Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

PRIMEIRAS EDIçõES > JENNA & BARBARA BUSH

Jornalismo oportunista

Por lgarcia em 27/06/2001 na edição 127

JENNA & BARBARA BUSH

Algo inusitado ocorreu após o frenesi da mídia sobre as filhas do presidente americano, George W. Bush, flagradas pela polícia pedindo bebida num bar do Texas, EUA. Alguns jornalistas preferiram um debate sério sobre por que jovens de 18 anos podem votar e servir ao exército, mas não podem pedir uma cerveja. O fato de milhões de jovens ignorarem a lei americana que proíbe bebida alcoólica a menores de 21 anos nunca foi segredo de estado.

De acordo com Howard Kurtz [The Washington Post, 18/6/01], alguns podem achar que os jornalistas estavam meramente usando um debate mais amplo como pretexto para manter acesa a saga das gêmeas Bush. Mas assim que o assunto pegou fogo, um número imenso de especialistas julgou estúpida a lei que limita a idade mínima para ingestão de álcool. É assim que jornalismo sério é feito hoje na fábrica de salsicha midiática. Os veículos arranjam um "gancho" ? preferencialmente com nome famoso ? antes de se voltar para assuntos de importância social.

A cobertura da execução de Timothy McVeigh foi excessiva, na opinião de Kurtz. Mas também levantou a discussão acerca da pena de morte. Há muitos outros exemplos. Até o trágico acidente de John Kennedy Jr. levou a reportagens sobre a segurança de pilotos inexperientes em aviões particulares.

Há, também, reportagens do tipo "Doença da semana". Quando Michael J. Fox assumiu seu mal de Parkinson, a doença recebeu cerca de mil vezes mais cobertura que antes. O mesmo aconteceu com o câncer de próstata de Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, com a esclerose múltipla de Annette Funicello, com a suposta anorexia de Calista Flockhart, com a Aids de Magic Johnson etc.

Para Kurtz, os jornalistas americanos deveriam se envergonhar do papel ridículo que têm feito.

Michael R. Bloomberg, executivo-chefe da agência de notícias financeiras Bloomberg e candidato à Prefeitura de Nova York, já indica onde a imprensa política deve estar: longe dele. Brincou com um jornalista dizendo que gostaria de ver a sala de imprensa da prefeitura transferida para Staten Island ? ilha afastada de Nova York, embora parte da cidade.

Quando anunciou sua candidatura, há três semanas, Bloomberg disse que o papel do prefeito deve ser parecido com o de um executivo-chefe, delegando tarefas.

De acordo com Jennifer Steinhauer [The New York Times, 20/6/01], Bloomberg sugeriu coletivas de imprensa menos freqüentes, indicando novos rumos na cobertura da prefeitura. "A imprensa política é muito diferente da imprensa econômica", disse Bloomberg.

    
                     

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