Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DE DEBATES

Jornalismo pesquisótico, ou: a psicose das pesquisas

Por Os Observadores em 20/11/1997 na edição 34

Se, de repente, começar uma epidemia como a da Gripe Espanhola, já se pode prever como será o comportamento da imprensa brasileira:

a) Espera-se o release das autoridades sanitárias (que, “para não criar pânico”, virá depois da morte de milhares de pessoas).

b) Dois dias depois, sapeca-se uma pesquisa de opinião pública para saber o que os entrevistados acham da virulência do surto e do comportamento das autoridades.

O jornalismo pátrio hoje é basicamente reativo. Da política à cultura, passando pela economia. E o recurso mais efetivo faz-se fora do jornalismo – com pesquisas apressadas, metodologicamente levianas, concebidas e realizadas por profissionais que obedecem a uma ética diametralmente oposta à dos jornalistas.

Que, em seguida, põem em movimento uma bola de neve que converte aqueles factóides em fatos consumados.

O anúncio de medidas de aperto fiscal não fugiu à regra. Comprovou-se mais uma vez que o Quarto Poder hoje está nas mãos dos estatísticos que trabalham para empresas jornalísticas.


 

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