Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

Jornalista recebe carta-bomba no Kuwait

Por lgarcia em 16/12/2003 na edição 255

VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

Os Repórteres Sem Fronteiras [12/12] emitiram um comunicado condenando a tentativa de envio de carta-bomba a seu editor, que deixou o escritório com ferimentos no rosto. Walid Dahdoub abriu a carta, endereçada a Ahmad al-Jarallah, editor do diário al-Siyassah, tido com um dos mais conhecidos jornalistas do Kuwait.

A carta-bomba, a primeira contra a mídia no país, gerou indignações nos meios políticos e jornalísticos, chocados com o ato tão bem preparado e voltado contra uma figura conhecida por sua moderação e abertura política e religiosa e aversão a fanatismos. Al-Jarallah disse ter achado que a carta-bomba foi enviada a ele em reação ao que escrevera "sobre terroristas e extremistas no mundo árabe".

O jornalista, dono do al-Siyassah e do diário em língua inglesa Arab Times, também expressou publicamente apoio à intervenção liderada pelos EUA.

Foi só o premiê paquistanês chegar na França para os Repórteres Sem Fronteiras se mobilizarem para que todos ficassem sabendo da campanha de 10 meses de intimidação contra o jornalista investigativo Amir Mir, demitido do cargo de editor do semanário paquistanês Independent, supostamente a pedido do presidente Pervez Musharraf, e mantido sob ameaças.

Segundo reportagem de Ahmad Naeem Khan [OneWorld South Asia, 10/12], os RSF enviaram uma carta ao primeiro-ministro francês Jean-Pierre Raffarin, pedindo que intercedesse em favor de Mir durante a visita de Zafarullah Khan Jamali, nos dias 8 e 9/12. Enquanto os RSF esquentavam o motor, na semana retrasada dezenas de jornalistas fizeram uma manifestação em Islamabad, capital do Paquistão, em apoio a Mir.

Em 22/11, pessoas não-identificadas tocaram fogo no carro do jornalista e atiraram contra sua casa. Mir, hoje vice-editor do Herald, um jornal mensal em inglês, disse que "durantes os últimos meses" foi ameaçado de sofrer "duras conseqüências" se se defrontasse com "diversos militares seniores e líderes políticos".

As recentes intimidações começaram após Musharraf ter remarcado um encontro importante entre editores de jornais no dia 20/11, para o qual os editores do Herald e do Newsline não foram convidados por terem publicado artigos danosos à imagem internacional do Paquistão. As edições de agosto e novembro do Herald traziam reportagens investigativas de Mir sobre a presença do represente de um sindicato criminoso indiano no país, Dawood Ibrahim.

Mir não está só

Infelizmente, Mir não é o único jornalista em situação desconfortável no Paquistão, e nem os RSF são o único grupo que afirma que o governo do país é avesso à liberdade de imprensa.

Na semana retrasada, em carta a Musharraf, o grupo americano Human Rights Watch (HRW, algo como "Guardião dos Direitos Humanos") acusou o governo de se tornar cada vez mais intolerante em relação à liberdade de imprensa.

Citou, além do caso de Mir, o de Rasheed Azam, jornalista e ativista político paquistanês preso em agosto de 2002 por publicar uma fotografia de militares armados surrando uma multidão de jovens na província de Baloch. Azam foi torturado e permanece preso.

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