quero sublinhar: não se iluda, caro estudante preguiçoso, o dia-a-dia das redações pode ser mais cruel do que você conseguiria supor. Não quero aqui desmerecê-lo. Vamos considerar assim: se você anda com preguiça, é porque você ?está? preguiçoso, não porque você ?é? preguiçoso. Sempre é bom advertir: os seus futuros colegas não vão gostar de fazer o seu trabalho. Os seus chefes, então… É tempo de mudar!

Aí vão alguns pedidos enviados ao OI. Como bem diz a Marinilda: ?Alguns dos e-mails abaixo podem fazer rir; outros, decididamente farão chorar. O essencial é que, sobretudo, façam pensar?. Leia, pois:

?Estou fazendo um trabalho, e gostaria de saber: quando começou o sensacionalismo, em que país foi e qual a reação do povo? Aguardo resposta, obrigado?.

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?Biografia URGENTE!! Caros, preciso de dados biográficos sobre Bob Woodward e Carl Bernstein para um trabalho de faculdade. não encontrei nada em lugar nenhum. Ajudem-me, por favor!!! Estou DESESPERADO!!!! O seminário é amanhã?.

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?Bom dia. Sou estudante de Jornalismo e estou fazendo projeto de monografia. Preciso saber a data exata da estréia do programa Note e Anote e mais algumas informações que vocês puderem enviar. Aguardo respostas. Obrigada?.

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?Estou pesquisando sobre títulos da dívida interna brasileira que foram emitidos entre os anos 1902 e 1940. Tenho informações não-oficiais de que um grupo americano detém uma quantidade considerável desses títulos, e não consegue negociá-los; portanto estão brigando judicialmente. Também há empresas ou escritórios de advocacia que usam os títulos para abater dívidas. Podem me ajudar? Atenciosamente?.

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?Saudações, nobres colegas. Estamos precisando, para pesquisa, de imagens aéreas das minas de exploração de barro de caulim próximo a Belém e do Rio Capim, por volta da década de 90. Vocês teriam como nos ajudar??.

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?Boa tarde. Venho por meio desta solicitar, se possível, uma foto que há algum tempo eu vi em uma revista, tirada em um deserto onde um abutre estava aguardando a morte de uma criança devido à sua fome. Desde já agradeço?.

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?Boa noite, amigos, gostaria de saber a resposta da pergunta: quantos metros quadrados tem a área onde fica a casa da Xuxa, ou seja, a Casa Rosa? Se vocês me ajudassem ficaria muito grato, aguardo resposta, muito obrigado?.

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?Gostaria muito que Chico Caruso fizesse a caricatura de Schumaker com a cara do Dic Vigarista e a do Rubinho ao seu lado com o rosto de Mutley. Obrigada pela atenção, e fico no aguardo das caricaturas?.

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?Gostaria que me enviassem matérias e fotos do presidente Vladimir Putin, com urgência?.

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?Estou fazendo um trabalho com esse tema: ?Eleições: votar na ideologia ou com ideologia?? Só que até agora não consegui colocar nada no papel, vocês poderiam me ajudar? Grato?.

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?Boa tarde. Gostaria de saber algumas coisas sobre a Semana de Arte Moderna de 1922. 1) Por que surgiu o movimento. 2) Quem participou. 3) O que o movimento trouxe para os nossos dias. Gostaria muito da ajuda de vocês, pois este é um ensaio para a faculdade e preciso entregar até sexta-feira. Fico muito agradecido. Aguardo respostas. Um grande abraço?.

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?Boa tarde! Gostaria de que me fornecessem algum site de fácil acesso, onde eu possa encontrar notícias recentes, ou seja, do dia-a-dia do ator Russel Crowe. Pelo amor de Deus, sou fã n? 1 deste deus neozelandês; por isso gostaria muito que me mandassem um site direto. Muito obrigada, fico no aguardo?.

******

?Caro Alberto Dines, primeiramente quero parabenizá-lo pela excelente diplomacia criativa que você vem nos passando. Faço Propaganda e Marketing. Gostaria de saber o que você diria sobre a questão do jornalismo. Seria viável eu entrar num curso de Jornalismo??"

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