Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > COBERTURA DO IRAQUE

Jornalista francês demitido por criticar imprensa

Por lgarcia em 06/01/2004 na edição 258

COBERTURA DO IRAQUE

O jornalista Alain Hertoghe foi demitido mês passado por ter escrito um livro sobre a atuação da imprensa francesa na cobertura da guerra do Iraque. Hertoghe perdeu seu cargo de subeditor no site do respeitado jornal católico La Croix depois que seu livro La Guerre à Outrances ? How the press disinformed us on Iraq foi publicado pela editora Calmann Lévy.

Em seu livro, o jornalista analisa e critica a atuação dos jornais Le Monde, Le Figaro, Libération e Ouest-France, além do próprio La Croix. Para Hertoghe, estes jornais recriaram “a guerra da forma como eles gostariam de tê-la visto”.

O La Croix demitiu o jornalista com a justificativa de que ele havia demonstrado, com o livro, sua oposição à linha editorial do jornal, além de ter causado danos a sua reputação e à autoridade de seus editores chefes e de ter questionado a ética profissional de alguns membros de sua equipe.

Hertoghe cobriu e analisou a performance dos jornais durante um período de três semanas entre março e abril. E concluiu que a cobertura apresentada pelos veículos durante a guerra foi ideológica, tendenciosa e alinhada à posição do governo francês ? contrário aos Estados Unidos.

Para chegar a esta conclusão, o jornalista analisou diversos aspectos das matérias encontradas nos jornais. Ele comparou, por exemplo, manchetes envolvendo Saddam Hussein, Tony Blair e George Bush. E encontrou apenas 29 manchetes negativas à Saddam, contra 135 citando Bush e Blair.

Hertoghe explica, no livro, que considera que esta unanimidade da mídia francesa é, na verdade, o resultado de um conjunto de fatores. Entre eles, estariam o já conhecido antiamericanismo francês e a nostalgia do país por ter perdido seu status de grande potência.

Ele conta, também, que os jornais ignoravam notícias dadas por jornalistas que viajavam entre as forças americanas ? incluindo os pertencentes à agência de notícias France-Presse ? quando elas não apresentavam dificuldades insuperáveis para as tropas dos EUA.

O jornalista afirma que foi demitido simplesmente porque o jornal não gostou do conteúdo de seu livro. Mas sua demissão foi, até agora, um caso isolado. Gostando ou não, o livro de Hertoghe se encaixa perfeitamente em nova tendência européia de análises críticas sobre o tratamento dado pelos veículos de comunicação europeus à guerra. Já há exemplos de reportagens sobre o assunto na Inglaterra e na Alemanha. [As informações são do International Herald Tribune, 29/12/03]

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