Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > M. F. NASCIMENTO BRITO (1922-2003)

Jornal do Brasil

Por lgarcia em 12/02/2003 na edição 211

M. F. NASCIMENTO BRITO (1922-2003)

“O Brasil perde o inovador do jornalismo”, copyright Jornal do Brasil, 9/02/03

“Aos 80 anos, morreu ontem, às 7h40, no Hospital Copa D?or, em Copacabana, o jornalista Manoel Francisco do Nascimento Brito. Havia 26 dias, estava ali internado, em decorrência de complicações do acidente vascular cerebral que sofrera 24 anos atrás, durante as férias que passava na Venezuela. Durante cinco décadas, doutor Brito – como era conhecido na redação – esteve à frente do Jornal do Brasil pautando a linha editorial, inovando técnicas gráficas, traçando diretrizes. Desde 1949 – quando foi convidado pelo conde Pereira Carneiro para tomar conta da Rádio e logo do Jornal do Brasil – até seu desligamento voluntário, em agosto de 2002, ele dedicou à empresa dedicação total mostrando simplesmente o que era: um gigante.

Impunha-o até sua presença física, que se avantajava, com seu 1,89m de altura. Mas sua verdadeira grandeza estava no aprumo e na fidelidade, no tino, denodo e responsabilidade com que durante 51 anos dirigiu o ?jornal da condessa?.

Sua grandeza estava ainda na conduta que sempre o marcou na defesa da democracia – o que lhe custou preço nada desprezível. À medida que seus editoriais denunciavam as arbitrariedades do regime militar, mais este dificultava a vida do jornal. Em 1976, o general Hugo Abreu, chefe do Gabinete Militar do presidente da República Ernesto Geisel, proibiu toda e qualquer publicidade nas páginas do ?jornal da condessa?, sem esconder seu propósito de ?quebrar a espinha do JB?. No ano seguinte, quando ainda alimentava o sonho de ter um canal de televisão, confessou que, além de ser esse um produto muito caro, pesava outra razão: ?Para ter televisão, é preciso uma coluna curvada, e a minha é muito rígida?.

Carioca do bairro da Tijuca, M.F. Nascimento Brito – como ele assinava – nasceu no dia 2 de agosto de 1922. Era neto de português, filho da inglesa Amy e do brasileiro José Nascimento Brito. Estudou no Colégio São Bento e diplomou-se em direito, pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. E desde 1946 exerceu a advocacia até que três anos depois se mudou para o JB.

Com Odylo Costa, filho, o doutor Brito iniciou em 1956 a reforma gráfica e editorial do JB, fazendo dele o jornal mais respeitado e de maior prestígio em todo o país. Em 1986, administrava 11 empresas, todas com o logotipo JB e sob o seu comando. Chegou a ser proprietário também do jornal Tribuna da Imprensa e diretor do Diário de Minas.

Em 1967 recebeu o prêmio de jornalismo Maria Moors Cabot, e, entre outras condecorações, tinha a de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico.

Era casado com Leda Marina Marchesini e tinha cinco filhos: Maria Teresa, Maria Regina, José Antônio, Maria Isabel e Manoel Francisco. Tinha também 13 netos. O velório foi feito ontem à tarde no Memorial do Carmo e hoje, ao meio-dia, será o corpo cremado no Cemitério de São Francisco Xavier.

Repercussão

Nota da Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamenta o falecimento do jornalista Manoel Francisco do Nascimento Brito, diretor-presidente do Grupo Jornal do Brasil, e se solidariza com a família pela perda daquele que foi um dos responsáveis pelas grandes reformas promovidas no JB nas décadas de 50, 60 e 70, que serviram de modelo para a imprensa brasileira. Para Lula, Nascimento Brito foi um democrata convicto e empresário consciente, que soube introduzir na administração do JB as inovações necessárias para a manutenção do centenário jornal entre os grandes veículos de comunicação do país.

Nota da Vice-Presidência da República

O Vice-Presidente José Alencar assim se manifestou: ?A morte de Manoel Francisco Nascimento Brito representa perda irreparável para o país. Liderando equipe de brilhantes profissionais, Nascimento Brito inovou o conceito de jornalismo, fazendo do Jornal do Brasil um modelo de modernização e compromisso com as grandes causas nacionais?

Nota do Governo do Estado

A Governadora Rosinha Garotinho emitiu a seguinte declaração: ?Manifestamos nosso profundo pesar pelo falecimento do jornalista Nascimento Brito. Sua trajetória como profissional dignificou a história do jornalismo brasileiro. Nas últimas décadas, Nascimento Brito esteve à frente do Jornal do Brasil, liderando a reformulação deste jornal com posturas corajosas e independentes, que foram fundamentais e históricas para restabelecimento da liberdade de expressão e democracia em nosso país. O Rio de Janeiro e o Brasil perdem um grande brasileiro e lamentam juntos este momento.?

Nota do Governo de São Paulo

O governador Geraldo Alckmin distribuiu o seguinte comunicado: ?Dirigindo um dos veículos de comunicação mais importantes do país, Nascimento Brito ajudou a construir e a registrar a história do Brasil. O Brasil perde um dos seus grandes brasileiros?.

José Sarney, Presidente do Senado

?Perde o jornalismo brasilero uma de suas figuras mais representativas. Manoel Francisco Nascimento Brito sempre foi incentivador das mudanças tecnológicas da imprensa?

João Paulo Cunha (PT-SP), Presidente da Câmara dos Deputados

?Ao morrer, grandes personagens como Nascimento Brito aceleram a perpetuação de seu legado. O jornalismo brasileiro deve sua modernização ao Jornal do Brasil liderado por Nascimento Brito.?

Marco Aurélio Mello, Presidente do Supremo Tribunal Federal

?Um homem que lutou pelo aprimoramento do estado democrático de direito, prestando à sociedade um serviço relevante. Uma vez fiz uma visita ao Jornal do Brasil, na Av. Brasil. Tive a melhor impressão dele. Um homem com uma idéia segura e realista do Brasil?.

Aécio Neves, Governador de Minas

?O jornalista Nascimento Brito é parte fundamental da história da imprensa brasileira. Seu arrojo, independência e compromisso com o país fizeram do Jornal do Brasil um grande jornal, referência do mais alto padrão de jornalismo, modernidade e qualidade editorial. Lembro especificamente o período do regime de exceção para a democracia, quando o JB soube, com coragem e patriotismo, manter intactos seu compromisso com a sociedade e os princípios éticos que regem o bom jornalismo. Lamento profundamente seu falecimento?.

Márcio Thomaz Bastos, Ministro da Justiça

?A grande imprensa brasileira perde um de seus nomes mais importantes. O Dr. Brito conduziu o JB com inteligência e elegância ao longo das últimas décadas, tornando o jornal uma legenda e referência nacional de jornalismo sério, combativo e responsável?.

Germano Rigotto, Governador do Rio Grande do Sul

?Trata-se de uma perda irreparável para o jornalismo brasileiro porque ele sempre foi um jornalista que pautou seu trabalho pela coragem e pela modernização do jornalismo. O trabalho que Nascimento Brito realizou à frente do Jornal do Brasil é um marco para a imprensa brasileira, que tem repercussão até hoje e serve de exemplo de arrojo e profissionalismo . É uma lacuna que dificilmente será preenchida?.

Ciro Gomes, Ministro da Integração Nacional

?A morte do Dr. Brito é uma grande perda par a comunidade da comunicação brasileira. Sua história confunde-se com a história do moderno jornalismo impresso nacional. Junto os meus sentimentos de pesar à sua família nesse momento. E transmito aos seus filhos, através do meu amigo, José Antônio, este sentimento?.

Nilson Naves, Presidente do Superior Tribunal de Justiça

?O jornalismo haverá de ser eternamente grato à imagem de Nascimento Brito pelo seu pioneirismo, pela sua tenacidade, por sua luta em prol das boas idéias. A história de vida de Nascimento Brito está indelevelmente ligada aos momentos heróicos do jornalismo brasileiro?.

Roberto Marinho, Presidente das Organizações Globo

?A morte de Nascimento Brito é uma perda para a imprensa brasileira. Sua vida confundiu-se com a história do Jornal do Brasil, um dos mais importantes jornais do país. Em determinados períodos, foi um dos responsáveis pela modernização da nossa imprensa. Teve destaque na vida política nacional.?

João Havelange, Presidente de Honra da Fifa

?Perdi mais que um amigo, um irmão. Tenho 87 e sempre estivemos juntos. O maneco foi um paladino do jornalismo brasileiro. A perda do Maneco não é somente a perda de um amigo, mas de um homem de cultura, de saber e de um orientador que sempre tivemos. O Jornal do Brasil entra na minha casa há 100 anos. Me sigo pela orientação econômica, financeira e política do Jornal do Brasil.?

Cristovam Buarque, Ministro da Educação

?Formei-me desde o Recife lendo o JB. Cada domingo, através do JB, eu penetrava nas informações sobre o mundo, sobre cultura, mas sobretudo eu mergulhava na resistência nacional. À ditadura implantada no Brasil. Anos depois tive a honra de ser um colaborador regular do JB e percebi o alcance deste importante veículo. Por trás de tudo isso, ao longo dos anos, estava a figura do Dr. Nascimento Brito.?

Francisco Mesquita Neto, Presidente da ANJ

?Nascimento Brito dedicou-se por 50 anos ao jornalismo na direção do Jornal do Brasil, um dos mais influentes órgãos da imprensa do país e um dos fundadores da ANJ, marcando a sua trajetória pela postura de integridade e sempre de defesa dos interesses da nação. Apresentamos condolências aos familiares, à direção e funcionários do Jornal do Brasil, em nome da diretoria da ANJ e dos jornais associados.?

José Viegas Filho, Ministro da Defesa

?É um momento de tristeza. O dr. Nascimento Brito exerceu um importante papel na reformulação do JB, tornando-o um jornal líder e formador de opinião. A criação do Caderno B, por exemplo, foi um marco do jornalismo. Eu, pessoalmente, acompanhei esse movimento como leitor, desde a juventude, quando, então me tornei também um torcedor do JB.?

Lywal Salles, Ex-diretor do jornal do Brasil

Todos que conviveram com M. F. do Nascimento Brito – como eu, por 17 anos – no Jornal do Brasil guardam na lembrança não só a figura do grande jornalista e chefe exigente e rígido com a qualidade editorial e gráfica, mas também a imagem do homem generoso, estimado e sempre amigo?.

Jaques Wagner, Ministro do Trabalho

?Foi uma perda lamentável para a imprensa brasileira. Duas lembranças não me saem da memória: aquela postura altiva como executivo de jornal diante dos militares nos anos de regime fechado da ditadura brasileira e a defesa da liberdade de imprensa?

Agnelo Queiroz, Ministro dos Esportes

?É uma grande perda para o jornalismo brasileiro. O doutor Nascimento Brito é um patrimônio do nosso povo. Ele deixa marcas de inovação na imprensa. Ele teve um papel importante na luta pela liberdade de imprensa. Graças a pessoas como ele é que chegamos a este estágio moderno?.

Roberto Rodrigues., Ministro da Agricultura

?A história do doutor Nascimento Brito confunde-se com a própria história do JB. Nascimento Brito teve participação decisiva nas mudanças que fizeram do JB um dos quatro maiores jornais do País?.

Luiz Fux, Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

?O Dr. Nascimento Brito personificava a imprensa livre e corajosa, propugnando pela verdade doesse a quem doesse. Imprimia uma forte dose cultural no seu jornalismo, ao publicar editoriais de profunda densidade sobre as diversas áreas da atividade humana, de sorte que não só o jornalismo mas a sociedade como um todo perde um grande brasileira.?

Nelson Tanure, Presidente da Companhia Brasileira de Mídia

?O jornalismo brasileiro deve muito ao doutor Brito, principalmente pela defesa da democracia e dos valores da imprensa. Sempre dizia que ele era o guardião da credibilidade e da respeitabilidade não só do Jornal do Brasil como de toda a imprensa?

Rubens Approbato Machado, Presidente da OAB

?O Brasil perde um homem que representa a vanguarda da democracia e da liberdade no Brasil?

Antônio Carlos Magalhães, Senador

?Perde o Brasil um notável jornalista que sempre se destacou pela correção das atitudes e fidelidade aos princípios democráticos. Como seu amigo, lamento a perda. Como brasileiro, vejo grande falta na imprensa do país.?

Anderson Adauto, Ministro dos Transportes

A morte de Nascimento Brito deixa de luto não só a imprensa do país, mas todos os que – como eu, leitor do JB desde a juventude – se acostumaram a começar o dia com informação competente, aliada a um texto leve e gostoso de ler.

Leonel Brizola, Presidente do PDT

?Recebi com grande pesar a notícia do falecimento de Manoel Francisco Nascimento Brito. O Brasil perde uma personalidade que pesou muito nas decisões do país. Com ele fiz boa amizade, desde me encontrava no exílio em Nova Iorque e depois quando já estava de volta ao Brasil. A perda é do nosso país que vais sentir sua ausência profundamente. Nascimento Brito se confundia com a o JB, que era sua vida. O Jornal do Brasil tem um valor muito especial para o nosso país.

José Aparecido Oliveira, Ex-ministro

?Nascimento Brito foi um dos maiores renovadores da imprensa brasileira, na década de 50, rompendo com o estilo do passado e modernizando o Jornal do Brasil, abrindo caminho para uma linguagem visual nova e de grande força. Fui seu grande amigo pessoal e lamento profundamente o seu falecimento. Será lembrado como um dos grandes vultos do jornalismo do país?.

Jorge Bornahusen, Senador

?É uma perda grande, pois ele foi um extraordinário líder da imprensa brasileira. Nascimento Brito marcou, com sua atuação segura e competente, a modernização do jornalismo de forma acentuada?”

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem