Domingo, 17 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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Jornalistas sumiram com medo do narcotráfico

Por lgarcia em 20/04/1998 na edição 43


M.M.

Fusão e drogas

A RESPEITO DA FUSÃO do Citi com a Travelers nos Estados Unidos, mencionou-se en passant a existência de uma lei contra os trustes bancários que estaria para caducar. Não se disse uma palavra sobre o outro obstáculo jurídico à fusão dos dois gigantes: uma investigação criminal do Departamento de Justiça americano contra o Citibank por suspeita de lavagem de dinheiro do narcotráfico. O mérito da recapitulação é de Alexander Cockburn – sob o significativo título "Banks, Drugs and Marriage"- , na edição de 4/5 da revista de esquerda The Nation (www.thenation.com).

Lei e lobby

A "LEI DE 1933" que os jornais brasileiros mencionaram foi uma das vigas mestras legais do New Deal de Franklin Roosevelt. Criou deliberadamente uma muralha entre bancos comerciais e de investimentos, para impedir que bancos operassem como seguradoras e vice-versa. É espantoso que nada disso tenha aparecido no noticiário. Agora, o novo Citigroup tem cinco anos para tentar derrubar o Glass-Steagall Act, o que outros tentam há décadas.

Segundo Cockburn, o novo grupo usará em seu esforço lobístico junto aos dois partidos fundos provenientes, entre outras coisas, da lavagem de dinheiro das drogas. O movimento da cocaína nos EUA, segundo o jornalista da The Nation, chegou a US$ 38 bilhões em 1995, quando o comércio mundial de todas as drogas ilícitas atingiu US$ 400 bilhões. "É fato sabido que bancos americanos manipulam de modo encoberto uma larga parcela desse dinheiro".

Muy amigos

NO QUE DIZ RESPEITO AO CITIBANK, que pertence ao Citigroup, ora em processo de deglutição pela Travelers, Cockburn relembra as ligações de John Reed – bem conhecido no Brasil – com a família do ex-presidente mexicano Carlos Salinas. Durante o mandato de Salinas, Reed, amigo de seu irmão Raúl – o "Senhor Dez por Cento", que com salário anual de US$ 190 mil conseguiu amealhar US$ 200 milhões e acabou preso em 1995 no México sob suspeita de participação em assassinato e enriquecimento ilícito – foi várias vezes convidado à residência oficial de Los Pinos. O ex-presidente Carlos Salinas fugiu do México para não ser preso.

Anonimato e ficção

ALGUÉM DISSE QUE LÊ toda declaração em off entre aspas como pura ficção. Posição altamente respeitável. Se o jornalista não dá o nome do declarante, deve mostrar confiança em sua fonte e transmitir com suas próprias palavras o que dela ouviu.

Entretanto, jornais e revistas (não só do Brasil) estão infestados de offs entre aspas. Todo santo dia. Plantação desenfreada. Isto já foi proibido. Editores tinham mais juízo e compostura.

Se algum jornal quisesse estabelecer um diferencial de qualidade, mandaria fazer um selo e colocar no alto das páginas: "Neste jornal não se publicam declarações anônimas".

 

Miolo, não casca

A REVISTA THE ECONOMIST andou procurando, em março, um colaborador em tempo integral para ingressar em sua seção de Ciência e Tecnologia, sediada em Londres. Colocou um anúncio singelo na abertura da seção de Ciência, ao longo de algumas semanas.

Dos candidatos se requeria amplo conhecimento científico e "entusiasmo para publicar tal conhecimento". Não era necessário ter experiência prévia como redator (nem diploma, claro), embora um "estilo de texto lúcido" o fosse. Os currículos deveriam ser enviados com um artigo-prova que merecesse ser publicado.

Vocação, talento e competência eram os requisitos, não formalidades ou cupinchadas.

 

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Os novos bárbaros, Nivaldo Manzano

Mídia e narcotráfico, A Imprensa em Questão

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