Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1014
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Jornalismo de risco

Por lgarcia em 08/07/2003 na edição 232

LEITURAS DE EXAME

Fernando Siqueira (*)

A revista Exame, na sua edição de 23/6/2003, publicou, e divulgou também na sua página pela internet, Portal Exame, a reportagem "Contratos de risco", com a chamada "A Petrobras está substituindo executivos experientes por dirigentes sindicais e militantes do PT. Até que ponto isso pode comprometer a saúde da empresa?", assinada pela jornalista Consuelo Dieguez.

A dita reportagem peca profundamente na parcialidade e superficialidade da abordagem, até mesmo nos quadros comparativos "Currículo de quem entra e de quem sai", quando subtrai as informações dos que entram e enriquece, floreando, o currículo dos que saem, numa indisfarçável tendência preconceituosa e nada ortodoxa da prática do bom jornalismo, atitude esta que fere inclusive o código de ética da imprensa.

Por exemplo: a Petrobrás treina e prepara seu pessoal para assumir a qualquer tempo um cargo gerencial. Muitos dos novos gerentes têm doutorado em gestão empresarial. Mais grave, porém ? além de quase todos os números apresentados estarem errados ou distorcidos, e é o que nos cabe diretamente reclamar, até por dever para com a ética e os objetivos ?, é a inverídica e leviana afirmação contra o geólogo Antônio Rivas, quando afirma "estava afastado das operações havia quase dez anos, período em que ficou à frente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)".

A Aepet não tem nem nunca teve objetivo, função nem status de sindicato e, por isso mesmo, nunca teve, não tem e nem pretende ter funcionário da Petrobras liberado para exercer sua direção em nenhum lugar do Brasil.

O geólogo sênior Rivas, a quem reconhecemos elevada competência técnica (competência sempre reconhecida também pela Petrobras, promovendo-o sucessivamente até o último nível da carreira técnica, que é o "sênior") e inquestionável postura ética e moral, nunca exerceu a presidência da entidade ou de seus núcleos, e apenas neste último ano faz parte do Conselho Diretor do núcleo da Aepet na Bahia, além de cumprir rigorosamente seus horários e tarefas na Petrobras.

Resposta com recordes

A posição tendenciosa da publicação expõe e desacredita desnecessariamente a revista e sua autora. No caso em tela, a revista está defendendo ferozmente administrações que foram responsáveis por acidentes sem precedentes na história da Petrobras. Na Bahia, a gestão passada, como destaque de problemas de segurança, entre outros, deixou pelo menos um saldo de três mortes numa das explosões que ocorreram, cujos processos de responsabilização ainda se encontram inconclusos pela polícia e o Ministério Público.

O ataque da publicação parece apontar para o inconfessável objetivo de prejudicar o diretor da Petrobras, Guilherme Estrella, profissional de ilibada conduta ética, competência técnica reconhecida no mundo acadêmico e nas frentes das áreas de pesquisa e de produção da Petrobras, e que, em poucos meses de exercício de direção na Petrobras, marca positivamente a diferença de rumo da empresa, na defesa dos interesses nacionais, traduzida em incontestes números de recordes de aumento de produção e redução de custo, dispensando por isso mesmo qualquer outra palavra de defesa.

A Petrobras é uma empresa que investe no trabalhador como seu maior patrimônio, prepara seus profissionais complementando em muito as formações técnicas e de graduação e, por isso mesmo, reúne muitas centenas de profissionais que trabalham com elevada competência, dedicação e espírito público, perfeitamente aptos a exercerem a direção de suas áreas de atuação. Não é sem razão que a ANP e todas as empresas nacionais e estrangeiras que atuam no ramo de petróleo e derivados contratam profissionais formados pela Petrobras ? aliás, é onde está o maior risco que a Petrobras corre na sua missão estratégica de realizar as suas funções constitucionais.

Alguns brasileiros a serviço de estrangeiros trabalham incansavelmente para desqualificar e descredenciar injusta e criminosamente a Petrobras, exatamente porque é a materialização do orgulho e nacionalismo brasileiro. Mas, com certeza não terão sucesso ? o cidadão e nós, brasileiros-petroleiros, não permitiremos. Vamos responder com trabalho, competência técnica, transparência de informações e intenções, como sempre fizemos e estamos fazendo, batendo recordes em cima de recordes, sempre a serviço do povo brasileiro.

(*) Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet); este texto foi também enviado em forma de carta à redação da revista Exame

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